A Penitenciária Estadual de Ponta Grossa (PEPG) tem estrutura de qualidade, trabalha dentro da lotação máxima permitida e pratica ações de ressocialização. Já o Presídio Hildebrando de Souza trabalha com quatro vezes mais presos que a lotação máxima e não tem as mesmas condições estruturais e de trabalho.

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Segundo dados da Secretaria de Justiça, atualmente no Estado do Paraná existem 28.486 presos. Destes, 18.380 encontram-se em Penitenciárias de segurança máxima, e 10.106 em carceragens de delegacias de Polícia. Só em Ponta Grossa, são mais de mil presos divididos entre  a PEPG e o Presídio.

Problema generalizado no Estado, a superlotação afeta mais de quatro mil presos que sofrem com a falta de alimentação de qualidade, higiene e saúde básica. 

No entanto, em Ponta Grossa, encontram-se duas realidades tão opostas que nem parecem estar a alguns quilômetros de distância. 

No Hildebrando, conhecido como ‘cadeião’, o espaço planejado para 207 presosdetém 620 no total. Já a Penitenciária Estadual trabalha apenas com a lotação máxima. No regime fechado são 432 presos, para 432 vagas.

Além da superlotação há outras diferenças, como a própria estrutura dos locais, e os trabalhos de ressocialização realizados com os detentos. 

Novas vagas

Nas obras de ampliação do sistema carcerário está prevista a construção de uma nova Cadeia Pública, com 382 novas vagas, assim como o aumento da capacidade da Penitenciária Estadual, com 334 novas vagas no regime fechado. 

Segundo a Secretaria de Justiça (SEJU), com as novas 716 vagas, será resolvido o problema da lotação na cidade. O prazo para conclusão das obras é de 12 meses. 

No restante do Estado, a construção de 20 obras, que ampliam em 6.670 novas vagas, deverá resolver o histórico problema da superlotação carcerária no Paraná, informa a SEJU.

No entanto, para João Goes, o problema vai muito além da falta de estrutura. “Nunca vão resolver o problema carcerário se continuarem achando que a solução é criminalizar tudo. Podem construir novas vagas, mas enquanto a política for de encarcerar, daqui a pouco essas vagas vão ser poucas”, critica. 

*Os nomes dos presos e presidiários apresentados em toda a reportagem são fictícios, compromisso assumido pela repórter anteriormente à realização das entrevistas.

Penitenciária Estadual de Ponta Grossa opera com melhores condições de trabalho