Em Ponta Grossa, agentes universitários da UEPG começam greve nesta quarta e Conselho Universitário suspende novamente o calendário de 2015

Com a presença de mais de 30 mil pessoas, uma caminhada parou o centro de Curitiba nesta terça-feira, dia 19. Além dos professores da rede básica de ensino e das universidades estaduais, diversas categorias do funcionalismo participaram da manifestação. De acordo com os sindicatos, após o governo descumprir a Constituição com o confisco do Fundo Previdenciário dos servidores, agora descumpre a lei da data-base.

 

"Se o estado do Paraná está quebrado, não é culpa dos servidores e sim da má administração dos últimos quatro anos. O governo que encontre outra solução, nós não vamos pagar essa conta".

Com esta conclusão, Marlei Fernandes de Carvalho, da diretoria da APP-Sindicato dos Trabalhadores em Educação, encerrou seu relato da reunião no Palácio do Iguaçu, na manhã desta terça-feira, dia 19.

No encontro, o Fórum Estadual dos Sindicatos de Servidores tentou negociar uma nova proposta de índice de reajuste salarial com as Secretarias Estaduais da Fazenda, da Administração, da Casa Civil e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Os representantes do governo, entretanto, mantiveram o índice de 5% apresentado na semana passada, enquanto os servidores reivindicaram o cumprimento da lei que estabelece a reposição das perdas inflacionárias que, no último ano, somaram 8,17%.

"A reunião de hoje foi mais uma violência contra os professores. O governo começou a reunião com uma chantagem: qualquer negociação só vai ser feita com o final da greve. Isso é um ataque ao direito de greve dos servidores", explicou o presidente da APP, professor Hermes Silva Leão.

Dizendo que "isso é coisa de ditadura", Hermes conclamou os professores a continuarem em greve. Ele contou que, durante a reunião, os sindicatos presentes apresentaram estudos econômicos e financeiros, demonstrando que há uma preocupação dos servidores com a situação do estado.

Na análise dos dados, segundo o professor, ficou claro que há uma opção política do governo de dar prioridade a outros pagamentos em vez de garantir o reajuste do salário dos servidores. Quando abriu a passeata, na Praça Santos Andrade no início da manhã, Hermes já havia afirmado que a briga não é por aumento de salário.

"Queremos apenas manter o poder de compra dos salários, com a reposição da perda com a inflação, que é de 8,17%", explicou o presidente da APP. Para ele, o problema é que o governo considera a destinação de recursos para a educação como despesa e não como investimento.

Nas universidades
Apesar da participação do secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Carlos Gomes, na reunião do governo com os servidores nesta terça-feira, as Seções Sindicais dos Docentes das Universidades Estaduais não foram convidadas para o encontro. Em greve há quase um mês, os professores das sete universidades continuam esperando por um início de negociação da sua pauta de reivindicações.

Na assembleia realizada no dia 05 de maio, os professores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) aprovaram o pedido de saída do de João Carlos Gomes do governo do estado do Paraná.

Para o SindUEPG, "o atual secretário fracassou como mediador nas negociações, além de silenciar diante dos atos cometidos contra os professores e servidores, no último dia 29 de abril, em frente ao Centro Cívico".

Em nota dirigida à comunidade, o sindicato explica que a continuidade da greve se dá, principalmente, por três razões:

  1. o confisco da aposentadoria, que "se deu de forma ILEGAL, INCONSTITUCIONAL E COM INÚMERAS IRREGULARIDADES, na mesma tarde em que os servidores eram massacrados pela polícia em frente à assembleia";
  2. a apresentação de um índice de reposição inflacionária em 5%, bem abaixo do percentual da inflação de 8,17%;
  3. o anúncio de encerramento de negociações (que nem foram iniciadas), com ameaça de cortar salários.

Suspensão do calendário
Pela segunda vez em 2015, os Conselho Universitário da UEPG suspendeu o calendário de geral da instituição. A medida, aprovada em reunião nesta terça-feira, dia 19, havia sido solicitada pelo sindicato a partir da decisão da Assembleia docente realizada em 5 de maio.

Com a suspensão e posterior reelaboração do calendário (após o término da greve), o objetivo é garantir a reposição das aulas e demais atividades acadêmicas, perfazendo a quantidade mínima de dias letivos.

Durante a primeira greve, de 10 de fevereiro a 16 de março, a suspensão durou mais de trinta dias. A reitoria da universidade, o SindUEPG e o Sintespo, devem elaborar ainda esta semana uma lista de atividades consideradas excepcionais, ou seja, aquelas cuja interrupção pode trazer prejuízos à comunidade ou riscos ao patrimônio público.

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