altPreocupada com a violência que tem ocorrido na Escola Estadual José Elias da Costa, a Associação de Pais e Amigos do Deficiente Visual (Apadevi) realizou, no último dia 7, palestra educativa para os alunos da escola e da própria Apadevi durante o dia todo. Temáticas como drogas, bebida e sexo foram tratadas pelo psiquiatra Laércio Lopes de Araújo.

Crianças brigando na escola não é o retrato ideal quando o assunto é educação e cidadania. A Associação de Pais e Amigos do Deficiente Visual (Apadevi), preocupada com a violência recente na Escola Estadual José Elias da Costa, realizou parceria com o professor e psiquiatra Laércio Lopes de Araújo para a realização de palestras sobre drogas, violência e sexo com alunos da escola e da própria Apadevi .

A preocupação veio a partir da constatação de que crianças de várias faixas etárias estavam se envolvendo em brigas frequentes, além da constante preocupação com gravidez precoce, sexualidade e drogas. Adolescentes como Lincon e Welliton consideram importante o debate sobre esses assuntos, pois vivenciam a violência entre os colegas na sala de aula.

A Usina do Conhecimento, localizada em Olarias, é o local escolhido para reunião das crianças. Laércio coloca as crianças em contato com imagens que depreciam o uso de drogas lícitas e ilícitas, questiona se os pais são alcoólatras, se ficam violentos quando bebem, dá exemplos dos malefícios das drogas e tenta mostrar caminhos alternativos ao uso da violência, como conversar e ouvir os problemas do outro.

“Quantos aqui têm pais que bebem? O que acontece quando estão alterados? Qual a chance de eles fazerem algo errado quando estão assim? É muito grande?”, questionou o psiquiatra.

A resposta das crianças confirmou a relação entre violência e uso de bebidas alcoólicas.


A assessora de Laércio, Josiane Pinheiro, conta que há tempos ele trabalha com palestras para crianças e adolescentes. Segundo a vice-presidente da Apadevi, Ronilda Souza, a palestra é importante e ajuda a comunidade onde estão inseridos a reconhecer e resolver alguns problemas.

“Nós, da Apadevi, decidimos fazer essa parceria com o Dr. Laércio porque, para além da realidade dos nossos alunos, temos que nos preocupar com a realidade da nossa cidade e como resolver problemas como o da violência nas escolas”, revela a vice-presidente.

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alt“Além da deficiência visual, para quem tem diabetes e pressão alta como eu, é ótimo poder fazer educação física no Campus, com equipamentos melhores”, afirma a aluna da Apadevi Maria Elísia da Silva, referindo-se à parceria da UEPG com a entidade. A UEPG disponibiliza o espaço do Campus de Uvaranas para a realização de aulas de dança, musculação e hidroginástica às segundas-feiras.


A Associação de Pais e Amigos do Deficiente Visual (Apadevi) fez uma parceria com a UEPG para a utilização das dependências do Campus de Uvaranas para prática de atividades físicas de pessoas com deficiência visual, como aulas de musculação e de dança. Essas práticas são oferecidas para os alunos da entidade há cerca de um mês no Pavimento do Departamento de Educação Física da Universidade, às segundas-feiras, a partir das 14 horas.

Coordenando as atividades estão três professores de educação física contratados pela Apadevi. Fábio Cordeiro é um deles e explica que a realização do projeto vai além das condições de melhora física dos deficientes:

“Vir até o campus e praticar um exercício é uma forma de integração, principalmente nos casos das pessoas mais velhas, que muitas vezes ficam parados em casa, por isso o projeto visa ajudar na convivência social”, conta. Além da integração entre professores e alunos, a parceria tem possibilitado estágios para alunos do curso de educação física.

Dez pessoas participam da atividade no Campus e os exercícios começam antes de chegarem à academia da UEPG, ao praticarem a “mobilidade”, que é andar sozinho com a ajuda de bengala especial. Os professores da Apadevi esperam a maioria dos alunos no terminal central e então os acompanham até o local das aulas.

“Alguns já tem mobilidade, já sabem andar de bengala e assim não dependem de ninguém para levá-los até o terminal. Isso desenvolve a capacidade motora e a noção de espaço, requisitos que a gente ensina na Associação”, afirma a professora de mobilidade da Apadevi, Avanir de Castro.

Segundo a vice-diretora, Ronilda dos Santos, muitos adultos, depois que perdem a visão, não acreditam mais que podem viver em sociedade. Essas atividades fazem com o que a pessoa com deficiência visual não perca a auto-estima.
 
Esse é o caso de Alcebíades Bonatto, que perdeu a visão há três anos. “Sinto falta de olhar olho no olho, mas não perdi a habilidade da vida. Ando de ônibus, lavo, passo, cozinho, moro sozinho e tenho uma vida normal”.

