Feriado da consciência negra acontece em apenas 18% das cidades do país. Em Ponta Grossa, a Sociedade Cacique Pena Branca propõe a realização de um debate para discutir racismo desde novembro. Já em outras comunidades, como a Colônia Sutil, a data não é lembrada pelos moradores, conforme relata a representante da entidade. 

 

 

“É uma maneira de marcar nossa identidade”. A fala é da presidente da Sociedade Cacique Pena Branca, Tânia Mara Batista, para dar ênfase às importâncias das datas que relembram a trajetória do povo negro no país. 

Em Ponta Grossa, apesar de não ser feriado no dia 20 de novembro, existe a Lei nº 7283 que institui o dia municipal da consciência negra no município.

Deixar os decretos e trazer o debate para o dia a dia da comunidade, porém, não é tão simples assim. A entidade, que promove a igualdade racial e a liberdade religiosa e cultural na cidade, encontra dificuldades na hora de organizar fóruns e encontros que tratem do tema.

Desde setembro, Dona Tânia propõe a realização de um fórum para debater o racismo na cidade, mas o encontro será adiado para o próximo ano. 

A falta de recursos advindos da administração municipal é um dos empecilhos para o trabalho da entidade, conforme já divulgado pelo Portal Comunitário em outubro. (Leia mais em: http://portalcomunitario.jor.br/index.php/cacique-pena-branca/3946-conselho-de-assistencia-social-desconsidera-trabalho-da-sociedade-cacique-pena-branca).
Por isso, a mãe de santo afirma que um dos próximos passos é focar as atividades dentro da Sociedade. “A própria instituição prova que o racismo existe. Somos idôneos e não conseguimos recursos”, diz.

Hoje a entidade possui aproximadamente cinco mil participantes, sendo 298 filhos do Candomblé, religião que preserva as raízes africanas.

Segundo dados da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir), dos 5.570 municípios do país, apenas 18,8% das cidades adotam a data do 20 de novembro como feriado. A data foi incluída em 2003 no calendário escolar e instituída oficialmente, mas poucas são as cidades que instituíram a data como feriado. 

Na capital do Estado, a lei nº 14.224, publicada no início de 2013, institui o dia 20 de novembro como feriado. Em novembro deste ano, porém, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) acatou o pedido da Associação Comercial do Estado e do Sindicato da Construção Civil do Paraná e suspendeu o feriado.

Londrina era uma das cidades em que a data era celebrada como feriado oficial, mas uma liminar do Tribunal de Justiça (TJ) atendeu aos pedidos das indústrias do Paraná e outros órgãos e suspendeu o feriado. Guarapuava é a única cidade do Estado onde o feriado permanece.

De acordo com a representante da Colônia Sutil no Paraná, Neivair Gonçalves, a data ainda não é uma marca na comunidade e que os moradores se lembram pouco do 20 de novembro.