Sociedade Cacique Pena Branca assume a responsabilidade de manter viva a fé aos Orixás em Ponta Grossa. A cidade, que no último censo demográfico registrou a presença de poucos adeptos da religião, acolhe a busca de democratização da cultura afro-brasileira perante as outras religiões locais.


No censo de 2010, 167.363 brasileiros se declararam seguidores do Candomblé. O número é o equivalente a 0,08% dos 190.732.694 brasileiros contabilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no mesmo ano. 

Em Ponta Grossa, a proporção é ainda menor. Somente 130 ponta-grossenses afirmaram ser adeptos da doutrina, no mesmo censo. O número representa 0,04% dos 311.611 moradores de PG, em 2010 (dados também referentes levantamento do IBGE).

As religiões afro-brasileiras caminham a curtos passos para a consolidação de suas práticas e cultos perante a sociedade. Em busca da preservação e reivindicação da cultura negra africana, a Associação Afro-brasileira Cacique Pena Branca, busca através de atividades ligadas à religião Candomblé manter acesa a chama da fé aos Orixás, em Ponta Grossa.

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O Cacique Pena Branca não opera somente como um espaço para culto na religião Candomblé. É um ambiente de fé e esclarecimento, onde as pessoas têm a oportunidade de entrar em contato com a cultura afro-brasileira livre dos estigmas gerados pela sociedade. 

Ana Lúcia Guerreiro passou a se interessar pela religião a partir de um dos jantares oferecidos pelo terreiro: “Conversa vai, conversa vem, descobri que o Candomblé é bem diferente do que eu imaginava. Descobri que é uma religião que prega, acima de tudo, o amor”, explica.

Estudioso de religiões, Maurício Rezende afirma que assim como o espiritismo, o Candomblé, por não ser uma religião comum à população brasileira, sofre preconceitos daqueles que seguem as doutrinas dominantes.

“A ignorância, ao pé da letra, no sentido de falta de conhecimento mesmo, é o determinante para que parcela da sociedade ignore ou veja com maus olhos as religiões das minorias”, diz.

Para a mãe de santo Tânia Mara Batista, a falta de recursos e apoio do poder público é uma das razões que dificultam o progresso da religião na cidade. “Para a manutenção do espaço e realização dos cultos, contamos com a presença dos filhos do terreiro em jantares beneficentes e como prestadores de trabalhos voluntários”, explica a mãe.