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Professores e alunos da UEPG manifestaram, na noite desta segunda-feira, dia 25, sua indignação contra o governo de Carlos Alberto Richa (PSDB). O protesto foi realizado durante a palestra “Reforma Política: uma leitura a partir do livro O Nobre Deputado”, realizada pelo juiz eleitoral Márlon Reis, no Teatro Marista.

 

O evento foi promovido pela rádio CBN e pelo jornal Diário dos Campos. No hall de entrada do teatro, o público foi recebido pelos manifestantes que pediam apoio em prol da luta por uma educação pública de qualidade.

Foram distribuídos panfletos informando a proposta inicial de reajuste salarial de 5% oferecida por Beto Richa aos professores. O informe denuncia a disparidade de índices de reajuste em 2015. Para os deputados estaduais, o aumento foi 26,35% e, para o governador, 14,6%.

Desde o dia 22 de abril, professores da UEPG paralisaram, pela segunda vez neste ano, suas atividades. A greve foi novamente deflagrada tendo, entre seus pontos de pauta, a oposição ao PL 252 / 2015, este aprovado no dia 29 de abril passado. Reivindica-se ainda o reajuste salarial de 8,17% e a auditoria das contas do estado.

Público endossa protesto
Durante a palestra de Márlon Reis, cerca de 10 pessoas carregaram faixas com os dizeres “Fora Richa” e “Educação sem Opressão”. E, em sinal de protesto, o grupo permaneceu em pé, por aproximadamente 30 minutos, em uma das laterais do teatro. Enquanto isso, a organização do evento transmitia reportagens sobre os esquemas de corrupção ligados à eleição de políticos no Brasil.

Ao final da fala do juiz, o público pode encaminhar perguntas ao palestrante. O professor da UEPG José Gomes pediu orientações sobre como proceder face aos indícios de corrupção que afetariam o princípio de independência entre os três poderes – executivo, judiciário e legislativa – no Estado do Paraná.

Em sua fala, Gomes destacou que o governo estadual estaria agindo com o apoio dos poderes judiciário e legislativo para aprovar projetos que ferem o interesse público. O ponto levantado pelo professor permitiria questionar a atuação dos deputados estaduais no processo de aprovação do PL 252 / 2015.

Vale lembrar que, há um mês, durante o processo de votação do PL 252 / 2015, a pedido do Poder Legislativo, uma decisão judicial impediu o acesso do público às galerias da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep). Além disso, um cerco, formado por 1.500 policiais, garantiu a blindagem da casa legislativa.

A aprovação do PL permitiu o desvio de recursos da poupança previdenciária dos servidores para pagamento de contas do governo do Estado do Paraná, sabidamente em crise financeira.

Embora tenha optado por não se manifestar em relação à questão, alegando impedimento pelo fato de ocupar a função de juiz eleitoral, bem como o pouco conhecimento do assunto, Reis disse apoiar o protesto da comunidade acadêmica, afirmando acreditar na forma de luta dos professores.

Ao final da palestra, os aplausos ao palestrante foram seguidos pelos de gritos de “Fora Beto Richa” proferidos pelos manifestantes. O coro foi fortalecido com o apoio de pessoas da plateia.

Corrupção desvirtua o processo eleitoral
Autor do livro “O nobre deputado”, o juiz Márlon Reis ficou conhecido por sua atuação na aprovação da lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de políticos cujo mandato foi cassado ou cuja renúncia ao mandato evitou a cassação.

A lei, que data de 2010 e que resultou de projeto de iniciativa popular idealizado por Reis e outros juristas, também torna inelegível o candidato condenado por decisão de órgão colegiado. Por ocasião da proposição do projeto de lei, foram colhidas 1,6 milhão assinaturas.

No livro “O nobre deputado”, o autor apresenta Cândido Peçanha. O personagem fictício encarna situações levantadas por pesquisa realizada com políticos e operadores de esquemas de corrupção para eleição de candidatos. (leia “Pagou, levou”, primeiro capítulo do livro “O nobre deputado” no site http://www.onobredeputado.com.br/ )

De acordo com Reis, a criação do instituto das emendas parlamentares resultou na estruturação de um esquema de desvio de verbas públicas para a compra de apoio político nas eleições. Os operadores desses esquemas de corrupção atuariam como “cabos eleitorais de luxo” em suas bases locais em troca da contrapartida financeira.

O instituto da emenda parlamentar, associado à agiotagem para o financiamento de campanha e outros mecanismos destacados por Reis, seriam responsáveis por desvirtuar o processo eleitoral, afetando a prática de muitos políticos no Brasil.

Reis integra o movimento Reforma Política Democrática, composto por 112 entidades. O grupo, que buscou formatar uma proposta de reforma política, reúne, neste momento, assinaturas para o projeto de iniciativa popular para a reforma política.

Conheça o Movimento Reforma Política Democrática: http://www.reformapoliticademocratica.org.br/

Veja também: Reforma Política: porque todo o poder emana do povo

Petição para impeachment de Beto Richa
O pedido de impeachment do governador Carlos Alberto Richa (PSDB) foi protocolado nesta segunda-feira, dia 25, na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná. Foram recolhidas 6 mil assinaturas coletadas pela internet. E, quem ainda não aderiu ao movimento, pode fazê-lo através do site Petição Pública, pelo endereço http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR82070

O pedido se baseia no episódio de 29 de abril, quando cerca de 1.500 policiais que faziam o cerco da Alep, durante o processo de votação do PL 252 / 2015, atacaram manifestantes que se encontravam concentrados em frente às sedes do Poder Executivo e do Poder Legislativo em Curitiba. Na ocasião, mais de 200 pessoas ficaram feridas.

O documento foi protocolado pelo professor universitário e advogado Tarso Cabral Violin, também conhecido por sua atuação no Blog do Tarso.

Clique para ler o texto da Petição que requer a abertura do processo de IMPEACHMENT DO GOVERNADOR DO PARANÁ

 

 

 

Categoria: Combate à Corrupção Eleitoral
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