Os catadores de material reciclado da Associação dos Recicladores Rei do Pet (Arrep) reclamam do rendimento mensal do trabalho que, muitas vezes, não chega a meio salário mínimo. A Arrep é uma iniciativa que surgiu em 2010 com o intuito de organizar o grupo para melhorar as condições de trabalho. No entanto, os catadores contam que catar lixo na rua rendia mais.

 

“Na rua dava mais. O material era todo meu. Às vezes, eu tinha que buscar de caminhão tudo o que conseguia juntar”, conta Marlene Morais da Silva, presidente da Arrep.O que parecia ser uma alternativa para diminuir a degradação do trabalho na rua, diminuiu os rendimentos dos trabalhadores.


Com a criação da Associação, a rotina dos trabalhadores já não é mais a de carregar o carrinho pelas ruas da cidade à procura de materiais recicláveis para só depois vendê-los. Agora eles dependem, exclusivamente, do material que é levado até a associação, em sua maior parte, pelo projeto Feira Verde.


De acordo com o Secretário Municipal de Meio Ambiente, Paulo Cenoura, a prefeitura tem dois projetos que auxiliam os catadores. Além do Feira Verde, que troca material reciclável por frutas e verduras, ela disponibiliza dois caminhões de coleta de recicláveis que percorrem os mercados recolhendo material.


“Tudo o que é coletado no dois projetos é distribuído entre as quatro associações de Ponta Grossa”, afirma Cenoura.


A Arrep tem, hoje, 18 associados, que trabalham de segunda a sexta, das oito e meia da manhã até às cinco horas da tarde, em um barracão na Avenida Souza Naves, no bairro Chapada. Eles trabalham, em conjunto, separando, pesando e vendendo os materiais. Depois, o dinheiro é dividido entre os membros do grupo.


“Aqui, semana passada, deu R$ 2.300 pra dividir em 18”, afirma Jocerlene das Dores Schultz, tesoureira da associação. Dessa forma, cada colaborador recebeu o equivalente a R$ 127.


Algumas senhoras da Associação têm mais de 70 anos e, mesmo assim, não deixam de fazer trabalhos pesados. Elas desmontam componentes eletrônicos para tirar algumas gramas de cobre, separam toneladas de lixo e depois carregam sacos com mais de 30 quilos.  O rendimento mensal, dificilmente, chega a R$ 500.

 

Uma profissão, sem benefícios garantidos, preocupa os trabalhadores

Catadores de material reciclável não são reconhecidos pela ajuda ao meio ambiente

 

Arquivo comunitário:

19/12/2014 - 3 por 1: moradores do núcleo San Martin trocam recicláveis por alimentos

 

Confira, no vídeo, a entrevista com Camila Sopko, técnica em Economia Solidária da Incubadora de Empreendimentos Solidários (IESol).