Recursos da web nas matérias trazem ainda mais clareza para o texto, deixa o leitor mais interessado no site e ajuda a contextualizar o assunto. Percebo que eles não estão sendo tão usados. Apenas algumas matérias trazem o link 'Arquivo Comunitário', mas também poderiam trazer links externos. Notícias de outros jornais, blogs, portais, entre outros.

Essa semana fiquei feliz ao ler os textos do Portal Comunitário. Percebi que entraram mais matérias durante a semana e de assuntos diversos. Havia comentado no meu texto anterior, sobre a falta de matérias sobre política. E essa semana entraram várias notícias relacionadas ao tema.

SEMANA 15/20 DE SETEMBRO

Acompanho o site Portal Comunitário há muitos anos e já fui aluna bolsista e repórter do site. Todos os anos retomávamos as discussões que sempre as mesmas pautas apareciam no site com as mesmas abordagens. Não acho que repetir as pautas seja um erro, afinal, principalmente sindicatos pautam por muitas vezes o mesmo assunto com as lutas trabalhistas. A questão é: saber abordar o tema de uma forma diferente do que já foi feita por tantos alunos.

O jornalismo produzido para internet possui diferenciais em relação aos suportes tradicionais como os veículos impressos, rádio e TV. Uma das peculiaridades da web é a hipertextualidade – modo de navegação através de links - que permite ao público fazer escolhas no momento da leitura ao clicar em um texto, uma imagem ou vídeo que o direcione para outra página.

O Portal Comunitário, enquanto um veículo de comunicação, tem a função de relatar os acontecimentos e problematizar os assuntos públicos da cidade. Para isso, deve fornecer informações básicas de serviço para que o leitor construa conhecimento a partir dos dados que lhe são fornecidos.

O Portal é um dos meios de comunicação que mais dá visibilidade às lutas trabalhistas em Ponta Grossa. Nos últimos dois meses foram dezenove notícias publicadas de diversos sindicatos de trabalhadores da cidade.

Os trabalhos da equipe do portal vêm em uma crescente preocupação propositiva e de investigação. Isso está refletido nas abordagens dessa última quinzena de junho, com destaque para as três reportagens especiais: sobre a falta de asfalto no Parque Tarobá, as lembranças do 30 de agosto de 1988 para os professores da rede estadual e a falta de reconhecimento enfrentado pelos travestis da cidade. Isso é muito bom. Tanto que se torna necessário ponderar novamente sobre o planejamento visual do projeto.

 
Para exemplificar as circunstâncias, será necessário contar o percurso (ou seria investigação) necessário para @ leitor(a) encontrar as reportagens depois de alguns dias em que elas estiveram no pequeno quadro de destaque das matérias. No dia 29 de junho, por exemplo, as matérias sobre as travestis e sobre os professores não estavam mais no quadro nem apareciam nas “notícias anteriores”. Na segunda, dia 02 de julho, mesma situação. A única maneira de localizar as reportagens foi por meio dos editoriais. @ leitor(a) precisaria clicar sobre a linha que faz as chamadas dos editoriais (todas elas desatualizadas). Posteriormente, clicar sobre o link “editoriais”. Isso levava ao quadro de editoriais, que por sua vez indicava dois textos (um do dia 24 de junho e outro do dia 20 de junho) sobre as temáticas referidas. Quando @ leitor(a) acessava o editorial específico, passava a ter acesso a todos os links das reportagens. Portanto, @ leitor(a) precisou acessar cinco links diferentes para chegar às reportagens. A situação aparece corrigida em um novo acesso, agora feito no dia 06 de julho, quando as referidas reportagens estão disponíveis no quadro “notícias anteriores”.

 
É importante o destaque para isso porque deixar as matérias de maior fôlego da equipe no mesmo espaço das matérias mais cotidianas parece equivocado. Primeiro porque as pautas das reportagens compostas de várias matérias e utilizando diferentes mídias são atemporais e conjunturais. Pertinentes e com um valor notícia relativamente mais longo do que muitas das matérias expostas no quadro. Segundo, porque boa parte da primeira página do portal está subutilizada. Seja com os vídeos do ano passado ou com o imenso espaço em branco logo após os links para o Youtube, Orkut e Twitter. Espero que a retirada de outros materiais antigos da página resulte na maior permanência e destaque do trabalho da equipe atual. Principalmente as matérias multimídia.

 
O teor das reportagens


As reportagens sobre e com as profissionais do sexo são difíceis de serem realizadas. Ainda mais quando na situação de travestis. No entanto, ouvi-las é sempre melhor do que falar sobre elas. Ainda que o esforço da dupla de repórteres seja louvável, o leitor fica sem saber se as travestis foram comunicadas das imagens feitas delas, se foram abordadas pela equipe e, principalmente, se tiveram a oportunidade de contar suas histórias. A matéria principal trouxe bem a visão do grupo Renascer, da pesquisa do Grupo Dignidade, a entrevista (em outra matéria) com uma assistente social, mas pouco das travestis. Apenas Denise Dornelles expôs a realidade que enfrenta e, ao que parece, ela foi entrevistada durante reunião do Grupo Renascer.

