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Os filiados ao Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Paraná (Sintcom-PR) elegeram pela terceira vez consecutiva a chapa 1 – Tempo de Avançar nas Conquistas, com 1922 votos em todo o estado. Dos 6.000 funcionários dos Correios, a porcentagem de filiados supera 50% da categoria no Estado.

 

Mesmo assim, existem 2.400 trabalhadores que ainda não se filiaram.Com mais de 75% dos votos, a Chapa 1 – Tempo de Avançar nas Conquistas, venceu pela terceira vez consecutiva as eleições do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Paraná (Sintcom-PR).

Foram 1922 votos, 75%, em todo o Estado, contra 243 da chapa 2, cerca de 9,5% dos votos, e 393 para a chapa 3, pouco mais que 15% dos votos válidos.

Segundo um dos diretores estaduais do sindicato, Alípio Machado, entre as propostas para a nova gestão estão: continuar garantindo os direitos já conquistados, exigir participação nos lucros da empresa e conseguir melhorias nos convênios de saúde. A chapa vencedora é a única que conta com membros da cidade de Ponta Grossa.

Na eleição, dos 6000 funcionários do correio, 3400 votaram, isso porque, para votar, é preciso ter no mínimo seis meses de filiação ao sindicato. Porém, os 2.400 que não foram às urnas ainda não são filiados.

A causa principal da não filiação é o pagamento de 2% do valor do salário mensalmente, segundo os funcionários entrevistados.

A atendente comercial da agência do Centro, Márcia Toscani, que não é filiada, explica que para ela as ações do sindicato muitas vezes ficam restritas ao repasse de informações, e não resolvem os problemas dos trabalhadores dos Correios.

Além disso, Márcia diz que o Sintcom busca que os filiados assumam a função de delegados que realizam trabalhos externos na chapa: "eu não quis assumir um compromisso além da minha função no correio", conta.

Segundo o cientista político Fábio Goiris, os sindicatos no país se mantém por meio de uma contribuição obrigatória, que é constituída pelo imposto sindical e contribuições assistenciais estipuladas por acordos coletivos.

“Muitos trabalhadores preferem não se sindicalizar. A empresa ou entidade pública é obrigada a descontar do salário do funcionário. Diante disto, os sindicatos deixaram seu papel de reivindicação de lado para se tornarem centros de serviços”,  indica Fábio.

O acesso às informações, citado por Márcia, é feito semanalmente através de boletins, e mesmo os não filiados podem participar das reuniões. Além disso, todas as conquistas do sindicato são coletivas, ou seja, atingem todos os membros do correio.

No entanto, a dedução de 2% do salário como mensalidade dos filiados é o motivo mais citado daqueles que não se filiaram. “Acho importante votar nas eleições do sindicato. Mas não me filiei, porque ia reduzir doze reais do meu salário, todo mês”, diz Vanessa Francine, atendente comercial.

Para Alípio, sempre houve uma tentativa de aumentar o número de filiados ao sindicato:  “São só 12 reais, e as pessoas  não  têm que participar como delegadas, a gente busca aptidão, vontade”, afirma.

A fala do diretor confirma os dados sobre o crescimento do número de sindicatos no Brasil. O Ministério do Trabalho recebe cerca de 1000 pedidos de registro de novos sindicatos por ano e concede autorização para 40% deles.

Como resultado, nem mesmo o IBGE conhece com exatidão o número de trabalhadores sindicalizados. O cientista político Fábio Goiris  conta que muitos analistas argumentam que os sindicatos viraram um grande negócio. Mas continuam necessários dentro do sistema capitalista: “Sozinho, o trabalhador perde força e representatividade, cedendo às pressões das empresas”, releva Fábio.

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