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altO curso de informática, disponibilizado há três anos pela entidade, formou mais nove alunos.
A solenidade para entrega de certificado aos estudantes é feita para os que completam um ano de curso.
O objetivo é aprender a utilizar o computador e os programas específicos para pessoas com deficiência visual. O curso é uma oportunidade de aprendizado para os alunos da Apadevi e para os estudantes da UTFPR que participam como estagiários.


Os alunos do curso de informática da Associação de Pais e Amigos do Deficiente Visual (Apadevi) se formaram no último dia 2 de dezembro. Nove alunos receberam o certificado na celebração organizada pela Associação.

Durante um ano, as pessoas com deficiência visual participaram de aulas semanais de informática para aprender a utilizar o computador. Entre as atividades, os estagiários ensinaram técnicas de digitação, como usar o Jaws e o Dosvox (programas que fazem a leitura da tela), programas básicos como word, excel e power point e a navegar na Internet.


O curso foi desenvolvido em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). As aulas eram ministradas por estudantes do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas participantes do projeto Vozes, da professora Janaina Cazini.

Para Janaina, a conclusão de um ano de curso mostra que os alunos são capazes de aprender muito mais. Ela conta que os estagiários fizeram sugestões para melhorar o trabalho no ano que vem.

“No próximo ano, o trabalho vai ser aperfeiçoado, os estagiários serão selecionados e os alunos separados em turmas de acordo com o grau de deficiência”.

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As aulas são elaboradas de acordo com a necessidade de cada aluno. Segundo Janaina, alguns precisam da tela apenas em cores branca e preta, outros necessitam de uma letra maior e alguns se baseiam apenas nos programas de leitura de tela.

“Os estagiários têm que estar preparados para dar aulas para pessoas com deficiência visual total, já que eles precisam ouvir a voz do programa e a orientação do professor”,explica a professora.

Janaina ressalta que é muito melhor dar aula para pessoas com deficiência visual. “Quando nós começamos a dar aulas, achando que vamos ajudar, percebemos que quem nos ensina são os alunos. Eles mostram que é a força de vontade que leva à felicidade, não importa o defeito”, diz.

As estagiárias Luciana Stremel, Carina Rosa e Aline Galvão concordam com a professora. “Nós aprendemos mais ou tanto quanto eles, ganhamos experiência profissional e principalmente experiência de vida”, ressalta Luciana.

O curso é uma forma de inserir os alunos no mercado de trabalho. O aluno  Fernando Nátio não pode comparecer à formatura, pois estava no trabalho. De acordo com a Vice-Diretora, Ronilda dos Santos, o curso colaborou para que Fernando conseguisse a vaga na área de informática em uma empresa de fabricação de tintas de Ponta Grossa.

Para Ronilda, é gratificante entregar os certificados porque mostra que os alunos realmente aprenderam. “O curso vai continuar, para ensinar e ajudar ainda mais pessoas”.

A aluna da Apadevi Claudete Cruz conta que tem computador em casa, mas tinha medo de usar. “Com dois anos de curso, eu perdi o medo, aprendi a utilizar os programas e agora tenho um certificado para provar que sei”.

Para a estudante de 13 anos Maria Luiza dos Santos, o curso ajudou para que  não ficasse atrasada em relação aos amigos. Maria Luiza fez um ano de curso e ressalta a importância de saber utilizar o computador e navegar na Internet.

Outro formando é o aluno Pedro Roberto Carvalho, de 14 anos. Para ele, “o melhor é poder fazer pesquisas para os trabalhos da escola sem depender de ninguém”. 

O curso de informática começou em 2007. Este ano, os novos computadores colaboraram com o aprendizado. Mediante verba disponibilizada pelo Conselho de Assistência Social, a Apadevi adquiriu cinco computadores com telas LCD de 22 polegadas.

altAs aulas de bolero feitas na Associação de Pais e Amigos do Deficiente Visual (Apadevi) auxiliam não somente na descontração, como também no equilíbrio dos alunos.
O rendimento está sendo tão satisfatório que os professores e alunos pretendem se apresentar em breve.
Segundo o professor, Rafael Bruno Ligenski, a dança auxilia no equilíbrio e na postura, além de trazer mais autoconfiança.

A ideia surgiu a partir do interesse e empenho dos alunos durante a festa julina da entidade (foto).


A dança sempre foi motivo de descontração e alegria para as pessoas. Isso não seria diferente nas aulas de bolero promovidas pela Apadevi. Elas ocorrem toda sexta-feira, das 10:30 às 11:30, na FAPI (Fundação Municipal de Promoção ao Idoso).

O projeto começou há dois meses após os professores perceberam o interesse dos alunos pela dança. Isso aconteceu em uma festa julina promovida pela instituição. O professor das aulas, Rafael Bruno Ligenski, comentou com a diretora da Apadevi, Cilmara Buss de Oliveira, sobre esse interesse dos alunos, e ela aceitou a proposta das aulas semanais.

