Interessa ao leitor e à leitora quando a equipe se mobiliza para responder a uma demanda do defensor. Senti que a equipe comprou o desafio do último texto que fiz e apresentou o acompanhamento sistemático que vem realizando na região do bairro Colônia D. Luiza. A exposição dos links dos blogs das jornalistas revela a situação da região nos últimos cinco anos.

 

 
No entanto, notei que a matéria principal (Col. D Luiza recebe quatro conjuntos habitacionais em menos de 10 anos) foi “re-esquentada”, visto que as informações são praticamente as mesmas publicadas em matéria similar no dia 31 de março. Inclusive o mapa da região é o mesmo, o que indica que o trabalho fotográfico poderia ser mais explorado. Isso não significa que as informações não merecessem a recuperação. O texto é que precisava ser outro, mais elaborado, evidenciando inclusive a capacidade do portal em acompanhar a situação.

 
Importante também destacar que a matéria principal nessa oportunidade era a dificuldade da comunidade em tomar o coletivo nos horários propostos pela empresa de transporte público da cidade. Por isso, o texto mais agudo sobre o fato poderia vir com maior destaque, utilizando os dados disponíveis para aprofundar a temática.

 
Outro problema da cobertura – esse mais evidente – é a falta de pertinência na apuração da versão do outro lado da situação. A secretaria de Planejamento não foi inquirida devidamente. Os dados já levantados sobre o bairro devem embasar o repórter para entrevistar. Apenas criticar a prefeitura pelo texto não tem tanta validade como trazer o agente público para prestar esclarecimentos devidos. É um direito do(a) leitor(a) saber o que o seu funcionário(a) (prefeito, secretário(a), vereador(a), etc) tem a dizer sobre a situação apresentada.

 
Outra informação que importa aos leitores é saber por que não aumentou o número de usuários do transporte coletivo mesmo com o aumento da população da cidade – conforme argumento do funcionário da Viação Campos Gerais. Um dado já indicado no editorial é o aumento de proprietários de automóveis. Suspeito que possa haver outros motivos. Por exemplo, a tarifa é cara para a renda da população; as empresas preferem buscar seus trabalhadores em casa a pagar o valor da tarifa; os horários não atendem a real demanda da população que precisa buscar outras vias de transporte; o transporte público não é encarado como estratégico pelo poder público, etc.

 
Também fiquei em dúvida acerca do cálculo de demanda de linhas a partir do número de usuários. Os usuários são duplamente culpados nesse tipo de cálculo: há poucas linhas porque poucos usam o ônibus (argumento que merecia mais apuração da equipe) e o ônibus lotado é para pagar o custo de linhas subutilizadas. E todos devem ficar contentes porque, caso contrário, a passagem sobe. Tudo culpa do(a) usuário(a). A equipe de reportagem não pode aceitar esse tipo de argumento sem, ao menos, questionar a finalidade última do transporte público.

Baraúna
A matéria sobre os pedidos “engavetados” dos moradores do bairro Baraúna apresenta alguns problemas que precisam de atenção dos repórteres e dos editores. A impressão que passa pelo título é que a prefeitura engavetou os pedidos, o que não é o caso. A situação a ser tratada é que os moradores não podem assumir a associação por causa de dívidas de gestões anteriores. Isso também não foi apurado pela equipe, uma vez que a antiga gestão não deu sua versão. Ainda, os repórteres incorreram em equívoco ao dar a entender que os problemas do bairro só podem ser resolvidos se houver uma associação de moradores formalizada. Os próprios moradores podem se organizar e protocolar na prefeitura as cobranças por melhorias – se é que ninguém já não fez isso. E a prefeitura, o que tem a dizer sobre as obras indicadas na matéria? Apuração...

Professores
Importante a matéria sobre o não cumprimento pelo governo do Estado do acordo de reajuste dos docentes das estaduais do Paraná. Faltou apenas uma ligação para a secretaria de governo pertinente (a Civil ou a de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior) ou ao deputado que faz a interlocução. Faltou, mais uma vez, ouvir o outro lado para fortalecer a matéria.

 
A equipe também precisa dar melhor tratamento à greve que vem acontecendo na UTFPR e demais federais, uma vez que toda a comunidade universitária daquela instituição já sente os impactos da situação. A sessão sindical da UTFPR merece um destaque maior para evidenciar as reivindicações. Inclusive, seria interessante saber como as entidades estudantis da instituição acompanham as discussões.

Uma história
Sempre a história de uma pessoa pode revelar muito do que é uma cidade. A tarefa do repórter é fazer dessa vida um momento ímpar do processo cotidiano de trabalho do portal. Até para que se justifique uma história em detrimento de tantas outras. A história de Maria de Lurdes foi uma boa aposta da equipe. Senti apenas que o repórter poderia ter aproveitado melhor as técnicas do gênero de texto perfil para valorizar ainda mais a trajetória de vida e o trabalho dessa moradora no contexto da cidade. Esse é aquele tipo de texto que o jornalista pode e deve por a serviço da comunidade toda sua capacidade de escrita. E isso não é dom. É estudo mesmo. E treino, muito treino.