Uma grande fossa com esgoto foi formada devido ao despejo irregular. Nas últimas semanas, problema aumentou com a chuva e pessoas chegaram a cair no arroio, inclusive uma criança que voltava da escola.

Os moradores de várias vilas do Bairro Boa Vista tem enfrentado dificuldades relacionadas ao saneamento básico. Na semana passada, o Portal Comunitário mostrou a situação dos habitantes do Jardim Jacarandá-Moradores do Jardim Jacarandá reclamam de mau-cheiro vindo de fossa-  que tem problemas com o mau cheiro vindo de uma fossa da Sanepar. Agora são os residentes na Vila Leila Maria que reclamam do esgoto a céu aberto.

O problema se agravou com a forte chuva do dia 8 de abril (domingo). A rua Bady Miguel Esperidião, principal acesso à região, ficou intransitável em sua parte mais baixa. Um arroio formado totalmente pelo esgoto despejado de forma irregular transbordou, passando por cima da rua.

Os dejetos formam uma grande fossa a céu aberto, com quase dois metros de profundidade, segundo os moradores do entorno, e cerca de dez metros quadrados de dimensão.

De acordo com a dona-de-casa Débora Cristina Corrêia, que mora na casa ao lado desse córrego, uma criança de seis anos chegou a cair no esgoto, quando retornava da escola. “Se não fosse um vizinho que estava passando na rua e tirou a menina de lá, não sei nem o que poderia ter acontecido”, relata.

Outros casos

Débora conta que outras pessoas também já caíram no arroio. A rua, não asfaltada, é estreita. “Já foi gente, moto, ciclista, carro, tudo para dentro do esgoto”, conta. O trabalhador autônomo Alcione Silveira Veiga, de 59 anos, fala que durante a chuva do dia 8 de abril seu carro também quase foi levado.

“O carro estava parado na frente de casa, porque eu ia sair. Aí começou a chover e quando eu vi ele estava quase indo para o córrego, levado pela enxurrada”, narra o morador, que se mudou de Catanduvas, na Região Metropolitana de Curitiba, para a casa na Vila Leila Maria há dois meses.

A mulher de Alcione, Carmem Lúcia Veiga, de 60 anos, explica que, quando chove, além do cheiro forte do esgoto aumentar, a água entra no quintal de sua casa. “A gente tem que tomar cuidado aqui para não inundar tudo”, diz. No terreno de Débora, o esgoto chega bem próximo da porta de sua casa.

Mais problemas

Com o despejo irregular do esgoto, os habitantes da região se queixam do aparecimento de animais peçonhentos. “É comum a gente ver barata, rato, mosquito e cobra aqui por perto, e até dentro de casa”, fala Débora Corrêia. Segundo ela, existe uma contradição entre as ações da Prefeitura em relação à saúde pública.

“Chega a ser engraçado quando o pessoal do combate à dengue vem aqui. Eles podem multar a gente por deixar água parada em casa, mas e essa fossa aqui do lado? Quem vai multar os responsáveis?”, conta indignada a moradora.

Resposta da Sanepar

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) enviou nota informando sobre a situação. O texto diz que “as redes coletoras ainda não foram liberadas para interligação, uma vez que a elevatória que envia o material para a estação de tratamento de esgotos encontra-se em fase de testes operacionais, devendo entrar em funcionamento até o final do mês.”

Ainda segundo a nota, “embora a rede coletora ainda não estivesse liberada para utilização, na semana passada as equipes da Sanepar já realizaram a manutenção necessária nos pontos onde a rede estava danificada.” Os funcionários abriram uma valeta no meio da rua para escoar parte do esgoto para o córrego e interditaram a passagem de veículos.

Veja também: Moradores do Monte Carlo sofrem com a falta de coleta de esgoto

Moradores da Vila Liane convivem com esgoto a céu aberto

Moradores da Vila Santo Antônio reclamam da falta de saneamento básico

Veja aqui onde fica a fossa a céu aberto

altaltalt