Comunidade quilombola no Paraná, localizada na PR-151 (direção de Palmeiras-PR), acomoda população ainda distante de serviços básicos

 

O barulho que se escuta são as batidas de um martelo. É a nova casa da Dona Catarina de Moraes que deve ficar pronta em breve. Até lá, Dona Cátia, como é conhecida, espera o tempo passar na varanda. De braços cruzados, avental na cintura e olhar distante, a moradora, de 76 anos, faz parte das 30 famílias que residem na Colônia Sutil.

Há um ano, Dona Cátia assistia novela quando a casa onde morava pegou fogo. Chovia naquela noite e, como a energia elétrica costuma faltar em dias de temporais, a senhora esqueceu uma vela acesa. O objeto caiu. Foi o suficiente para que a casa e todos os móveis acabassem. “Fiquei só com a roupa do corpo”, conta.

Hoje Dona Cátia mora na residência de um dos filhos enquanto a nova casa de madeira é construída. A de material, por enquanto, ficou só na promessa de campanhas eleitorais. Por causa de um problema na perna, a moradora da comunidade quilombola não pode andar muito. “Eu sento aqui e fico olhando o movimento”, brinca.

Lá, o movimento que se vê é o das crianças que correm soltas pelo terreiro, das galinhas que ciscam no quintal e das moscas que atazanam as orelhas dos cachorros. A neta da dona Cátia, Marcela, é uma dessas crianças. Todos os dias, a menina de 9 anos e a irmã viajam 19 quilômetros com o ônibus escolar municipal para chegar até a escola, no Bairro Cará-Cará.

Falta de atendimento médico

Não há posto de saúde na comunidade. Às quartas-feiras, um médico fica encarregado de chegar até a Colônia para atender à população. Na última, o médico não apareceu. “Ele vem de vez em quando”, comenta o quilombola Vilson da Cruz, pai de Marcela.

Seu Vilson nasceu, cresceu na comunidade quilombola e sempre trabalhou na lavoura. Orgulhoso, ele fala “somos a raça negra mesmo” e, como vê no bate-papo uma chance para saber das coisas, logo pergunta “Com quantos anos a gente pode se aposentar?”.

Enquanto as informações não chegam, os moradores esperam que melhorias sejam feitas na Colônia. “Falta um posto de saúde”, afirma seu Vilson. Segundo o morador, o atual prefeito municipal de Ponta Grossa, Marcelo Rangel (PPS) só apareceu uma vez na comunidade.
Os quilombolas se viram como podem e se acostumam com a tranquilidade do local. Existem dois bares que servem como “socorro” quando a fome aperta. A quilombola dona Cátia explica que as mulheres que trabalham na cidade costumam trazer pão para as casas. Como nem todas as mulheres estão fora, a solução encontrada é fazer pão em casa.

Arquivo Comunitário:

Falta de posto de saúde prejudica atendimento na Comunidade quilombola Sutil