Dos benzimentos ao cultivo da terra, pouco a pouco as tradições dos antepassados foram ficando para trás. Atualmente são poucas as marcas culturais que permanecem na comunidade. Segundo relato dos moradores, anteriormente a agricultura de subsistência era presente na Colônia. Aos poucos, com a perda da área para fazendeiros da região, os quilombolas abandonaram este hábito e passaram a trabalhar para os vizinhos russos.

 

“Do pouco que minha mãe contava, eu sei que os mais antigos plantavam feijão, arroz e milho. Mas hoje isso já foi tirado de nós, não temos mais aquele espaço. Não sobrou nem o monjolo para fazer a farinha”, lamenta Nevair Gonçalves. Quando foi doada em 1816, a área da Colônia era de 10 mil hectares. Hoje as 30 famílias vivem em terrenos pequenos. Um espaço restrito para quem já foi dono de tanto.

Com um olhar desconfiado e aperto de mão forte, o homem de voz frágil carrega no rosto as marcas da idade e do trabalho pesado. Com 85 anos, Benedito Gonçalves é o morador mais velho. Nascido e criado na Colônia Sutil trabalhou na lavoura durante 70 anos. Hoje vê os netos saindo todos os dias para trabalhar em fazendas vizinhas. “Tenho neto que trabalha no clube de golfe, na casa e na plantação dos russos, mas ninguém que consiga sobreviver da nossa terra”, conta.

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21/06/2013 - Atendimento de saúde vai semanalmente à Colônia Sutil