A Assembleia do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (Sintcom) de Ponta Grossa votou, na terça-feira (09/09), com unanimidade pelo estado de greve. Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios do Paraná deliberaram a possível paralisação para o dia 17 de setembro. 

A decisão faz parte da agenda do Sintcom Paraná que, na semana passada, teve assembleias de mobilização em todo o estado.  A posição é dos representantes das cinco unidades dos correios na cidade. O objetivo do sindicato é pressionar a direção da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), que está negociando desde o ano passado, porém sem nenhuma oferta que atenda às demandas dos trabalhadores.

Dentre as reivindicações está a contratação de mais funcionários e a melhoria na gestão do novo plano de saúde dos trabalhadores, o Postal Saúde. A insatisfação decorre da não cobertura dos procedimentos médicos, além da demora na liberação de cirurgias, falta de pagamento dos hospitais e descredenciamento de médicos e clínicas. Em Ponta Grossa, por exemplo, não existe atendimento pediátrico com cobertura pelo plano.

Rosa Souza, diretora do Sintcom da cidade avalia a situação. “Fomos orientados a procurar atendimento particular que a operadora reembolsa, mas isto implica em possuir o valor integral de uma consulta”, explica. Rosana Carvalho, dirigente da pasta das mulheres no sindicato em Curitiba, também teve problemas com o Postal Saúde. “Minha bebê recém-nascida precisa de acompanhamento mensal, mas tive que procurar outro médico porque o nosso ficou sem o pagamento do seguro por dois meses”, diz.

O Sintcom também luta pelo reajuste econômico no salário, com reposição da inflação em 6,4%, além de 8% de aumento real e 11,93% relativo às perdas salariais do plano real. A última proposta feita pela direção da ECT aos trabalhadores foi um reajuste de 6,5% nos benefícios. Luiz Henrique Ferreira, dirigente do Sintcom do Paraná, trabalha na empresa há mais de 13 anos e diz que está frustrado: “é uma empresa muito boa para se trabalhar, mas a gestão está sucateando os correios”.

Ponta Grossa aprovou o indicativo de greve, junto com as cidades de Cianorte, Guarapuava, Cascavel, Paranavaí, Curitiba, Maringá, Londrina, Foz do Iguaçu, Paranaguá, Umuarama e Campo Mourão. Segunda a direção da ECT do Paraná, a decisão sobre as negociações ficam a cargo da gestão nacional, mas garante a população a continuidade mais normal possível dos serviços prestados. Nessa segunda (15/09) saiu uma nova proposta da ECT para negociação. Mas, caso a empresa não atenda às reivindicações,  já está marcada assembleia geral no dia 17 de setembro para deflagrar uma greve dos funcionários.