Das decepções que milhares de pessoas sofreram ao longo da história da humanidade, a de Paulo Freire com a escola brasileira provavelmente está entre as mais arrasadoras. E esse sentimento que o patrono da educação no Brasil não conseguiu evitar é compartilhado por milhares de estudantes LGBTs que não conseguiram sobreviver à escola.

 

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‘Sobreviver’ é o termo apropriado porque o cenário que observamos no ensino nacional é selvagem para todos aqueles que não se encaixam nos padrões heteronormativos e encontram no ambiente escolar suas dificuldades refletidas e reforçadas.

Uma pesquisa realizada pela FAE-USP, na região de Vitória (ES), aponta que 60% dos professores entrevistados admitem não tem base para lidar com a questão da diversidade sexual. Mais preocupante do que isso é o fato de ser identificado pelo menos algum grau de homofobia em 87% da comunidade acadêmica, incluindo alunos, professores e pais.

Esse preconceito leva 27% dos entrevistados declarados homo ou bissexuais, a afirmam ter sido hostilizados no ambiente escolar. 13% ainda relatam que a escola foi o primeiro lugar onde passaram por situações discriminatórias.

Mas as consequências da ignorância não param por aí: por não conseguirem completar os estudos, principalmente as pessoas transexuais não conseguem se colocar no mercado de trabalho e precisam recorrer a prostituição para, novamente, sobreviver.

No entanto, seria pedir demais uma mudança no cenário escolar enquanto ela não acontece em outros campos da sociedade. Afinal, não se pode exigir tolerância e evolução de pensamento de uma instituição que, como seus componentes, nunca saiu da idade média.