Felipe Passos: Um missionário fruto da Igreja Católica que deseja contribuir para a vida da comunidade

No dia 19 de dezembro de 2016, houve a cerimônia de posse no Cine Teatro Ópera. O dia de assumir a cadeira no legislativo foi dia 1º de janeiro de 2017.

Jovem e atuante na igreja. Felipe Passos ficou conhecido não só na cidade, mas no mundo inteiro depois de se recuperar de um tiro, ficar paraplégico e estar, em julho de 2013, testemunhando sua graça de vida, a milhões de jovens na Jornada Mundial da Juventude no Rio.

 

Desde cedo, Felipe era levado à igreja pelos seus pais para acompanhar a missa na Paróquia Nossa Senhora do Monte Claro, próximo a sua casa no bairro de Santa Maria. Com o tempo, foi estreitando sua relação com o Ministério de Música, pois tinha vontade de participar das celebrações tocando. Aos 13 anos, atingiu seu objetivo, tocando violão e cantando durante as cerimônias religiosas.

“Estou lá até hoje. Estão eu, a Fernanda, minha irmã, o Pablo, meu amigo. Ele entrou uma semana depois de mim. Também participam o primo dele que entrou através dele e tantos outros. Eu, às vezes, tenho mais dificuldade de ir por causa do trabalho comunitário. Mas quando eu posso eu sempre estou presente no ministério”.

Felipe parou com o violão depois da lesão, pois perdeu parte da força nos dedos. Ele deseja, no entanto, voltar a praticar o instrumento até para fazer uma fisioterapia nos dedos. “Antes fiz violão, teclado, bateria e violino. Eu fiz um ano e meio de conservatório. Tenho uma base, sabe. E agora eu sigo cantando”.

Felipe conta que teve uma experiência muito forte em um retiro que participou na cidade de Reserva. Uma banda católica lhe chamou a atenção. “Eu gostava muito de rock e nunca tinha visto rock na igreja. Aquilo me deixou muito atraído. Eu descobri que o vocalista e o baterista da banda tocavam e cantavam nas missas do padre Marcelo Rossi. Foi uma coisa muito forte entender o tamanho da igreja, a sua dimensão, e ver quantos jovens podiam, ali, fazer a diferença. E eu não sabia dessa diversidade dentro da igreja”, avalia.

Logo após a formação do grupo Coração Adorador, Felipe passou a participar do Ministério Jovem da cidade de Ponta Grossa.

A partir daí, Felipe foi convidado a ir a outros retiros, congressos do Ministério Jovem. Até então, ele não conhecia a renovação carismática. Foram anos de contato com a igreja e Felipe foi lutando para conseguir a liderança juvenil. Isso se deu através da organização de retiros, o que promoveu sua visibilidade diante dos outros jovens.

“Então, isso também possibilitou essa frente minha, mesmo agora na política. Eu já era bem conhecido, mas nunca pensei em me envolver na política, até porque eu não gostava. Mas sempre defendi as causas que todo político deve defender, que é lutar pela população, na busca de tornar o mundo melhor”.

Depois de conhecer o Ministério Jovem, através do qual ele fazia grupos de oração, Felipe sentiu a necessidade de promover esse tipo de atividade, em Ponta Grossa, tendo como público-alvo os jovens, o que ainda não tinha. Assim surgiu o grupo Coração Adorador, na Paróquia do Monte Claro, que reuniu jovens que queriam atingir outros, mostrando o que era a igreja jovem. Para isso, Felipe fez formações para poder ensinar aos outros sobre esse caminho. Participando de tudo que tinha na igreja, Felipe vivia levando novas ideias para o grupo.

"Na época, o coração adorador, se reunia, toda semana, durante duas horas, aos sábados ou aos domingos. Chegaram a participar desse grupo de 80 a 90 jovens, o que era muito forte", conta Felipe. Durante esse período, Felipe conheceu a Comunidade Católica Shalom, cujos membros estiveram em Ponta Grossa. Porém, ele foi a cerca de quatro encontros e interrompeu a participação.

Depois da Jornada Mundial da Juventude, que teve grande significado para Felipe pela oportunidade de dar seu testemunho na jornada, ele participou de um aprofundamento em teologia do corpo, sexualidade e afetividade, um tema que o interessa muito, em Ponta Grossa. Novamente, ele teve contato com a Shalom.

Na Jornada Mundial da Juventude no Rio em 2013, Felipe deu seu testemunho e esteve com o Papa Francisco.

"Não foi a pregação, as músicas, mas o carisma, o olhar que o pregador estava passando que me cativou", ressalta Felipe. Na ocasião, ele esteve pela primeira vez em um acompanhamento e pôde ter uma conversa aberta com um missionário e com livros de oração cuja leitura permitiram um autoconhecimento diário.

