João Gomes*, de 19 anos, consegue hoje viver uma rotina de vida normal, distante dos problemas que enfrentou, no passado, em função da dependência química. O jovem, que finalizou tratamento há dois anos, relata que viveu por nove meses em uma instituição de reabilitação.

“Entrei no mundo das drogas de brincadeira, para poder me enturmar com amigos. Mas acabei me viciando. Foi difícil aceitar que estava naquela situação e procurei ajuda com apoio da minha família”, relata.
Mãe de João, Irene Gomes*, afirma não ter sido fácil lidar com o caso do filho. “Percebi que o João não agia mais como antes e estava mais agressivo. Eu sabia que se não o ajudasse, o perderia. Então tive que unir forças para enfrentar o problema”, desabafa.

O ex-dependente químico afirma que os primeiros meses do tratamento são os mais difíceis. “Você se vê em um lugar diferente do que está acostumado, com horários para tudo. É preciso ter certeza do que quer e aceitar a ajuda”, relata.

Hoje, João Gomes estuda o segundo ano do ensino médio, que  havia abandonado devido à dependência. Mas obstáculos ainda estão presentes em seu dia a dia. Gomes vê muito preconceito no ambiente em que vive quando as pessoas ficam sabendo que ele já foi usuário de drogas.

“As pessoas não me dão confiança pelo simples fato de eu já ter sido usuário de drogas. Isso me deixa triste, pois lutei muito pra sair daquela situação”, aponta.

Para o psiquiatra Ronaldo Fraga, algumas acusações prejudicam e afetam diretamente ex-usuários que tentam se reinserir na sociedade.

“A maioria das pessoas usa o termo 'viciado’ com sentido pejorativo. O preconceito está inserido na sociedade e ela não percebe que, por trás do abuso das substâncias químicas, estão envolvidas outras questões de natureza familiar e psicológica", pontua.

* Os nomes foram alterados para preservar a identidade dos entrevistados.

 

Arquivo Comunitário: Editorial: Dependentes do comodismo