Alunos e professores de universidades públicas e privadas bem como das escolas da rede de ensino estadual, realizaram, na quinta-feira, dia  30, em Ponta Grossa, manifestação contra a mudança no regime do ParanáPrevidência. O protesto teve inicio às 14h na Praça Barão do Guaraúna, no centro da cidade. Manifestantes carregaram simbolicamente um caixão pela Avenida Vicente Machado, em luto pela educação no Paraná.

O evento, organizado pela Associação de Professores do Paraná (APP), contou com a presença de aproximadamente 1.000 pessoas. A estudante de Psicologia da Unicentro, Fernanda Feola, ressaltou a importância da participação dos alunos envolvidos. “A educação envolve toda a sociedade e é uma causa de todos”, avalia.

Mayã Campos, mestranda em Geografia pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), se mostrou satisfeita com a proporção tomada pelo movimento. “Foi bem bonito, alunos e professores ocuparam toda a Avenida Vicente Machado”, ressaltou.

A estudante descreve ainda que professores, integrantes da Seção Sindical dos Docentes de Ponta Grossa (SindUEPG) e da APP, utilizaram o carro de som para expressar como se sentem face a aprovação da PL 252/2015, e à violência empregada um dia antes, pela polícia para impedir o acesso de manifestantes, que se encontravam em Curitiba, durante o processo de votação do projeto. “Foi um momento muito importante para o movimento”, acrescentou.

No período da noite a partir das 19h, os alunos realizaram um protesto no Parque Ambiental. O evento foi convocado pela estudante de Letras da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Mariane Schila e Carolina Follador estudante de Direito da Cescage.

A convocação partiu ainda das advogadas Fernanda Gonçalves Kosseatz e MeryellenTeleginski. Pelo Facebook, os organizadores do evento pediram que os manifestantes fossem de preto, representando o  momento de luto para a educação no Paraná.
Carolina Follador expressou indignação com as últimas decisões do governador Carlos Alberto Richa ( PSDB) e dos deputados que aprovaram a PL 252/2015. “O que estão fazendo à população paranaense é inadmissível”, critica.

Carolina também rechaçou as medidas adotadas pelo governador, caracterizadas por ela como fascistas, como aumento de impostos, o IPVA e o ICMS. “O paranaense já está arcando com uma carga tributária desproporcional e agora ele atacou o direito do funcionalismo público, ter uma aposentadoria”, reprova.  

Ainda sobre a votação que aprovou mudanças no ParanáPrevidência, realizada na última quarta-feira, dia 29, a estudante acrescentou: “Esse desespero para votar projetos dessa forma é algo ainda mais inadmissível”.

A organizadora do evento, Mariane Schila, conta que a ideia de manifestação partiu de um grupo de estudantes que criou o evento no Facebook. A mensagem foi sendo compartilhada por outros usuários e acabou atingindo várias pessoas da comunidade acadêmica, assim como outros moradores de Ponta Grossa que se solidarizaram à causa dos professores.

“Era perceptível que o pessoal queria apoiar”, ressalta. Sobre a importância de reunir alunos face ao cenário atual, ela diz: “É um evento que tem o intuito de apoiar os professores, precisamos nos unir a eles”.

A professora de matemática da UEPG, Isabelle Trobia, que estava na manifestação promovida pelos alunos e também esteve presente nos protestos em Curitiba, relembra: “O que vivi nesta quarta-feira foi horrível. O meu objetivo lá era lutar pelos meus direitos e não ir para uma guerra, como aconteceu a partir da violência empregada pela polícia”.

A forma como se deu a aprovação do projeto que alterou o ParanáPrevidência também foi alvo de critica da professora. “A gente foi lá, gritou, pediu para não votar, imploramos para que parassem, mas não teve diálogo. O governo tem postura ditadora e acha que colocando policia, spray e bomba vai nos fazer parar”, conclui.