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Movimento Estudantil para o trânsito no Centro da cidade em protesto contra as atuais imposições do governo

Além de faixas contra a atual gestão do governo do Estado, os estudantes colocaram os nomes dos colégios como apoio ao ato. (Foto: Ana Bitencourt Maravieski)

Alunos de diversas escolas estaduais saíram às ruas nesta quarta-feira, dia 05, em manifestação contra a reformulação do Ensino Médio, a PEC 241 e contra a lei da mordaça. A organização foi organizada pela União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umesp), através das redes sociais. Após passeata pela Avenida Vicente Machado, que barrou o trânsito, o grupo de manifestantes seguiu para a Estação Saudade onde foram realizadas apresentações artísticas.

 

O tesoureiro da Umesp, Luis Henrique do Prado, criticou a proposta de reformulação do ensino médio. "Pra nós, é um atraso total tirar a filosofia, a sociologia, a arte e a educação física, que são as matérias que motivam o aluno a ir para a escola e também a estudar matemática, português", explica.

Além da escola ser um ambiente de estudo, Prado ressalta que é um local também para lazer. "Atividades culturais devem ser priorizadas na educação, mas a gente não tem isso. Nós não temos uma educação pública de qualidade". Devido a isso, Prado explica que a Umesp está unida a todas as escolas fora da cidade que também estão saindo às ruas para manifestar seus direitos.

"Os estudantes estão revoltados com a postura do governo federal de impor uma coisa pra gente que não queremos. E nunca tivemos voz. Hoje, estamos aqui pra ter voz e falar que a gente vai barrar essa reformulação do ensino médio", manifesta.

O professor de matemática, Augusto Selske, destaca que o que falta para a sociedade, nos dias atuais, é conscientização. "Muitas vezes, a gente faz uma manifestação e as pessoas olham e pensam o quê, o porquê e pra quem? Então, a ideia é focar no que está acontecendo agora. A gente chama de reajuste no ensino médio, mas na verdade eles estão acabando com o ensino médio. E acabar com a educação sempre foi o foco do governo."

Selske acredita que primeiro os próprios estudantes precisam saber o que está acontecendo porque são os afetados diretamente. "Alguns do ensino médio podem pensar 'isso não vai interferir pra mim'. Mas vai sim, e no ensino superior também”, avalia. O professor ainda destaca que é preciso pensar nas próximas gerações, pois elas que serão as mais afetadas.

A crítica do docente recai ainda ao risco de a privatização atingir o ensino público. “E a privatização foca em quem pode pagar, nós precisamos de um Prouni, Fies, enfim, de todos os programas que ajudam a ter um ensino melhor”, avalia, alertando, no entanto, para o fato de que eles podem vir a ser extintos.

Selske observa que, sem dinheiro pra pagar um bom ensino, não há qualificação e vai acontecer o que o governo quer, "mão de obra barata e desqualificação".

O professor volta a afirmar a importância da conscientização e a necessidade de que os próprios professores apoiem a categoria. "É fácil dizer, 'esse pessoal é um bando de vagabundo, fica parando e tem aluno fora de aula'. Mas não! Nós, professores, não queremos alunos fora de aula. É exatamente o que o governo quer, os alunos fora", expõe.

A maior preocupação entre os estudantes é a desqualificação que terão caso as leis sejam aprovadas. A luta continua por uma educação de qualidade. (Foto: Mariele Zanin)

PEC 241 e Lei da Mordaça

A Proposta de Emenda Constitucional do Novo Regime Fiscal, ou PEC do Teto de Gastos, limita por 20 anos os gastos públicos da União, atingindo inclusive áreas como saúde e educação, além da assistência social. A justificativa para a implantação de tal medida é o ajuste das despesas públicas.

Já a Lei da Mordaça trata do combate à "doutrina ideológica". O movimento Escola Sem Partido defende que os professores não são responsáveis pela formação de uma postura crítica dos alunos. Ou seja, o projeto de escola restringe o papel da escola à formação de mão de obra, de trabalhadores, sem capacidade de reflexão crítica.

Assim, temas como homossexualidade ou ideologia de gênero não poderão ser discutidos em salas de aula, pois são considerados conteúdos conflituosos com as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis. Outras questões de conjuntura política e econômica do país também não podem ser discutidas. O papel do professor se limitaria, portanto, à abordagem da matéria de forma isolada.

A união dos estudantes é o que faz a luta ganhar força. No final da passeata, eles se sentem satisfeitos pela participação conjunta. (Foto: Mariele Zanin)

Arquivo Portal Comunitário

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Categoria: Educação
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