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Desde o início do ano, a banca que funcionava no Santa Paula fechou as portas. De lá para cá, se os moradores desejam comprar jornais e revistas precisam se locomover até outro bairro. Geralmente concentradas em locais de grande movimentação, como praças e parques, as bancas eram os principais pontos de acesso de moradores aos meios informativos impressos.

A "banca do Yujo", como assim era chamada, atendeu aos moradores do Santa Paula por quase 15 anos. Ali, além de vender revistas e jornais, o local também servia de ponto de encontro entre amigos, aposentados, adolescentes e jovens que eram atraídos pelo grande volume de produtos ofertado num só lugar.

Normalmente, quem precisa comprar chips de celular, doce de bar, cigarros, álbum de figurinhas, sorvete, bebidas como água e refrigerante, consegue encontrar esses itens numa banca. Assim funcionava o estabelecimento comercial no Santa Paula.

"Gosto de colecionar álbuns de figurinhas, principalmente álbum da Copa do Mundo. Sem a banca banca do Yujo, tive que comprar na banca da Nova Rússia", relata o estudante Mateus Yuji, de 13 anos.

Outro fator relevante é o direito de acesso à informação. A falta ou inexistência de uma banca de revistas e jornais revela a falta de interesse na população regional de se fazer cumprir essa lei.
Desde o início deste ano, as coisas mudaram no bairro Santa Paula. A banca, que era administrada pela família do estudante Bruno Fogaça, teve que ser fechada por conta de assalto, conforme relatou.

“Fechamos depois que arrombaram a banca em janeiro. Provavelmente, não iremos mais nos envolver com isso”, avalia Bruno.

O estabelecimento era o único do gênero que funcionava no bairro.  “Existe criança que não sabe e nunca teve contato com um gibi. Imagina, agora, na falta de uma banca aqui no bairro!", lamenta o professor de história e morador do local, Cláudio Roberto Faria.

No final dos anos 1990, as bancas de jornais se tornaram pontos de encontros para jovens. Hoje, para sobreviver, a estratégia é se reinventar para vencer a concorrência, representada tanto pelo conteúdo informacional disponível na Internet quanto pelos grandes estabelecimentos, como os supermercados. Apostar em novos produtos, por exemplo, seria uma das saídas.

Em Ponta Grossa, a lei Ordinária 7983, de 2004, dispõe sobre o funcionamento de bancas de jornais e revistas no município. Segundo a legislação, em bancas podem ser comercializados doces embalados, balas, salgadinhos industrializados, biscoitos e bolachas, além de bilhetes de loterias e ingressos para espetáculos esportivos ou culturais, o que representa uma saída no mercado competitivo.

Categoria: Contorno
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