Professor Kleber Cazzaro, coordenador do projeto Caminhos da Cidadania

Haitianos, que vieram para o Brasil na esperança de uma vida melhor, esbarram em dificuldades como a falta de domínio do idioma e de qualificação profissional. Projetos como o “Caminhos da Cidadania” têm se destacado no atendimento a migrantes e imigrantes. Essas iniciativas têm como objetivo a atenção a pessoas que estejam fixadas ou de passagem pela região dos Campos Gerais.

Entre os principais problemas na gestão de políticas públicas para imigrantes está a falta de diálogo entre os diferentes setores que trabalham com imigrantes e de organização de uma política nacional coordenada para encaminhamento e orientação aos recém-chegados no Brasil.

Coordenado pelo professor Kleber Cazzaro, do Departamento de Direito Processual da UEPG, o projeto “Caminhos da Cidadania” visa contribuir para a formulação de uma política migratória na perspectiva da efetivação dos direitos humanos e fundamentais.

Kleber assinala que o objetivo central do projeto é de conscientização acerca dos direitos e deveres enquanto cidadãos dentro do Brasil e da região dos Campos Gerais.

Os serviços realizados pelo projeto são públicos e gratuitos e buscam informar, orientar e oferecer proteção jurídica para atender os interesses dos migrantes e imigrantes enquanto estrangeiros.

Os fenômenos da imigração e migração têm ocorrido, como descreve o docente, com mais frequência e merece atenção. Kleber destaca que um dos propósitos do projeto é a inclusão e circulação social, no município, do público assistido.

Luciano Mendes realiza trabalho voluntário, ensinando a língua portuguesa ao haitinaos residentes na cidade. (Foto: Leonardo Camargo)

O idioma como uma barreira

Para os haitianos que decidiram morar em Ponta Grossa, o primeiro contato com a cidade se dá no Terminal Rodoviário Intermunicipal. A primeira barreira enfrentada, ao chegar, é o idioma, já que a maioria dos imigrantes não falam português.

Tentando romper essa barreira, a Cáritas Diocesana de Ponta Grossa, em parceria com o Grupo de Apoio e Trabalho do Migrante, realiza desde novembro um curso gratuito de idioma para os imigrantes e migrantes que vivem na cidade.

Responsável pelo curso, o jornalista Luciano Mendes explica que a iniciativa do curso surgiu após uma grande procura, principalmente pelos haitianos, por cursos que ensinassem a língua portuguesa. Luciano comenta que os imigrantes passam por dificuldades para conseguir trabalho e na própria relação social.

“Para os imigrantes poderem permanecer no país é necessário, segundo a Polícia Federal, que eles falem o nosso idioma. Então, além de uma necessidade prática do cotidiano, há também essa questão formal’’, informa.

Inicialmente, 12 haitianos participam do projeto. Segundo Luciano, a pretensão é que mais 30 haitianos participem das aulas. O curso é realizado todos os sábados a tarde, no salão da Paróquia Imaculada Conceição, sendo duas horas de aula com exercícios práticos escritos e falados sobre apresentação pessoal, saudações, verbos regulares, pronomes e adjetivos.

Ações de Integração

A Cáritas é um organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fundado no Brasil em 12 de novembro de 1956. A organização tem como um dos seus objetivos o desenvolvimento de iniciativas que auxiliem pessoas em situação de exclusão social.

Entre as iniciativas da organização está a realização de um trabalho de apoio aos imigrantes, os Grupos de Trabalho. O haitiano Ludsonde Lafontant é coordenador do Grupo de Apoio e Trabalho do Migrante que atende, atualmente, 15 haitianos e suas famílias.

Segundo a assistente social da Cáritas Érica Francine, a organização oferece assistência a qualquer imigrante. “Nós auxiliamos os imigrantes a terem conhecimento dos seus direitos, como as políticas públicas que eles podem requerer. Por exemplo, o Bolsa Família e o Sistema Único de Saúde (SUS)’’, conta Érica.

Confira a entrevista da Professor Kleber Cazzaro sobre o projeto Caminhos da Cidadania:

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