Já perdi a conta de quantas vezes o Portal Comunitário publicou reportagens como a “Moradores do Esplanada enfrentam problemas no posto de saúde”, o que é muito bom, porque demonstra a consistência do Portal em apontar, objetivamente, onde estão os dramas mais recorrentes de Ponta Grossa. Esta série de matérias, em especial, trouxe um elemento que me agrada: a figura do conselheiro municipal – neste caso, de saúde – e a necessidade de participação social na vida pública.

 

Já escrevi uma vez sobre isso e esta me parece uma boa oportunidade para retomar o argumento. Sinto falta, no Portal, da presença dos vereadores e de outras instâncias legítimas de participação e representação da sociedade na construção política. As matérias sobre a Câmara de Vereadores estão lá, à parte, com uma boa cobertura, diga-se. Contudo, lendo uma matéria como essa, sobre o posto no Esplanada, volto a me perguntar: qual é o vereador que se elegeu com alguma proposta para essa região da cidade? Ou mesmo para a saúde de forma mais ampla?

Volta e meia, a gente se pergunta sobre o problema da representação no Brasil e, principalmente, sobre o velho hábito do “executivo-salvador”, o prefeito ou o presidente com plenos poderes, a quem o povo busca para sanar suas chagas. Criticamos esse mito. Gostaria de ver o Portal Comunitário ajudando a romper essa barreira, provocando os vereadores a dizer o que estão fazendo a respeito das questões levantadas nas reportagens. E buscando também os conselheiros municipais nos vários setores em que eles atuam, para que mostrem como essas instâncias, cuja legitimidade foi conquistada com tanto esforço, estão mais ou menos articuladas.

 

O que o Portal tem que os outros meios não têm?

As reportagens do Portal Comunitário, em uma média geral, têm qualidade de redação e conteúdo para estarem em qualquer grande meio de comunicação – o que observo como mérito de um laboratório de jornalismo, em que os repórteres estão em processo de aprendizagem. Qual é o diferencial? O Portal se esforça em buscar fontes e pautas que, normalmente, estão fora da agenda dos ditos “grandes meios”, em mostrar a cara da comunidade. Em minha opinião, há espaço para avançar nessa diferenciação.

O aspecto da articulação dos vários atores, como menciono antes, é uma das formas possíveis. Por outro lado, penso que seria interessante explorar outros recursos, como histórias de personagens, por exemplo. Cabe em uma matéria como a do posto de saúde no Jardim Esplanada, cabe nos textos sobre a mobilização pelas ciclovias, cabe para denunciar problemas e para valorizar soluções. Pode aumentar o interesse e a identificação junto ao público e, especialmente, aproveitar o espaço que o Portal dá aos repórteres para usar todos os recursos do jornalismo.

Ana Cristina Suzina