A cobertura de um problema estrutural de nossa cidade – o trânsito -, em um dos bairros mais populosos e tradicionais – Olarias -, mereceu uma oportuna cobertura da equipe do portal essa semana. Além de matéria principal, duas matérias secundárias, um editorial/ texto de opinião e os bastidores trazidos em um blog independente compuseram o esforço. Pude ter – e acredito que o leitor também – uma real dimensão do problema de trânsito de Ponta Grossa, com informações acerca do número de veículos da cidade - já mantendo a preocupante média de menos de dois habitantes para cada veículo - e da falta de planejamento crônico que a atinge.

 

Fiquei em dúvida, contudo, se o texto “Planejamento Urbano e Educação” é um editorial (como traz o título) ou um artigo de opinião (como traz o link no interior da matéria principal). Além disso, o texto está assinado pelas repórteres, o que não caracteriza um editorial (opinião do jornal) e nem um artigo opinativo (costumeiramente não realizado pela mesma equipe que fez as matérias informativas). Ainda, o texto não está na sessão editorial. Também faltaram créditos nas fotos da cobertura (pelo que consta nos bastidores, feitas pela dupla) e também as referências dos jornais em que as matérias reproduzidas foram publicadas.

Outro aspecto que vale destacar é que o título da matéria secundária “Especialista em urbanismo explica soluções possíveis para o trafego” não contempla o que está tratado, uma vez que metade da abordagem traz as declarações do presidente da AMTT e outra metade do, presumo, referido especialista. A reprodução do mapa da rua (também sem a indicação da fonte) não diz muito. É importante sempre pensar imagens para desenvolver a memória visual do texto. Como ocorreu na matéria principal, em que uma linha do tempo de simples execução conseguiu sintetizar muito bem a situação.

Julgo pelo investimento feito na cobertura (de espaço e material) que essa matéria deveria permanecer como destaque principal da página. O texto sobre a comemoração do Senalba pelo Dia do Trabalho, publicada com atraso de uma semana, possui um caráter mais de retorno do sindicato do que de apelo público. Importante a publicação, mas não com destaque superior às matérias principais.

Já a reportagem sobre a reunião acerca da Economia Solidária não recebeu um enfoque adequado (Pré-assentamento Emiliano Zapata participa de Encontro de Economia Solidária). Ainda que seja importante a presença do representante do MST no evento, notei que representantes de outras entidades participaram, o que não justifica o destaque exclusivo. Além disso, a reunião precisaria ter melhor contextualização quanto às atividades realizadas pelo IESOL. A foto sem legenda e sem crédito também precisaria de melhor tratamento.

A cobertura da audiência contra o toque de recolher – publicada no dia 10 – indica que Reinaldo de Almeida Cesar seria representante da SESP, quando na verdade é o secretário da pasta. Se o secretário estava na reunião de fato (e não um representante dele), deveria ser ouvido pela repórter.

Um aspecto problemático dos textos informativos presentes na página principal é a repetição da chamada no primeiro parágrafo. Acho tão estranho que a impressão que tenho é de que o

primeiro parágrafo é uma gravata/ chamada e não o abre do texto. Isso já foi tratado por mim anteriormente e permanece como problema em todas as matérias.

Sugestões

Aproveito para sinalizar para equipe pautas que merecem tratamento local, tais como a aprovação pelo STF da legalidade das cotas; a legalização do aborto em casos de embriões anencéfalos; a preparação para a Rio + 20; a aprovação da Lei de Acesso à Informação.

Para aprofundar ainda mais as matérias acerca da falta de saneamento básico de Ponta Grossa, cabe investigar quais projetos vem sendo feitos pelo município junto ao PAC Saneamento – programa do governo federal. Bem como a quantas anda o Plano Municipal de Saneamento Básico e o processo de participação da nossa comunidade nesse planejamento – como preconiza a Lei Nacional do Saneamento Básico, de 2007.