Olhares diferentes são, muitas vezes, a forma de expressão do preconceito contra as pessoas com deficiência intelectual. A exclusão social é mais um dos desafios enfrentados.

Segundo a pedagoga Silmara Carneiro, da Assarte, o preconceito  resulta, muitas vezes, da dificuldade de o deficiente se adaptar a um novo ambiente. “Existem outros deficientes que desenvolvem problemas intelectuais mais sérios, o que dificulta ainda mais a sua inserção na sociedade”, conta a pedagoga.

A maneira como o preconceito ocorre é frequentemente resultado do desconhecimento sobre a deficiência ou da superproteção ao deficiente. “Quanto mais o deficiente for tratado próximo do normal é melhor. Assim ele entende como deve se comportar na sociedade”, explica a pedagoga. Ela ainda afirma que o deficiente deve ter direitos iguais a todos na sociedade.

E o preconceito não vem somente de pessoas desconhecidas, mas por vezes começa dentro do próprio ambiente familiar. A pedagoga Rosângela Leão, da Assarte, conta que, muitas vezes, a família deixa de levar o filho deficiente a um compromisso social considerando que assim ele está sendo protegido. Isso acaba, no entanto, por dificultar ainda mais o processo de socialização.

A pedagoga ainda conta que há pais que têm dificuldade de aceitar a condição do filho. Há também, como descreve Rosângela, casos em que os pais não aceitam matricular o filho deficiente na escola por não compreender o preconceito.

Outro problema são os pais que não reconhecem que o filho tem a deficiência, cobrando dele uma postura diferente. “Muitas vezes, o atraso mental acaba sendo tratado por eles como uma preguiça”, conta Rosângela.

E quando se trata do acompanhamento de crianças com deficiência intelectual, outra barreira enfrentada pelos deficientes é a negligência. Aceitar e entender quais são as necessidades e as limitações é fundamental para que a criança possa se desenvolver e alcançar independência na fase adulta.

Segundo a pedagoga Rosângela Leão, inserir as crianças e os adolescentes em escolas que atendam suas necessidades especiais é fundamental. E mantê-las em convívio com a sociedade em geral também ajuda a construir sua identidade pessoal dentro da sociedade.

Assim como as crianças que não têm a deficiência intelectual, elas aprenderão, no seu próprio tempo, a lidar com suas emoções e suas necessidades, esclarece.

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