Família do Santa Paula dá exemplo de cidadania ao adotar uma praça. O trabalho voluntário implica a limpeza, manutenção do local e até remoção de fezes de animais. A iniciativa tem total apoio dos vizinhos, que, de uma maneira ou outra, colaboram para deixar o lugar ainda mais bonito e seguro de se viver.

É chegada a primavera e, junto com a estação das flores, intensificam-se os trabalhos voltados à conservação de canteiros e jardins. Nessa época, é possível notar a grama e o mato crescendo com maior vigor. 

Que o diga o senhor Haroldo Eltermann, de 62 anos. Ele e sua família, há quatorze anos, ‘adotaram’ uma praça bem em frente à sua residência e, voluntariamente, deixam os afazeres para zelar e cuidar de um bem público.

O trabalho envolve poda de árvores, corte de grama, descarte de folhagens secas, limpeza de lixos e até remoção de fezes de cachorro. A manutenção do local é totalmente custeada pela família e tem a aprovação dos vizinhos, que colaboram numa atividade ou outra. 

"Não me custa ajudar, a praça limpa deixa o lugar mais bonito para se viver", relata a moradora e empresária Viviane Smaniotto, 33.

Segundo a família Eltermann, durante muito tempo o espaço serviu de reduto de marginais que durante a noite se encontravam em grupos para práticas ilícitas, como o uso de drogas, bebedeiras, brigas. 

"O mato alto atraía vândalos, por várias vezes presenciamos a ação dos marginais, que freqüentavam a praça pra maquinar o mal", explica Charles Eltermann, 41, membro da família.

A praça, que fica na Rua Nicolau Kluppel Neto na altura do número 657, foi carinhosamente batizada como "praça do Alemão". Este é o apelido do Sr. Haroldo que, semanalmente, não mede esforços para cuidar da praça como se fosse o jardim da própria casa. 

"Faço isso sem querer reconhecimento de ninguém. Depois de cada trabalho concluído, posso admirar da varanda de minha casa a beleza de um espaço que antes era abandonado e hoje está totalmente revitalizado" conclui o aposentado. 

O decreto número 8543, assinado pelo prefeito Marcelo Rangel no início do ano, permite que empresas ou entidades da sociedade civil organizada prestem serviços gratuitamente de implantação, conservação e manutenção de jardins em canteiros, praças, parques e floreiras da cidade.

Para isso, porém, é preciso que a Prefeitura conceda uma permissão outorgada. Essa permissão, conforme informou o assessor de gabinete, Hélio Barbosa, é necessária para que o detentor possa instalar placas indicativas da adoção - com tamanho não superior a 0,25 x 0,60m - nos espaços autorizados.

Ainda de acordo com ele, isso não gera burocracia, pois impede que haja divergência entre as entidades, sejam física ou jurídica, sobre o pedaço da praça adotado.

Quem cuidar do terreno conforme os critérios da Secretaria do Meio Ambiente, poderá receber um diploma de reconhecimento pela atividade de relevante interesse público. Caso descumpra, as placas de “posse” serão retiradas.