Especialistas defendem a importância do debate sobre o projeto Escola Sem Partido e da promoção de ações em estabelecimentos carcerários e hospitais

A imagem mostra uma mulher em frente a uma estante com um livro nas mãos

O evento se espalhou por toda a universidade: nos corredores foram colocadas estantes com livros e exposições de fotos

 O debate sobre 'educação social' movimentou o Campus Central da UEPG, na última semana, com oficinas, palestras e apresentação de trabalhos. Pesquisadores defenderam a importância do tema para o desenvolvimento social de Ponta Grossa, destacando ações para atender indivíduos em situações de vulnerabilidade. Estudiosos acreditam ser necessária a reforma curricular para aproximar a formação das licenciaturas e do curso de Pedagogia das demandas atuais da sociedade. 

 

O II Encontro de Educação Social e Pedagogia Social do Paraná aconteceu pela primeira vez na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e trouxe acadêmicos e comunidade externa da cidade e da região para uma discussão relevante sobre os temas relacionados à atuação dos educadores sociais. Simultaneamente, aconteceram também a Semana de Educação e o Encontro de Educação e Comunicação, ambos organizados pela Proex. A programação teve debates, mesas, oficinas e atividades culturais.

Os eventos discutiram práticas educativas sociais emancipadoras por meio da mídia. As discussões focaram formas de intervenção através da educação social. Esses debates perpassam diferentes campos do conhecimento, como Educação, Direito, Psicologia, Assistência Social. A iniciativa também reforça a consciência de direitos, demandas da sociedade e reconhecimento de identidades.

Inserção da Educação SocialUma mulher palestrando para uma plateia

As palestras foram realizadas no Grande Auditório do Campus Central da UEPG


O professor Érico Ribas Machado, organizador do evento, destacou as discussões sobre educação relacionadas ao ambiente hospitalar e a situações de privação de liberdade. Ele também reforçou a participação da comunidade externa. “Priorizamos o evento gratuito porque compreendemos que estamos numa instituição pública e convidamos comunidades, associações, representações para participar do evento”, conta. “Foi uma atividade muito significativa”, defende o docente, destacando a importância do reconhecimento da educação social.

Érico afirmou que já existiu uma política de educação hospitalar quando a professora Ercília Paula lecionava na UEPG e trabalhava com o tema. Na ocasião, a docente criou a brinquedoteca hospitalar. Hoje, ele conta que não há uma política que trate do assunto.

Sobre situações de privação de liberdade ligadas ao sistema carcerário, o professor conta que há pesquisas sobre essas discussões. “Um processo pedagógico pensado, a partir da educação social nas instituições, a gente, efetivamente, não tem ainda direcionado”, avalia. “Nós temos a escola dentro do presídio, nos centros de ressocialização e socioeducação, mas esses espaços precisam ser reconhecidos como espaços da educação social”, destaca.

Érico conta que os grupos de trabalho do evento trataram da educação social ligada especificamente a essas situações, uma discussão relevante para a formação do educador social. Para o organizador do evento, é urgente a reformulação da disciplina dos últimos períodos do curso de Pedagogia que trata da educação em ambientes como esses. Silvana Stremel, coordenadora da comissão científica do evento, também defende que a educação social está pouco inserida nos currículos da formação de Licenciaturas e Pedagogia. “O evento traz uma perspectiva que não está na graduação”, garante.

O caráter inclusivo do evento, com a união da comunidade acadêmica e do público externo, foi ressaltado pela professora. Outro destaque foram os grupos de trabalho sobre educação para a paz e educação para surdos, que contaram com oficinas. Um exemplo foi a atividade sobre contação de histórias voltada à educação para surdos. Para Stremel, esta foi uma das mais interessantes e atraiu bom número de pessoas.

Escola Sem Partido e Semana da Educação

Durante o evento temas como o Projeto Escola Sem Partido foram abordados


Um dos temas tratados durante o evento foi o projeto Escola Sem Partido, que prevê a proibição da chamada “doutrinação política” nas salas de aula. No cenário de Ponta Grossa, o professor do Departamento de Educação Jefferson Mainardes comentou a importância de discussões em torno desse tema. “É muito importante para Ponta Grossa que é marcada pelo conservadorismo”. 

Quem também defende essa discussão é o doutorando em educação Régis Clemente da Costa, que leciona Filosofia na rede de ensino público e é professor colaborador do Departamento de Educação da UEPG. Ele reforça a importância da abordagem durante a formação do profissional de educação.

Para o docente, é preciso esclarecer a população acerca das propostas e da fundamentação teórica e ideológica do movimento Escola Sem Partido. “Muitas vezes, as pessoas se posicionam a partir do título do projeto, entendendo escola sem partido como se isso fosse uma proibição de falar de partidos políticos, o que já é proibido”, diz.

“A lei não permite que você faça propaganda partidária na escola porque a escola não tem partido. Não é sobre sigla partidária, é sobre visão de mundo. Esse esclarecimento precisa chegar à população”, defende.
Jefferson participa da Semana da Educação da UEPG desde quando era estudante, nas primeiras edições. Ele relembra a experiência de anos anteriores. “Todos os temas são muito importantes, pois na UEPG não há discussão sobre esses assuntos. Então, é uma oportunidade de debater”. Ele acredita, ainda, que com mais apoio o evento poderia se tornar anual. “É um evento que devia acontecer todo ano, mas por conta da falta de estrutura e falta de dinheiro acaba não saindo”, comenta.

Educação Social e Cultura nos espaços da universidadeNa imagem é possível observar uma mesa com livros e fantoches educativos

Banca na entrada do bloco B trazia exemplos de métodos educativos como a contação de histórias e fantoches


Durante os eventos, na entrada do bloco A da UEPG, alunos do Pibid mostravam projetos como incentivo à leitura, contação de histórias e teatro de fantoches. O professor Jefferson ressalta a importância de práticas como essas durante as aulas. “Os professores precisam de mais incentivo e formação para utilizar esses métodos”, afirma Jefferson.

O organizador do evento, Érico Machado, comenta que houve uma boa participação e repercussão as apresentações musicais e de dança, entre outras atividades culturais no espaço da universidade. “Permitimos que o espaço cultural adentrasse o evento e o evento adentrasse os espaços culturais. Isso foi uma vivencia bem diferente, foi algo que eu soube que o pessoal gostou”, diz.

Ele defende que a cultura deve estar presente no ambiente acadêmico. “Conseguimos articular atividades e efetivamos a possibilidade de um processo cultural e científico, que uniu cultura erudita e popular”, afirma. “Ficamos felizes porque era esse o objetivo. Todos os processos culturais são importantes, estando dentro da universidade ou não”, conclui o professor.

Salvar

Salvar

Salvar

Salvar