Cerca de 700 inscritos participaram do evento e aprovaram carta de reivindicações

O 2º Encontro Nacional pela Democratização à Comunicação aconteceu no último final de semana, dias 11 e 12, em Belo Horizonte – MG. O evento foi marcado por painéis, debates e atividades autogestionadas relacionados à reivindicação de uma mídia democrática no Brasil, na qual as minorias e movimentos sociais possam estar representados e terem o direito de participar ativamente como produtores de conteúdo.

 

A cerimônia de abertura teve início às 10h30 do sábado, dia 11, com falas de diversos  representantes de entidades e movimentos sociais sobre a importância da luta pela regulação dos meios de comunicação. Ainda pela manhã, o painel sobre

“O cenário internacional e os desafios do Brasil para enfrentar a regulação democrática da mídia e garantir o direito à comunicação” teve a participação de convidados internacionais, como o consultor da Unesco e diretor executivo do Centro de Direitos e Democracia, Toby Mendel, e o professor e pesquisador da Universidade de Buenos Aires e Universidade Nacional de Quilmes, Martín Becerra.

Durante a tarde, o debate foi sobre “A luta por uma comunicação mais democrática na América Latina”. À noite houve uma discussão sobre a internet como direito fundamental. Além disso, foram realizadas atividades autogestionadas com vários temas, desde rodas de conversa sobre o fomento de mídias alternativas, até instruções técnicas de edição audiovisual em softwares livres.

Cerca de 680 inscritos representando movimentos e organizações, incluindo o Centro  Acadêmico João do Rio do curso de Jornalismo da UEPG, compareceram ao evento. Dentre eles, um dos idealizadores do coletivo Fora do Eixo e da Mídia NINJA, Pablo Capilé.

Para ele, a internet veio revolucionar o jornalismo independente, na medida em que possibilita entidades sem investimento a se comunicarem, não tendo a obrigação de passarem por um filtro que define o que pode ou não ser publicado.

Capilé comenta também o fato de que é fundamental que os movimentos invistam neste “mosaico de parcialidades” das iniciativas de mídia livre pois, “não ter espaço para a variedade de vozes no Brasil significa não ter espaço para a democracia”.

Na manhã do domingo, dia 12, ocorreram outras atividades autogestionadas. Uma delas, ministrada por Junior Paixão, integrante do coletivo Socializando Saberes, sobre a transmissão de conteúdos independentes audiovisuais online.

Segundo ele, a proposta de comunicação independente através da TV Web é a de “construção de pontes”, isto é, o objetivo não é atingir o maior número de pessoas, mas organizar lutas sociais que girem em torno da democratização da mídia.

“O processo de regulação dos meios de comunicação é longo, mas sempre buscamos trabalhar na perspectiva de acumular forças e construirmos trincheiras para não recuarmos no que já conquistamos”, afirma Paixão.

A partir das 14h, houve um painel sobre o Projeto de Lei da Mídia Democrática, onde os participantes do evento aprovaram a Carta de Belo Horizonte. O documento reafirma as reivindicações do movimento pela democratização da comunicação e exige que as minorias e movimentos sociais tenham participação e representatividade na mídia.

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