Defender o (a) leitor (a) é das tarefas mais nobres no jornalismo contemporâneo. Seja pela capacidade de abrir um espaço autônomo aos leitores e leitoras frente à produção editorial do periódico, como pelo espaço pedagógico e de retificação da produção jornalística. Nada mais coerente, portanto, com o papel desse portal do que permitir a constante crítica do jornalismo feito com os movimentos sociais, para os movimentos sociais e para a sociedade em geral. Remete inclusive à proposta de exercício da cidadania, siamesa a meu ver do exercício do bom jornalismo.

 

O jornalismo gera a possibilidade das leitoras e leitores de obterem informações precisas acerca do seu entorno, constituindo, inclusive, esse entorno. Mais do que isso, precisa materializar a possibilidade de lançar à vista da comunidade situações estruturais, jogos políticos, lutas silenciosas, busca por transformação social e projetos de cidadania e de cidade. O portal comunitário traz em seu dna tal incumbência. Por isso e para isso será fiscalizado.

A iniciativa de professores e estudantes de dar vazão às informações sobre movimentos sociais e da comunidade é original no cenário ponta-grossense e uma tendência necessária no Brasil e no mundo. Outras iniciativas já estão consolidadas nesse sentido e algumas cidades começam agora a se mobilizar na integração e consequente fortalecimento dos movimentos sociais.

Percebo que o portal conseguiu nesses anos de existência instituir um espaço legitimo para que a sociedade civil possa reconhecer suas iniciativas e práticas. É local privilegiado de serviço público, expondo agendas, eventos, iniciativas e traduzindo políticas públicas e leis para as leitoras e leitores. Também serve para pautar outros jornais locais - que algumas vezes não dedicam espaços para determinados movimentos sociais e em outras colaboram para a construção de preconceitos.

Por isso, tão necessário quanto informar, os movimentos sociais e a comunidade precisam e querem trabalhar por uma agenda de melhoria na qualidade de vida de tod@s. Em tempos de propaganda constante de que a miséria, os problemas e as carências da população acabaram ou estão em vias de acabar, é tarefa de um portal comunitário dar lufadas de realidade nas fantasias que costumam rondar as produções jornalísticas e peças publicitárias.

Por isso, em ano eleitoral, o portal deve otimizar ainda mais seus espaços para pautar debates necessários para a cidade como melhoria no transporte público, no serviço de atendimento

básico e especializado à saúde, de valorização dos trabalhadores municipais, de defesa da fauna e da flora, de racionalização da produção e coleta de lixo, da valorização de práticas esportivas e de lazer, de maior justiça no campo, de regulação fundiária, de promoção e abertura de espaços de cultura, na valorização da prática desportiva, na revitalização do turismo responsável, no atendimento às carências sociais de toda ordem, na transparência dos gastos públicos e no fortalecimento dos espaços de participação para planejamento do futuro da cidade

Parece muita responsabilidade para lançar às costas de jovens que fazem dessa experiência uma das primeiras de sua carreira. Todavia, não é. O que se cobra de uma publicação dessa estirpe é tudo aquilo do que é feito o espírito da juventude: contestação, fiscalização, curiosidade e uma vontade contínua de melhorar, de transformar o que está errado. Se a juventude for alardeada como justificativa da preguiça isso significará uma inversão de valores, o que eu, definitivamente, não partilho.

Em outro aspecto, trata-se de uma publicação universitária. E aí outra leva de preconceitos e muletas poderiam servir para justificar inconsistências. No entanto, se o espaço da universidade - na qual @ estudante pode e deve exercer sua capacidade de pensamento e inventividade e lugar onde algumas das principais mentes do país e da cidade trabalham - não for capaz de atender à comunidade com qualidade, decreto: fechem as portas.

Não é o caso desse portal e é justamente na contramão dessas preconcepções que ele existe. Porém, levando essas considerações em mente, pretendo cobrar d@s jornalistas atitude e projeção de uma Ponta Grossa vista com outras lentes. Paixão pela investigação, pela colaboração, pelo exercício público de noticiar. Nesse momento da fase de formação d@s estudantes é necessário provocar os brios, dizer que o que fazem pode ser muito melhor. Deve ser o melhor trabalho que já fizeram na vida. É isso que se leva depois para a construção da nossa biografia, da nossa carreira. E é também aquilo que imprime de modo indelével a nossa marca na cidade onde vivemos.

Convido os leitores e leitoras a encaminhar para esse espaço suas reclamações, sugestões de pauta e de melhoria contínua deste portal. As atualizações acontecerão semanalmente e eu estarei atento a todas as demandas. Fica o convite para que a comunidade também participe dessa coluna. Para que a minha defesa seja a defesa da comunidade a colaboração de tod@s é fundante.