Moradores do Conjunto Habitacional Gralha Azul reclamam de poucos horários de ônibus. O itinerário é de hora em hora, com destino ao Terminal Nova Rússia.

Loteamentos habitacionais em Ponta Grossa são inaugurados sem estrutura básica no entorno. O Conjunto Residencial Gralha Azul, próximo ao Centro de Eventos, é um exemplo disso. Inaugurado em 2011, o primeiro loteamento da cidade recebeu escola e posto de saúde somente em 2015. Problemas com o sistema de transportes segue como a principal reclamação dos moradores.

 

A princípio, o loteamento não possuía estruturas de atendimento à população, o que obrigava os moradores a utilizarem os serviços no Núcleo Santa Paula.

O ônibus, que passa pelo loteamento, só trafega nas ruas asfaltadas do Núcleo. Com isso, os moradores precisam ir até os pontos, que ficam apenas na rua principal.

Transporte público

As partidas dos ônibus acontecem de hora em hora, o que provoca a lotação dos coletivos em horário de pico. É o que explica Vilma do Nascimento, de 60 anos, moradora do Gralha Azul há cinco anos.

“Aqui é bom, mas o transporte ainda é complicado. Até tentamos pedir um ônibus que vá direto para o Terminal Central ao invés do Terminal da Nova Rússia, mas está difícil conseguir”, relata.

O comerciante Marcelo Fernandes, morador do bairro há quatro anos, explica que o aumento de loteamentos e casas fez com que o número de pessoas que precisam de transporte também aumentasse. Porém, os horários de circulação não seguiram a mesma lógica.

Com o posto de saúde na entrada do Conjunto, residentes chegam a caminhar 40 minutos para receber atendimento médico.

 

Distâncias

O posto de saúde e a escola ficam no início do Núcleo e, para que alguns moradores tenham  acesso aos serviços, é necessário caminhar durante 40 minutos. Segundo a moradora Cristiele Silva, até 2014, um transporte municipal levava crianças que moram em regiões mais afastadas do Núcleo até a escola. No entanto, neste ano, o transporte não é mais realizado.

Interesses cruzados

Esses relatos são apenas alguns que representam a realidade de moradores que vivem em loteamentos e núcleos populares de Ponta Grossa. O professor e especialista em Estudos de Habitação e Direito à Moradia, João Stefaniak, explica que o processo de criação de novas unidades, a partir da política habitacional do governo, segue um padrão homogêneo em todo o país.

Para o professor, os programas seguem a lógica perversa do capitalismo. Periferização e falta de serviços básicos, como escolas, postos de saúde e transporte, são comuns em núcleos de casas populares.

“Existe uma tendência de se aproveitar o momento de criação de novos loteamentos para deslocar e excluir a população de baixa renda, colocando-as em zonas periféricas da cidade, já que a grande maioria, que busca esses loteamentos, são populações pobres”, ressalta.

O Brasil ainda possui um grande deficit habitacional quando se vê o número de famílias na condição de sem-teto. Segundo o pesquisador, cinco milhões de famílias ainda estão em busca da casa-própria.

Desse total, 97% fazem parte do grupo de baixa renda. “Os moradores de classe média conseguem financiamento a partir dos bancos, por isso, o déficit se dá em grande maioria na popular pobre”, explica.

Arquivo:
07/07/16: Procura de pacientes causa superlotação na UPA

21/08/14: A 2ª sede da Polícia Militar será implantada no Santa Paula

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