Professores tiveram pelo menos duas horas-atividades perdidas por padrão de trabalho (Foto: Arquivo)

Durante a semana passada, aconteceu a distribuição das aulas dos professores da rede estadual de ensino do Paraná. Com a redução da hora-atividade através da Resolução 113/2017 e a “punição” dos professores que pegaram atestados, a distribuição se tornou problemática.

Josiane Kieras é professora no Colégio Estadual Ana Divanir Boratto e possui dois padrões de aulas. Na semana passada, ela foi para a distribuição de aulas com mais seis professores de seu colégio. A professora comenta que sua carga horária ficou “absurda”.

Um exemplo para explicar melhor a mudança na hora-atividade é analisar um padrão de 20 horas. Neste padrão, antes da mudança o professor possuía sete horas-atividade. Em 2017, o docente passa a ter cinco horas-atividade. São duas horas a menos para correção e elaboração de aulas.

Josiane conta sobre a angústia de uma colega durante a distribuição das aulas, na semana passada. “Ela comprou uma casa agora e paga as contas sozinha. A casa dela é só dela, ela não comprou junto com ninguém. Então, ela está tendo dificuldade para pagar essa casa e se ela não pegar essas aulas extraordinárias eu não sei como ela vai fazer”. 

Além de perder as aulas, a professora citada pela colega também pegou um atestado de 30 dias no ano passado por problemas de saúde. Esse atestado fez com que ela não tivesse prioridade na escolha das vagas.

Outro problema relatado por Josiane foi o sistema adotado pela Secretaria de Educação (Seed) para a distribuição das aulas. “O meu nome, por exemplo, não constava no sistema”. Ela comenta que o problema foi resolvido após ser feita uma ata manual.

Sobre a expectativa para o ano letivo de 2017, a professora afirma que vai ser “puxado”. Josiane perdeu quatro horas-atividade nos dois padrões em que trabalha. “Eu me nego a trazer atividades para casa porque a partir do momento em que eu tenho um direito adquirido e perco de maneira arbitrária, eu não vou aceitar retrocesso”. Ela termina dizendo que vai fazer o que puder para não adoecer.

Durante a distribuição das aulas, algumas notícias divulgadas pela imprensa chamaram atenção. A que teve maior repercussão, foi a de uma professora que faleceu durante a distribuição de aulas em Curitiba. Segundo informações da APP Sindicato, os problemas no sistema fizeram com que alguns professores esperassem por horas para terem as aulas distribuídas, chegando até mesmo ao período da madrugada. 

Outro problema que terá que ser resolvido é a falta de aulas para alguns professores que estão excedentes nas escolas em que estão lotados e também a divisão das aulas entre colégios. Alguns professores terão que dar aulas em mais de um colégio para completar a carga horária.

A APP-Sindicato orientou os professores que tiveram problemas durante a distribuição a registrarem e denunciarem os problemas ocorridos.

 

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