O Professor de Educação Física da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Moacir Avila de Matos Júnior responde algumas questões com relação a projetos que incentivem o esporte nas praças.


P. As praças poderiam ser usadas para oferecer atividades educativas?
R. Sempre o esporte foi visto como um trabalho educativo, pois possibilita uma formação integral do indivíduo, atuando em aspectos relacionados a desenvolvimento, espírito de grupo, determinação, desenvolvimento da coordenação motora, aspectos físicos e tantos outros.


P. Se a Prefeitura investisse em profissionais de Educação Física para irem aos bairros desenvolver projetos e atividades físicas nas praças, a realidade de adolescentes e jovens poderia mudar?
R. A prefeitura deveria investir massivamente em atividades que possibilitem o desenvolvimento integral dos indivíduos, pois definitivamente as atividades físicas e esportivas podem desenvolver várias competências e integrar indivíduos à sociedade, o que poderia mudar sim esta realidade.


P. Até onde profissionais de Educação Física poderiam ajudar nisso?
Em sua formação, os profissionais de Educação Física têm contato com várias disciplinas (tais como recreação, modalidades esportivas, atividades rítmicas, saúde pública etc.). Esta formação possibilita aos profissionais de educação física trabalharem a integração dos indivíduos na sociedade.
R. Você já teve algum contato com atividades dessa categoria? Do seu ponto de vista, essa estratégia funcionaria?
No período de 1986 a 1989 trabalhei no projeto Adhemar Ferreira da Silva (medalhista Olímpico), em parceria com a indústria Quimbrasil. Havia um projeto nas praças de iniciação esportiva. Neste projeto, houve momentos de integração com outras Secretarias, além da Secretaria de Esporte, para desenvolver atividades de cunho social e formação integral. Também tivemos alguns atletas oriundos das praças que participaram de Jogos da Juventude e Jogos Abertos, representando Ponta Grossa.


P. Sobre as academias instaladas em lugares públicos, esses pontos de atividade física são uma boa estratégia do governo?
R. Penso que disponibilizar espaços seja importante, pois temos muitas pessoas que simplesmente não têm acesso à atividade física paga e, desta forma, um espaço público é muito importante. Porém também devemos disponibilizar informações.


P. Acha que deveria ter alguma mudança?
R. Sim, deveria existir orientação. Segundo pesquisas, 60% da população que utiliza estas academias executam os exercícios de forma errada, o que pode causar lesões em vez de trazer benefícios. Desta forma, a orientação mais adequada vem com a presença de profissionais habilitados atuando em horários e períodos específicos.

A inclusão é parte da solução do problema
A psicóloga Adriana Machado Gomes defende que é necessário entender o universo dos indivíduos e incluí-los no planejamento da solução para o problema.


“Uma característica de todo adolescente é de revolucionar, todo adolescente sente a necessidade de ser aceito pelos seus iguais, o que os leva a fazer coisas das quais muitas vezes eles nem gostem muito, mas acabam fazendo para que haja essa aceitação”, afirma a psicóloga.


Ela explica que um dos fatores que podem levar jovens à vida do crime e do tráfico é a falta de limites impostos pelos pais.


“Sem a imposição de regras claras, durante a infância, que se infringidas acarretem alguma consequência, o indivíduo quando chega na adolescência acaba se sentindo independente para tomar suas próprias decisões, e quebrar regras será uma atividade comum, visto que crescera sem que tivesse que seguir alguma”, diz.


Outro fator é a terceirização da educação, que ocorre quando os pais não têm uma atuação direta no processo de educação dos filhos, e atribuem o papel à escola.


“A realização de eventos de auxilio à esses indivíduos seria de extrema eficácia”, diz Adriana. “É importante abordar essas pessoas, ver do que elas gostam e inserí-las dentro da realidade social, pois a pessoa, fazendo parte da solução, terá um comprometimento maior”.


Segundo a psicóloga, para isso é necessário buscar reunir os indivíduos com os moradores, primeiramente ouvi-los, entender o mundo deles e depois compartilhar o incômodo em busca de soluções. “Se a Associação de Moradores, ou alguma escola tomar uma iniciativa dessas, com certeza tão breve alcançará bons resultados”, afirma.

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