Desrespeito. Assim é visto o atual serviço de transporte público em Ponta Grossa. Após 10 anos do ultimo contrato da Viação Campos Gerais (VCG) com a Prefeitura, nota-se que a malha viária da empresa já está ultrapassada, os ônibus operam, em horario de pico, completamente lotados. Além disso, muitos bairros distantes da região central sofrem pela falta dos ônibus e pouca alternativa de horários.

A União das Associações de Moradores de Ponta Grossa (UAMPG) surgiu há 25 anos, a partir da iniciativa de seu Alceu, que reuniu 35 presidentes de associações e foi até a Câmara, começando uma nova fase na representatividade dos bairros. Apesar de o movimento ter um líder, seu Alceu não teria conseguido um resultado efetivo sem a colaboração dos demais.

Dentro do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), quando um assentamento faz aniversário, ele indica resistência. Os 14 anos do Assentamento do Contestado apontam para resistência e insistência. Os 29 anos de história do movimento confirmam isso.

Uma sede própria e um bairro bem estruturado são fundamentais para o trabalho de uma associação de moradores, porém, o trabalho não existe se não houver motivação e vontade dos representantes em solucionar os problemas e melhorar a qualidade de vida do local onde vivem.

A preocupação com o coletivo é essencial. Deixado o ego de lado, um presidente de associação de moradores precisa trabalhar em prol de toda uma comunidade, seus problemas e necessidades. O caso do presidente da associação do Rio Verde, Roberto Pinto, é um bom exemplo. Com a sede interditada, o representante do núcleo atende em um escritório improvisado no Ginásio de Esportes do local. Não existem desculpas quando existe a vontade de trabalhar, e o empenho em fazer tudo dar certo.

Ter boa vontade é o ponto de partida. O desejo de mudanças sem esperar nada em troca é o que rege e anima aqueles que representam um bairro mesmo sem pagamento, nem, muitas vezes, reconhecimento.
É inegável, porém, que trabalhar sozinho é complicado e tudo se torna mais fácil quando todo um grupo se mobiliza. O ideal seria a população entender a função de uma associação e a sua importância para toda a comunidade. Talvez assim os cidadãos se envolvessem mais com as questões do grupo e buscassem, cada um a sua maneira, contribuir.

O ponto central não é dinheiro, nem estrutura, ou a falta dela, mas sim o que existe nos bastidores, as intenções que surgem e precisam sair do campo das ideias para se tornarem ações concretas.

 

Que Ponta Grossa está crescendo não é novidade. Todos que vivem aqui já perceberam isso, seja pela demora de quase meia hora para atravessar a Avenida Balduíno Taques ou pela necessidade de pagar R$3,00 a hora em estacionamentos privados por falta de espaço. Onde mais se sente esse aumento populacional é no trânsito, devido aos problemas com transporte e locomoção.

Se todas as promessas milagrosas de discursos eleitorais tivessem sido postas em prática, o mundo seria um local tão maravilhoso que nem precisaríamos de novas eleições. Mais postos de saúde, melhoras na educação, transporte coletivo de qualidade, e por aí vai.  Mal sabem nossos futuros governantes que assegurando as questões básicas de saúde, segurança e lazer a população já estaria satisfeita.

De janeiro a agosto de 2012 foram entregues 2.290 moradias em Ponta Grossa. No bairro Colônia Dona Luiza foram 200, durante a inauguração do conjunto habitacional Santa Clara em abril.  As casas são construídas em terrenos de 300m³ de propriedade da Prolar. Alguns moradores acreditam que o aumento do número de pessoas traz problemas para a região. Moradora do conjunto habitacional Santa Clara, inaugurado em abril deste ano, Sandra Romario conta que a demanda de energia elétrica supera a que está disponível. “São muitas casas. A rede está sobrecarregada, temos blackouts sempre”, relata.

Em contrapartida, outros moradores acreditam que a construção dos conjuntos trouxe benefícios para os bairros. Residente do núcleo habitacional Cerejeiras há um ano e meio, Anicito Barchki afirma que depois dos primeiros imóveis o bairro começou a ser asfaltado e as linhas de ônibus aumentaram. Ele acredita que o maior problema é a falta de comprometimento de alguns beneficiados. “Tem muitas pessoas que vem morar aqui e depois não conseguem pagar as mensalidades, por isso, vendem ou alugam sua casa e se mudam para outros lugares mais baratos”, comenta.

Herivelto diz que a Prolar tem conhecimento de alguns casos, mas que não é uma quantia significativa de pessoas que vendem ou alugam ou imóvel antes do tempo permitido, de cinco anos. A punição para quem realiza tais atos é ser excluído de qualquer tipo de projeto de habitação. Além disso, quem comprou pode perder seu dinheiro sem ter direito à moradia e quem vendeu pode ser processado judicialmente.

Outra situação relatada é, após recebida a casa, a família voltar para a antiga moradia. Isso porque além da lista de inscritos, a Prolar destina de 5 a 10% das casas para famílias que vivem em área de risco. Pessoas que vivem próximas a arroios e encostas, ou não possuem energia elétrica, água potável e tratamento de esgoto são consideradas em situação de risco.

Nos primeiros oito meses de 2012, a Defesa Civil de Ponta Grossa visitou e condenou mais de 150 casas. As famílias foram então cadastradas junto à Prolar.  O engenheiro responsável pela Defesa Civil de Ponta Grossa, Gary Dvorecky, explica que frequentemente as famílias voltam para as antigas casas e vendem ou alugam o imóvel ganho da Companhia de Habitação. “Caso isto aconteça, a família perde o direito de participar do sorteio novamente e caso venha a perder o imóvel localizado na área de risco, a Prefeitura não é obrigada a tomar nenhuma providência para auxiliar”, afirma o engenheiro.

Links relacionados:
Casas ainda não possuem ligação de água

Conjuntos Habitacionais. Uma solução para as favelas?

Bastidores de reportagem:
Mariane Nava
http://pipocandoporaidotcom.wordpress.com/

Marina Alves
http://podeissoproducao.blogspot.com.br/

A moradia adequada se tornou um direito humano e universal em 1948. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o direito à moradia não se resume apenas a ter uma casa, mas também a ter um lar e uma comunidade para viver. Apesar de estabelecida há quase 60 anos, ainda muitas pessoas (mais precisamente 5,5 milhões no Brasil) não tem casa. Para cumprir os direitos humanos são criados programas como o Prolar.

A situação relatada na Associação de Moradores da Vila Palmeirinha trouxe à tona uma discussão pontual: uma associação de moradores realmente representa os interesses da vizinhança? E o que fazer quando a associação se torna omissa ou não reage em alguns momentos?
Em esfera municipal, estadual e nacional, a demora e lentidão do Leviatã é notável. O termo cunhado por Thomas Hobbes ainda no século XVII, para se referir ao Estado e à sociedade contemporânea, parece mais atual do que nunca. Quase um ano depois dos pedidos e das promessas, os problemas da Praça Padre Angelo continuam sem solução.