Tempos atrás, eu fiz um comentário em que ponderava a necessidade de mais opinião, mais profundidade crítica nos editoriais do Portal Comunitário. Falava da importância de sair do resumo da história, do sumário dos fatos para ajudar o leitor a ver a partir da perspectiva comunitária.

 

Nesta semana, encontro algo que classificaria como uma pérola, em que o editorial da série de reportagens sobre o Jardim Jacarandá tenta fazer qualquer coisa que eu não sei se deve ir para a estante de ensaios didáticos, de dúvidas existenciais ou de argumentações para convencer-se a si mesmo. Ideias que vão e que vêm, justificativas para argumentos inaceitáveis como o da fonte que sugere que, porque os moradores são “pauperríssimos” – o superlativo do superlativo! –, não estão interessados em estrutura adequada. Onde é que há otimismo nessa ponderação?

Ao final, o texto esclarece que o balanço responderia a critérios de objetividade, imparcialidade, neutralidade. Colegas, deixando de lado toda a discussão sobre a realidade e a aplicabilidade desses elementos, se eles existem de verdade, são pertinentes às reportagens. Ali, sim, é justo e bom que se mostrem os diversos ângulos, que se dê voz aos variados atores, etc. Editorial é opinião!

A frase mais coerente que encontrei nesse texto todo é a que diz que o Portal Comunitário defende a perspectiva da comunidade. A série de reportagens está muito bem feita e cumpre bem esse papel – não é necessário ter a recomendação do editor para perceber, na leitura das matérias, que a comunidade está em desvantagem nesse jogo. O editorial se perdeu nas conceituações e justifica o injustificável, do ponto de vista do próprio projeto jornalístico do Portal.

A hora e a vez dos moradores

A primeira coisa que me saltou aos olhos quanto abri a página do Portal Comunitário hoje, dia 10 de novembro, foi que três títulos de reportagens começavam com a palavra “moradores”. Ainda que a população esteja muito ativa, dá para ser mais criativo na edição, não é? Fica melhor.