Em assembleia na tarde desta terça-feira, dia 05, na Vila Capanema em Curitiba, os professores da rede estadual aprovaram a continuidade da greve por tempo indeterminado. Os docentes da UEPG também decidiram, nesta terça-feira, pela manutenção da greve até que o Ministério da Previdência se manifeste sobre a lei que já foi aprovada e sancionada. As outras universidades estaduais continuam em greve ou com suas atividades paralisadas.

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Pela manhã, professores, estudantes, servidores e pessoas que apoiam os educadores se reuniram em passeata pacífica – chamada de Ato Unificado dos Trabalhadores – até em frente ao Palácio do Governo, em Curitiba. O movimento foi em protesto aos acontecimentos da última quarta-feira, dia 29. Outras manifestações já ocorreram ao longo dos últimos dias em todo estado, com repercussão nacional e internacional.

O 29 de abril
Bombas de efeito moral, gás lacrimogênio, spray de pimenta, balas de borracha. Polícia Militar. Tropa de Choque. Cerco policial na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep). Conflito entre a Polícia e servidores que se manifestavam contra a votação do projeto que altera o regime previdenciário dos servidores públicos do Paraná. Correria e  mais de 200 feridos. Este cenário foi visto na tarde da última quarta-feira, dia 29, no Centro Cívico, em Curitiba.

“O que houve é que estávamos em frente a ALEP (educadores, estudantes e demais servidores públicos), protestando pacificamente e sem portar nenhuma espécie de arma! Quando do anúncio que as lideranças governistas haviam rejeitado o pedido de diálogo efetuado por políticos da esfera federal e iniciado o processo de votação, pelos manifestantes foi tenuemente forçada as grades provisórias de isolamento da ALEP (instaladas). Instantaneamente iniciou-se a repressão violentíssima: com bombas de pimenta, bombas de gás lacrimogênio, balas de borrachas, spray de pimenta, agressões com cacetes, tonfas, mordidas de cães pit bull e o lançamento de bombas com helicóptero”, relata o professor Almir Nabozny, do departamento de Geociências da UEPG.

Enquanto acontecia o abuso de força no exterior da Alep, no seu interior, os deputados continuavam a votar o Projeto de Lei (PL) 252/2015. O PL foi aprovado, em segundo turno, por 31 votos a favor da mudança no ParanaPrevidência em oposição a 20 votos contra o PL.  Não votaram: o presidente da casa – que só vota em caso de desempate – e mais dois deputados – que se abstiveram.  A lei foi sancionada, pelo governador Beto Richa (PSDB), no dia seguinte (30/04).

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