 
As circunstâncias de abordagem e as dificuldades da equipe precisariam ficar mais claras na reportagem. Um aspecto relevante apenas indicado na matéria é que, mais do que oportunidade de emprego, muitos jovens são expulsos de suas famílias, ficando em situação de vulnerabilidade social. Entrevistar famílias que apóiam seus filhos travestis e buscar investigar porque há rejeição torna-se o grande desafio. A equipe também não atentou para a necessidade de informar em que condições a prostituição é exercida por essas pessoas. Se, elas de fato são proprietárias do dinheiro conseguido pelo seu trabalho ou se são exploradas por boates e “cafetões”/ “cafetinas” da cidade. Ainda, achei o texto do editorial com alguns lugares comuns e equívocos igualmente comuns. Por exemplo, considerar que os movimentos sociais representam minorias quando as mulheres são mais da metade da população, ou os negros são cerca de um terço dos brasileiros.

 
Importante destacar a melhoria do trabalho fotográfico e o uso de vídeos. Na próxima oportunidade, os repórteres poderiam realizar passagens e gravar offs. Como na matéria sobre a falta de asfalto no Parque Tarobá, em que Adrian e Diandra foram para frente das câmeras reportar o problema. A matéria é muito pertinente e a realidade da população, retratada de modo eficaz. Inclusive a contradição jurídica do “é legal cobrar”. O contraponto dessa reportagem poderia vir de um levantamento das ruas asfaltadas pela empresa responsável na qual não houve pagamento, mas que serviram para especulação imobiliária. Há muitos casos de quadras asfaltadas em terrenos vazios de Ponta Grossa. Em seguida, saem casas com valores agregados do qual os moradores do parque Tarobá não podem têm direito.

 
Outra situação que a equipe não pode deixar passar: falta de asfalto não é o mesmo que ruas sem manilhas e com cloacas. Os serviços de construção de redes de esgoto e manilhamento das vias públicas também têm que ser feitos pela empresa e pagos pelos moradores? Há políticas federais e estaduais para isso e é necessário identificar como estão os projetos de Ponta Grossa para a busca desses recursos. E porque alguns bairros são historicamente preteridos em relação a outros.

 
Por fim, gostaria de elogiar a recuperação histórica feita por Eduardo Godoy e Afonso Werner. Ainda que boa parte do material já estivesse pronto, unir as entrevistas, documentos, matérias de jornais e links a documentários tornou a reportagem completa. Também foi importante citar o modo como as assessorias de comunicação (da APP e do Senador Álvaro Dias) conduziram a prestação de informações à equipe. Sempre é um aprendizado saber como se deve trabalhar em todos os ramos do jornalismo e a equipe tirou uma lição a mais nesse processo.

 
Avanços


Está muito interessante ler os relatos dos estudantes em seus blogs. Um projeto de extensão comunitário jornalístico ganha sua completude no processo de retorno que gera para os participantes do processo. Também, parece que a equipe “engrenou” na produção de reportagens. Foram muitas interessantes e diversificaram as leituras sobre entidades, bairros e, principalmente problemas da cidade.

Interessa ao leitor e à leitora quando a equipe se mobiliza para responder a uma demanda do defensor. Senti que a equipe comprou o desafio do último texto que fiz e apresentou o acompanhamento sistemático que vem realizando na região do bairro Colônia D. Luiza. A exposição dos links dos blogs das jornalistas revela a situação da região nos últimos cinco anos.

A cobertura de um problema estrutural de nossa cidade – o trânsito -, em um dos bairros mais populosos e tradicionais – Olarias -, mereceu uma oportuna cobertura da equipe do portal essa semana. Além de matéria principal, duas matérias secundárias, um editorial/ texto de opinião e os bastidores trazidos em um blog independente compuseram o esforço. Pude ter – e acredito que o leitor também – uma real dimensão do problema de trânsito de Ponta Grossa, com informações acerca do número de veículos da cidade - já mantendo a preocupante média de menos de dois habitantes para cada veículo - e da falta de planejamento crônico que a atinge.

Defender o (a) leitor (a) é das tarefas mais nobres no jornalismo contemporâneo. Seja pela capacidade de abrir um espaço autônomo aos leitores e leitoras frente à produção editorial do periódico, como pelo espaço pedagógico e de retificação da produção jornalística. Nada mais coerente, portanto, com o papel desse portal do que permitir a constante crítica do jornalismo feito com os movimentos sociais, para os movimentos sociais e para a sociedade em geral. Remete inclusive à proposta de exercício da cidadania, siamesa a meu ver do exercício do bom jornalismo.