A greve dos bancários de Ponta Grossa e região completa, nesta terça-feira, dia 20, duas semanas. “Os banqueiros não respeitam e valorizam seus funcionários e clientes. O que importa é o lucro. Para tanto, atropelam tudo e a todos, o que vem trazendo inúmeros prejuízos, inclusive para a saúde dos bancários”, afirma o presidente do Sindicato dos Bancários de Ponta Grossa e Região, Gilberto Lopez.

 

 A pauta de revindicação dos bancários inclui a diminuição da cobrança de metas, o fim ao assédio moral no ambiente de trabalho, mais contratações de funcionários e aumento salarial. O movimento foi deflagrado, nacionalmente, no último dia 6. O comando de greve destaca o desrespeito à categoria pela classe patronal.

 

O presidente do Sindicato declara também que eles estão abertos a negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Lopez acredita ainda que “os bancos não podem alegar crise política e econômica do país para deixar de atender as revindicações, pois é o único setor que lucra em tempos de crise, devido à prática da segunda maior taxa de juros do planeta”.

 

A greve deflagrada pelos trabalhadores afeta 42 agências bancárias na cidade Ponta Grossa. Todas as agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal estão fechadas para atendimento ao público. Apenas algumas agências bancárias da rede privada estão mantendo o funcionamento, por não possuírem correspondentes bancários que atendam minimamente as demandas dos clientes.

 

A assistente administrativa, Jessica Kihara, afirma que entende a importância da greve, mas acredita que “outras alternativas poderiam ser adotadas para não prejudicar tanto o trabalho das pessoas. Por exemplo, clientes do banco poderiam ter um horário específico para resolver seus problemas com seus gerentes”.

 

Jéssica expõe também que o gerente até tenta ajudar por telefone, mas há muita demora na linha. E, para pagar contas, é necessário enfrentar horas de fila na calçada em frente aos correspondentes bancários, sem nenhuma segurança.

 

A assessora de comunicação da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Adriana Mompean, comunicou que “a participação nos lucros paga pelos bancos aos bancários é, há vários anos, um destaque dentre todas as categorias, pela sua abrangência e pelos valores individuais e coletivos envolvidos”.

 

A Febraban avalia que “a negociação das cláusulas não econômicas, ainda em curso, vem se desenvolvendo de maneira positiva” e reitera que continua aberta a negociações e que avaliará contrapropostas que venham a ser apresentadas pelas representações sindicais.

 

A proposta da Fenaban prevê salários e abono imediato de R$ 2,5 mil a todos os 500 mil bancários do país. Além disso, foi oferecido o reajuste de 5,5% dos salários praticados em 31 de agosto de 2015.

 

Para a Federação, o reajuste oferecido está de acordo com a expectativa de inflação média para os próximos 12 meses, que é de 5,5%. De acordo com o Sindicato dos Bancários de Ponta Grossa e Região, os trabalhadores reivindicam reajuste de 16%. e também as cláusulas não econômicas.

 

Arquivo comunitário 

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