Os professores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e da rede estadual de ensino básico realizaram, na manhã desta quinta-feira, dia 21, debate sobre o tema ‘Mídia X Movimentos Sociais’, no espaço da Estação Arte, no Parque Ambiental. A proposta teve como objetivo provocar a reflexão sobre a atuação dos veículos de comunicação na cobertura da greve dos servidores públicos do Paraná.

 

O evento, realizado pela parceria entre os comandos de greve do Sinduepg e da APP-Sindicato de Ponta Grossa, teve como palestrantes as professoras do Curso de Jornalismo da UEPG, Angela de Aguiar Araújo, Hebe Gonçalves, Karina Janz Woitowicz, Maria Lúcia Becker e Paula Melani Rocha. A atividade reuniu também estudantes da UEPG e do ensino básico da rede estadual, e comunidade em geral.

A professora Karina, abordou o direito à comunicação, que, segundo ela, “significa ter direito a uma informação de qualidade, plural e, de fato, comprometida com o interesse público. Mas também envolve outro direito, o direito de produzir comunicação”.

Karina explicou que, para efetivação desse direito de não apenas receber conteúdos, mas também de produzir, há a luta pela democratização da comunicação “que vai se entrelaçar com outras dimensões da cidadania”. Segundo Karina, “falar de direito à comunicação significa falar também do direito à cidadania”.

Além da “centralização” dos meios de comunicação e da “estrutura vertical” em que a mídia está inserida, a professora falou sobre como os grupos sociais são retratados: “Existe também certa exclusão dos meios de comunicação em relação a determinados grupos sociais. É um pouco esse cenário, essa estrutura que impacta na própria imagem dos movimentos sociais e de determinados grupos de resistência na mídia”.

Em relação ao massacre do dia 29 de abril, no Centro Cívico em Curitiba pela tropa de choque do governo do Estado, Karina destacou:

“A gente tem um caso muito emblemático no movimento dos professores, em que a realidade falou mais alto. Os próprios meios de comunicação não puderam reproduzir simplesmente uma fala oficial, sem maiores questionamentos, diante do massacre que aconteceu no dia 29 de abril”. Ainda segundo Karina, “foi impossível manter o discurso oficial, porque o senso de realidade falou mais alto”.

A professora Paula explanou sobre a perseguição aos jornalistas, que, conforme destacou, tem aumentado mundialmente. “Essa perseguição aos jornalistas está afetando diretamente o direito à expressão, o direito à comunicação”.

Paula abordou também temas que envolvem a linha editorial, onde o “conteúdo opinativo é casado com a linha editorial do jornal”. Ela explicou que, quando esse conteúdo não está explícito para o leitor, ele não consegue distinguir “o que é de fato informação e o que é opinião”.

A professora Hebe expôs sobre a reprodução dos conteúdos da Agência Estadual de Notícias [órgão oficial do Governo do Estado] pelos veículos regionais, o que, segundo ela, “tem se tornado um poderoso instrumento de propaganda política”.

Para Hebe, “a comunicação pública não pode ser, essencialmente, propaganda do governo, feito para exaltar as ações do governo”. Segundo a professora, o dinheiro empregado pelas assessorias de comunicação dos governos é recurso público, e, portanto, “tem de ser devidamente empregado numa comunicação efetiva e não numa promoção do governo”.

Sobre a Agência Estadual de Notícias, Hebe explica que, ao se intitular ‘agência’, há uma “mistura de propaganda com jornalismo”. “É ataque direto ao jornalismo”, esclarece. Nas palavras da professora, outro complicador é que “os jornais estão reproduzindo literalmente esses conteúdos”, ocorrendo uma disseminação desse material. “Isso não é jornalismo, isso é outra coisa”.

A professora Angela informou sobre as mídias alternativas, que entre vários pontos de importância dispõe do papel de “dar voz a outras narrativas e outros personagens”.

O Projeto de Lei de Iniciativa Popular para Democratização da Mídia, também foi abordado no painel. A professora Maria Lúcia explicou que a “lei que regulamenta a comunicação social no Brasil data de 1962 e, “portanto, bastante desatualizada” para os dias atuais. “De 1962 até agora, obviamente, tivemos muitas mudanças na sociedade”.

Nayane Brito, aluna do Mestrado em Jornalismo da UEPG, disse que o espaço de reflexão, no cenário que se encontra a educação pública no Paraná, “é um momento também de formação”. Nayane afirma “que é importante que não só os professores tenham esse esclarecimento, mas também a comunidade de maneira geral, para que tenha uma dimensão do que é transmitido e da maneira que é transmitido”.

Jorge Iarmul, acadêmico de Licenciatura em Biologia ressalta a importância em se discutir a situação atual, principalmente, pela “divulgação”, já que muitas pessoas acabam não tendo acesso, ao que de fato está acontecendo.

 

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