Trabalhar como carteiro ou atendente comercial nos Correios exige muita disposição física, e os esforços, com o tempo, provocam problemas para a saúde. Mesmo tendo um suporte da empresa, alguns funcionários reclamam do pouco incentivo  nas políticas de saúde e integração. Outros, precisando de tratamentos específicos, reclamam do transtorno causado pela falta de alguns médicos especialistas conveniados ao ambulatório da empresa em Ponta Grossa.

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Dirce Franco trabalha há 14 anos nos Correios. Já foi carteira por 6 anos e agora trabalha como atendente comercial. Ela precisa do atendimento de um médico endocrinologista e conta que o especialista da cidade  rompeu a parceria com a empresa. “Os médicos não fazem convênio por causa da burocracia da empresa”, diz.

Quando uma determinada especialidade médica não está conveniada ao ambulatório de Ponta Grossa, os funcionários precisam ir até Curitiba para consultar. Todas as despesas são pagas pela ECT, porém os pacientes reclamam por ter que viajar doentes.

Além disso, reclamam que levam mais tempo para a consulta, precisando faltar um dia de trabalho, o que gera sobrecarga  para os outros funcionários, uma vez que o trabalhador doente não é substituído.

“Se tivesse o especialista que eu preciso conveniado aqui seria mais fácil. Ir para Curitiba é cansativo, e a gente perde um dia de trabalho para uma consulta que aqui levaria duas ou três horas. A gente fica até constrangida com os colegas, às vezes, por ficar faltando vários dias de trabalho para ir ao médico”, conta Dirce (foto).

O carteiro do Centro de Distribuição Domiciliar Centro, José Eurides, conta que também já teve que viajar para fazer exames. “Já precisei fazer alguns exames que aqui não tinha, então fui para Curitiba. Isso atrapalha porque quando um carteiro viaja para lá, outro tem que fazer o serviço dele. Prejudica bastante nosso trabalho”, explica.

Já o carteiro do centro de Entrega de Encomendas, Marcelino Boch, conta outro problema causado pela burocracia no convênio: a dificuldade para marcar horário de consultas.

“Bons médicos estão se descredenciando dos Correios, porque existe uma dificuldade de receber o pagamento. Isso afeta no atendimento, porque quando eles sabem que você é dos Correios jogam você pra uns 20 ou 30 dias de espera numa fila para consultar”, reclama Marcelino.

Outra alternativa é consultar um especialista da cidade não conveniado e aguardar o ressarcimento da empresa, o que, segundo os funcionários, gera muito transtorno.
Em Assembleia, a sede local do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (SINTCOM), discutiu a ausência do convênio da empresa com médicos especialistas em algumas doenças.

O Diretor da Secretaria de Estudos Socioeconômicos do Sindicato, Celso Paiva, aponta a burocracia e o desinteresse dos médicos como problemas para os convênios.

“Do jeito que é agora, perde a empresa e perde o trabalhador. Mas é difícil, porque falta o interesse do profissional, que, muitas vezes, tem uma procura altíssima e não sobra tempo para atender pelo convênio. E também pela burocracia que o próprio Correio apresenta na hora de fazer um contrato. São vários documentos que a empresa pede, e o profissional não consegue tempo para correr atrás”, explica Celso.

Procurado pela reportagem do Portal Comunitário, o Diretor Regional dos Correios de Ponta Grossa, Osmar Eyng, disse por telefone que o ambulatório de Ponta Grossa abrange 99% das especialidades médicas conveniadas. Segundo Osmar, são raros os casos de problemas de saúde que não possuem tratamento médico na cidade. “Nosso leque de médicos especialistas é grande. É raro não ter um convênio aqui na cidade. Diferente das cidades pequenas da região, onde não há especialista para ser contratado”, explica.

Sobre a burocracia, Eyng disse que a empresa apenas segue a lei federal nº 866 que regulamenta contratos e licitações. “Para qualquer serviço, não só de médicos, mas para contratar um eletricista, por exemplo,  o cara precisa preencher uma série de requisitos. É assim em todos os órgãos públicos. Apenas seguimos as determinações da lei”, finaliza.

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