As aulas de dança servem não somente para a distração, como também traz benefícios para a pessoa com deficiência visual. Segundo Ligenski, a dança auxilia no equilíbrio, na postura e na autoconfiança.

“Eles se sentem mais confiantes quando dançam. Por mais que sejam duas pessoas com deficiência dançando juntas, elas se sentem mais livres e confiantes”, afirma o professor.

As aulas contam com 12 alunos, todos adultos. Um deles é Eva Krum. Ela pratica a atividade desde pequena e afirma que tanto a dança quanto a música são uma forma de higiene mental. “Tenho mais vida quando estou dançando!”, diz Eva.

Odete Alves Scheifer também vai às aulas toda sexta-feira. “Não existe exercício melhor que a dança. Além disso, eu me distraio e encontro com os amigos.”, enfatiza a aluna. Odete também pratica a atividade desde quando era mais jovem e afirma que tem vontade de se apresentar para o público.

altAs atividades de relaxamento corporal e estímulo cerebral vão ser feitas a partir desta segunda-feira, 26 de outubro, na Apadevi.

Baseados no método exposto no IV Seminário de Visão Holística, os professores vão repassar exercícios para desenvolver o corpo e a visão, assim como auxiliar na mobilidade.
As aulas serão realizadas na segunda, quarta e sexta-feira, das 15 às 17 horas.


A partir desta segunda-feira, a Associação de Pais e Amigos do Deficiente Visual (Apadevi) vai aplicar aulas com um método diferente de reabilitação visual.

Com uma turma de 20 pessoas, em princípio, as aulas serão apenas para pessoas com deficiência visual parcial. As atividades visam demonstrar a importância dos exercícios físicos no desenvolvimento do corpo e, por conseqüência, da visão.

O método foi apresentado a seis professores e uma aluna da Apadevi no IV Seminário Nacional de Visão Holística, nos dias 25 a 27 de setembro, em Perus-SP.

O Seminário foi feito baseado no método de Meir Schneider e exposto pela palestrante Sylvia Loretta Lakeland. Para que as pessoas possam praticar as atividades, foram disponibilizados quatro CD`s com a explicação dos exercícios – um para a coluna, outro para o sistema nervoso, o terceiro para o esquema corporal periférico (mãos e pés) e outro para os olhos.

    Para a vice-diretora da Associação, Ronilda dos Santos, “o método realmente funciona, já que trabalha o corpo como um conjunto, do qual os olhos fazem parte”. Por isso, também poderão ser aplicados em pessoas com deficiência visual total, para auxiliar na mobilidade. Para as pessoas com baixa visão, “os exercícios ajudam no conhecimento do corpo e na melhora da auto-estima. Por isso, são válidos mesmo que os alunos não voltem a enxergar totalmente”, explica Ronilda.

Segundo a vice-diretora, é importante ressaltar que para obter resultados, os alunos vão precisar aplicar os exercícios todos os dias em casa. Esse é o caso de Ângela Tozzeto, fisioterapeuta e aluna da Apadevi. Ela participou do Seminário e faz em média 3 horas de exercícios em casa diariamente.

De acordo com Ângela, a sensação de enxergar mais do que apenas borrões já vale qualquer tempo e esforço. “Um dia cheguei em casa e perguntei para minha tia se um jardineiro tinha arrumado o jardim. Ela falou que não, e eu contei que pela primeira vez tinha visto as flores coloridas na frente de casa”, diz Ângela.

Ela explica que é preciso dedicação, “Os exercícios são fáceis, relaxam o corpo, e podem ser feitos a qualquer hora, ouvindo rádio ou televisão, por exemplo”.

Entre os dias 12 e 16 de outubro, os professores da Apadevi e a aluna Ângela Tozzeto, que participaram do Seminário, repassaram as informações a todos os funcionários da entidade. Depois, foram feitas as três aulas demonstrativas para os alunos (foto), nos dias 21 e 23 de outubro.

O método
Meir Schneider desenvolveu este método a partir de experiência pessoal. Ele nasceu com catarata, astigmatismo e nistagmo. Devido a isso, com 17 anos, ele já não enxergava mais nada, então procurou formas de recuperar a visão. Schneider compreendeu que para voltar a enxergar era necessário que todo o corpo estivesse bem.

Assim, aliou ioga com massagens e exercícios, para trabalhar com o relaxamento do corpo e a estimulação cerebral. Hoje, com 55 anos, Schneider pode dirigir sem a utilização de lentes de correção.

Os princípios que ele usava formaram a base do método chamado Self-Healing, desenvolvido para trabalhar com portadores dos mais variados problemas de saúde. Entre eles o da deficiência visual, que ajudou a si mesmo e agora vai ser desenvolvido na Apadevi.

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