"Mesmo eu, que já tinha uma bagagem, me deparei com o cuidado mesmo e isso foi me cativando. No ano seguinte, já começava o estado vocacional e estou no caminho do meu chamado. E agora é seguir a missão que Deus me colocou, há um ano, em oração, a política, que eu nunca havia imaginado".

O assalto

O grupo Coração adorador estava arrecadando dinheiro para a participação na Jornada Mundial da Juventude, que aconteceria em julho de 2013. Na ocasião, Felipe era um dos responsáveis e estava guardando o dinheiro. No início do mesmo ano, ele sofreu o assalto em sua casa e levou um tiro. Felipe sobreviveu, mas ficou paraplégico.

A verdade foi que Felipe nunca desistiu dos seus sonhos e, viu na sua limitação, a força de lutar ainda mais. "Depois do que passei eu resolvi a louvar a Deus por tudo, mas, mesmo antes da lesão, eu tinha esse sentimento de que todos podem passar por tudo e superar. Assim, eu sempre fiz muita coisa, atividades físicas, sempre fui muito ativo. Fazia natação, circo, corria e depois da lesão ainda posso fazer. Agradeço muito a Deus. Eu vejo que ele quer fazer alguma coisa na minha vida".

Mesmo com a lesão, Felipe intensifica sua participação na comunidade católica. Passou a utilizar seu testemunho como forma de evangelização.

No dia do assalto, a mãe de Felipe ligou para o melhor amigo dele, Pablo, que é bombeiro. Ele tentou tudo o que podia, mas não tinha resposta. A ambulância foi chamada e a doutora que ali estava, sabendo que parecia não haver mais vida ali, resolveu tentar mais. "Foi assim, de milagre em milagre, para poder recuperar", revela Felipe.

A política

Felipe, depois do episódio que o levou a se tornar um cadeirante, foi prosseguiu levando ainda mais a fundo a missão na igreja. Entregando sua vida em oração, entendeu que Deus o chamava para algo ainda maior. O desafiava a ser um líder entre os jovens, não mais só na igreja, mas também na política. Ao invés de criticar a atual situação política brasileira, percebeu que era preciso entrar nela e fazer a diferença.

"Quando a gente se encontra é mais fácil para Deus se utilizar de nós como forma de evangelizar. No âmbito político, o vereador pode evangelizar indiretamente. Nas minhas atitudes, vocações, nos meus gestos e atos é que Deus estará na minha vida". Felipe foi eleito vereador em outubro de 2016, pelo PSDB na coligação Socialismo popular Progressista, sendo o segundo candidato mais votado.

Família

Felipe sempre teve o apoio familiar. Mas sempre foi questionado por suas atitudes, de dedicar tanto do seu tempo para a igreja. "Aos poucos, eles foram entendendo esse chamado e que cada um tem o seu, para uns ele é mais forte, outros mais fraco em relação ao tempo que a ser dedicado a Deus. Mas também não quer dizer que seja mais ou menos na fé, é só a oferta de vida", completa.

Em relação à religiosidade e à política, Felipe diz que o acontece com sua família é o receio, justamente pela dificuldade de entenderem a mensagem de Deus para sua vida. Mas Felipe acredita que, com o tempo, os parentes irão entender o que é bom para sua vida.

Fernanda Passos, sua irmã, conta que a relação entre eles sempre foi muito boa e unida. Fizeram parte do Ministério da igreja juntos, onde ela cantava e ele tocava violão. Assim caminhavam na igreja, participando ativamente nos grupos, indo em retiros e ajudando também na pastoral da criança. "A nossa mãe tinha um salão no bairro. Então, nós conhecíamos muitas pessoas, nossa vida sempre foi muito ligada à comunidade", conta Fernanda.

Mesmo não morando mais juntos, ela diz que a preocupação de um com o outro continua. "O Felipe, quando terminou a catequese, tinha quatorze anos e parou de ir às missas. Acho que a maioria das pessoas faz isso, faz crisma e depois não vão mais às missas. Teve um momento em que ele parou, ele jogava vôlei e se preocupava com outras coisas. Então, chegou um momento em que a minha mãe falou que se ele quisesse ser alguém na vida, ele até poderia ser, mas que se deixasse Deus de lado, uma hora isso ia acabar. Aí ele resolveu voltar para a igreja e, então, não parou mais".

Fernada e Felipe sempre foram muito unidos. A segunda foto, remete a formatura de Felipe na UTFPR em 2015.

Fernanda ressalta essa liderança que ele sempre foi na igreja, desde quando ele iniciou o grupo Coração Adorador. "Através do grupo, teve dois meninos que foram para o seminário, casais se formaram no grupo e hoje são casados. Então, foi muito importante na vida de muitas pessoas a criação desse grupo.”

