Estudantes desenvolvem projeto para defesa do direito de ir e vir de todos os cidadãos (Foto: Joel Laroca)

Acessibilidade é de longe um dos maiores problemas da cidade. Andar pelas ruas sem tropeçar nas pedras soltas das calçadas estreitas é quase impossível. Por isso, os dirigentes do CreaJr – PR, vertente estudantil do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea – PR), idealizaram um projeto para promoção da sensibilidade e para a conscientização de estudantes acerca do problema que afeta a vida de muitos ponta-grossenses.

 A iniciativa busca ainda refinar a visão dos aspirantes às carreiras da engenharia acerca de como adaptar a cidade para realmente atender as demandas de acessibilidade. O projeto está em desenvolvimento e cada vez mais acrescentando ideias, em que as pessoas entrem em contato com os problemas estruturais da cidade, além da humanização da causa.

Uma das mentoras do projeto, Priscilla Guardezi, conta que a incursão promovida em 2016 foi com os alunos de engenharia. O grupo fez o trajeto do bloco E até o Bloco L (recém-reformado), na UEPG, Campus Uvaranas. O objetivo era reparar as dificuldades de transitar de um bloco para o outro, em uma cadeira de rodas.

“Nós engenheiros temos que pensar na independência do deficiente e não só colocar a rampa. Tem que ser uma rampa boa”, argumenta Guardezi. Ela complementa que o tema acessibilidade foi escolhido para o Labx e a ideia foi levada adiante, com mais pessoas envolvidas a fim de garantir ela não morresse.

Com organização do CreaJr, o Labx teve, em setembro e outubro deste ano, sua primeira edição, que foi sediada pela UEPG. É um programa de criação de liderança, dividido em dois módulos.

Guardezi também fala que o mesmo tipo de experiência aconteceu na Universidade Tecnológica Federal (UTFPR), no Campus Ponta Grossa, também organizada por membros do CreaJr. Ele explica que o objetivo foi “não somente despertar somente a visão técnica, mas também desenvolver a cidadania e humanidade das pessoas”.

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Experimentando as dificuldades provocadas pela falta de acessibilidade

O professor do curso de Engenharia Civil da UEPG, Joel Laroca, agregou conhecimento ao projeto organizando uma aula em que os alunos puderam andar com bengalas e cadeira de rodas pelo Centro da cidade, como no calçadão. “Nosso envolvimento com acessibilidade é duplo, profissional e em sala de aula”, enfatiza.

Além disso, Laroca explica que a geração que está em formação será a defensora da acessibilidade como uma atitude cidadã que assegura a integração à cidade das pessoas com dificuldades locomotoras. “Não se trata de adaptar ruas, corredores, rampas ou elevadores. É muito mais. É dispor o espaço urbano de modo que seja usado por todos”, defende.

O estudante que participou da aula, Guilherme San Martin, relata que só de imaginar como é ter algum tipo de deficiência física, já é possível perceber a falta de planejamento da cidade e como isso atrapalha. “É um problema que as pessoas têm que dar mais importância”, enfatiza.

Alguns alunos prestaram depoimentos para a equipe de reportagem sobre como foi andar em uma cadeira de rodas. Um deles conta o impasse com a loja Marisa, a qual um dos seguranças se exaltou pelos alunos estarem praticando uma aula sobre acessibilidade. Confira:

A equipe de reportagem entrou em contato com a loja Marisa e eles não retornaram para esclarecer a questão.

Tirando a ideia do papel

O cadeirante que contribui para a realização do projeto com suas vivências diárias, André Kogut, argumenta que o importante é que a ideia dos estudantes não fique só no papel. “Precisamos de gente que nos ajude. A acessibilidade, em Ponta Grossa, é muito crítica. É raro achar rampas em ótimas condições”, relata.

Outro mentor do projeto e participante ativo, Gabriel Biglia, explica que não é necessário ser um dirigente para participar e se inteirar de alguma ação organizada pelo CreaJr. Ele conta sua trajetória até chegar ao cargo de dirigente e ter a ideia de desenvolver o projeto de acessibilidade.

“Quando estava no segundo ano participei de uma vivência, fizemos uns percursos no Centro com cadeiras de rodas, bengalas e vendas. Isso me chamou atenção para a acessibilidade”, relata. Biglia complementa que a partir do momento que entrou para a parte executiva do CreaJr, teve o apoio para propor esse tipo de experiência para o estudantes.

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