Novamente, uma audiência pública será tratada como uma reuniãomeramente formal na cidade de Ponta Grossa. A população foi convocada acomparecer na Câmara dos Vereadores para debater a renovação do contrato da Sanepar por mais 30 anos - já aprovada pelo Prefeito Marcelo Rangel, e, também, pelos Vereadores. A audiência está marcada para o dia 16 de janeiro, ou seja, é provável que aconteça com o plenário vazio.

 

Nesse sentido, como fica a participação popular se essas são parte de um protocolo? Mesmo que o objetivo de uma audiência seja discutir o assunto com a comunidade, o modo como são feitas em Ponta Grossa acabam por inibir, desestimular a participação da comunidade. A audiência pública marcada para janeiro, período de recesso também da Prefeitura, não tem nenhuma intenção de discutir a renovação do contrato da Sanepar com a população.

Outra questão é referente as polêmicas e investigações da Sanepar no município. Em 2014, foi cogitada a possibilidade de revogar o contrato com a companhia de abastecimento pela Comissão Especial de Investigação (CEI) da Sanepar (Companhia Paranaense de Abastecimento), que pedia transparência a empresa após um período de rodízio e falta de água na cidade. Além disso, no início de dezembro a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Sanepar pediu ao Prefeito Marcelo Rangel a revogação do atual contrato, e a municipalização ou abertura de nova licitação para o serviço de abastecimento; e afirma ainda que este não é o momento de realizar a renovação deste contrato por mais 30 anos.

O projeto de renovação já foi aprovado sem muita discussão, este é um problema de mérito. Mas a falta de participação da comunidade é outro problema; de método. Os usuários do serviço deveriam ser ouvidos, em um período aceitável e viável. Falta tempo e vontade de discutir, para ver o que é melhor para a cidade junto com a população.