Ela diz que sempre andavam juntos e até tinham pessoas que achavam que eram namorados. "Ele até achava bom, porque ele sempre foi bonito e tinha muitas meninas que ficavam em cima dele", conta Fernanda, aos risos. "Ele sempre foi referência para mim, sempre muito correto. Eu e o Julio, nosso irmão, aprontamos muito na nossa infância, e o Felipe sempre me xingava. Então, eu tinha ele como referência de pessoa e a religião ensina as pessoas a serem boas".

Depois do acidente Fernanda se surpreendeu com a forma que o Felipe encarou as consequências. "Depois de tudo, eu nem imaginava que a gente ainda iria para a Jornada [Mundial da Juventude]. Assim que ele saiu do coma induzido, as primeiras coisas que ele falava era para efetuar o pagamento, que a gente tinha até tal dia para pagar a ida à jornada", completa. Fernanda diz que como o dinheiro não foi roubado, Felipe só pensava nos jovens que queriam ir para a Jornada.

Fernanda conta que a religião foi crucial nesse processo de recuperação. As igrejas de várias paróquias faziam cercos de Jericó, missas, cura e libertação pela vida do Felipe. "Teve muita ajuda financeira. A gente não tinha dinheiro, mesmo porque, antes de acontecer isso, a minha mãe, meio que bancava a gente com a renda do salão de beleza dela".

Segundo Fernanda, sua mãe teve que parar a vida para cuidar do Felipe. Com isso, teve muita ajuda, as pessoas faziam compras de mercado. Então, foi um período de muita doação, muitas pessoas davam presentes, e se solidarizaram.

Fernanda acredita que a entrada do irmão no Shalom depois da Jornada, em 2013, teve resultado positivo para ele porque foi um lugar onde ele se encontrou, ele se envolveu com a renovação carismática. "O Shalom, por essa parte de renovação, foi bem forte. Só que é uma comunidade, é diferente. Tem os afazeres, a ajuda à comunidade. Então, pra ele, foi importante pelo crescimento espiritual também.”

Sobre a entrada de Felipe na política, Fernanda relata que, no início, a família foi contra, tendo em vista a situação atual na qual estavam vivendo. "Eu estava desanimada, porque ele é muito ingênuo. Nós fomos criados muito na inocência, não víamos maldade nas pessoas. E depois do que aconteceu com ele, muitas pessoas o conheciam. Então, eu fiquei com medo das pessoas se aproveitarem disso, não da índole dele, da ingenuidade".

"Ele começou a falar que queria entrar para a política uns dois anos atrás, mas só foi cair a minha ficha no ano da eleição mesmo. Com o tempo, eu comecei a entender que ali seria um local que Deus queria que ele estivesse. E, hoje em dia, eu apoio. Sei que ele possui uma equipe boa, pessoas de bem que estão com ele".

"Eu acredito que ele vai desempenhar um papel muito bom pelo que ele é e não pelo que ele frequenta, porque antes de estar em qualquer lugar ele já era bom. Conhecendo ele, eu sei que ele vai fazer o bem por ser uma pessoa boa. Ele é um orgulho".

Missão na vida e na política

Outra missão evangelizadora da igreja que Felipe participou foi Jesus no Litoral, que são dez dias de missão na praia. Participavam ministérios de todas as dioceses do Paraná. Felipe conta que, ao todo, a ação chegou a contar com a participação de cerca de 300 jovens. Era organizada uma estrutura, em escolas de Caiobá, para sediar as missas, nos períodos da manhã, da tarde e da noite. A convivência acontecia com a troca de experiência entre as dioceses e com a missão, contando com atividades como teatro na rua, canto e flash mob.

Jesus no Litoral foi uma outra forma de evangelização de que Felipe participou. Ele conta que se tiver a oportunidade de ir novamente, irá.

"Foram cinco anos que eu participei. Quatro anos foram quando eu ainda andava. Após a lesão, em 2013, eu já participava do Shalom, mas eu resolvi ir porque eu queria mostrar para os jovens, que mesmo acontecendo aquilo comigo, eu estava disposto a levar evangelização a outros jovens. Eu não consegui ficar os dez dias, porque tive um problema digestivo. Mas, apesar das dificuldades, até mesmo pela areia, deu certo e eu consegui me desafiar".

Felipe deseja focar na caminhada com o Shalom, através da ação carismática, e na política, praticando a defesa das pessoas e trabalhar pelo bem comum. Ele cita o filme "O homem que não vendeu sua alma", que conta a história de Thomas More. "Ele foi um político que defendia os valores como a gente realmente tem que defender e não se deixava corromper pelo poder e pelos próprios interesses".

Felipe se tornou um exemplo de superação. Dentro de seu limite, procura se esforçar em todos os quesitos de sua vida e segue com a fé sendo seu maior foco.

*Todas as imagens foram disponibilizadas por Felipe Passos.

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