Inaugurada em 2008, atualmente o sinal da Rádio Princesa atinge, principalmente, a região da Nova Rússia e chega a outros pontos da cidade, como o Centro e a região de Olarias. Assim como outras rádios do gênero, a sobrevivência depende da participação da comunidade e encontra dificuldades para manter transmissão de conteúdo com qualidade.

Desde seu planejamento, a Rádio Princesa FM, localizada na região da Nova Rússia, objetiva transmitir conteúdo definido pela comunidade e para ela. De acordo com o diretor da emissora, Luiz Dzulinski, existe um Conselho Comunitário, que avalia e aprova toda a programação da rádio. O órgão, que existe por determinação da Lei n° 9.612, é composto por representantes de oito entidades da região da Nova Rússia.

Segundo, a irmã Teresa Sosiatti, representante de APM do Colégio Sagrado Coração de Jesus no Conselho, os membros se reúnem, ordinariamente, uma vez por semana e, extraordinariamente, quando existe uma nova atividade a ser incorporada na rádio.

Os representantes de entidades são responsáveis pela diversidade de conteúdo, ou seja, fica a cargo dessas pessoas tomarem decisões sobre o conteúdo musical transmitido. “O princípio é não reproduzir uma rádio comercial”, afirma Dzulinski.

De acordo com o encarregado da programação e produção de áudio, Antônio Marcos Lemes de Freitas, hoje, os ouvintes podem participar por várias plataformas: telefone, email, site e até mesmo por aplicativos de comunicação. Freitas afirma que todos que procuram a rádio, encontram espaço para participar e divulgar o que precisam.
“Muitas pessoas poderiam utilizar o espaço da rádio, mas nem sempre as pessoas procuram. Ou não sabem que podem utilizar esse espaço para divulgar os seus eventos e suas dificuldades na comunidade”, explica o responsável pela programação.

Para Dzulinski, jornalista responsável pela emissora, a diferença entre a Rádio Princesa e as rádios comerciais está no tipo de jornalismo e nas campanhas de conscientização que são feitas. “Esse tipo de matéria que fazemos, nenhum outro meio de comunicação da cidade faz, porque damos todos os lados da questão. Nós queremos fazer o debate”, explica Dzulinski.

Com uma equipe pequena, de quatro pessoas, existe uma dificuldade em questão de tempo e disponibilidade para sair em busca de matérias. Por causa disso, grande parte das pautas chega à emissora pela colaboração da própria comunidade. Entre os conteúdos também estão os programas de variedades e lazer, espaço para agenda cultural e divulgações de eventos comunitários.

Na rádio todos são voluntários e, pela equipe ser pequena, são obrigados a realizarem múltiplas funções para que a transmissão vá ao ar. A primeira dificuldade apontada pelo diretor é a restrição da possibilidade de aumentar a equipe de produção, por não poder cobrar captação de verba com propagandas.

Para Dzulinski, o que deveria diferenciar as rádios comunitárias das comerciais não deveria ser a captação, mas a sua programação plural montada conforme o interesse comunitário com o objetivo de avançar no sentido social. Assim emissoras poderiam fazer comerciais da mesma forma que as outras e dessa forma, receber um incentivo financeiro para aumentar seu quadro de mão de obra.

Outra dificuldade apontada pelo jornalista é a questão legal. Para ele, a própria justiça penaliza e criminaliza as rádios comunitárias, e acredita que a Lei n°9.612, que dispõe sobre as rádios comunitárias, e toda a lei da comunicação deve ser revista, por ser antiga e não levar em consideração todos os avanços que aconteceram desde então.