Estudando e praticando jornalismo comunitário, aprendi uma coisa que sempre procurei aplicar: o leitor quer ver e ser visto, ou seja, ter sua visão de mundo representada, corroborada pelo meio comunitário e tornar visível a ação feita em sua comunidade.

 

O Portal Comunitário desenvolve muito bem a segunda parte. A cada semana, uma coletânea representativa de notícias dos bairros, associações e grupos é oferecida à sociedade. Isso é importante para o exercício de denunciar os problemas e anunciar as soluções, dar visibilidade a outras vozes, elementos primordiais do jornalismo de comunidades.

Porém, sinto falta da primeira parte. Pergunto-me, a cada semana, o que está acontecendo na cidade que afeta o conjunto dessas comunidades: novas estatísticas de emprego, número de vagas nas escolas públicas, plano de manejo de áreas naturais, etc. Tudo isso tem efeitos sobre a vida dos bairros e grupos particulares, para alguns mais diretamente do que para outros. A reportagem “Tarifa de ônibus pode ter novo aumento em Ponta Grossa” fez isso e a vejo entre as mais lidas do Portal nas últimas semanas.

Também vejo problemas recorrentes que aparecem nas reportagens sobre diversos bairros. Minha crítica é que o Portal faz muito bem o trabalho de dar visibilidade aos problemas e aportes particulares das comunidades, mas ainda pode se aperfeiçoar naquilo que diz respeito a observar e relatar os problemas e soluções comuns, partilhados por vários bairros e grupos ao mesmo tempo.

Como leitora, eu me identifico muito com as matérias que falam do bairro onde moro e com aquelas que tratam dos meus assuntos favoritos, entre as que trazem notícias de associações, por exemplo. Mas há temas que, certamente, me unem a moradores de outros bairros, a interessados por outras atividades de classe ou setor e é deles que sinto falta na cobertura do Portal.

Ana Cristina Suzina