×

Atenção

JFile: :read: Incapaz de abrir arquivo: http://periodico.jor.br/index.php/esporte-e-lazer?format=feed&type=rss
×

Mensagem

Failed loading XML...

Enquanto futsal feminino sobrevive à falta de apoio financeiro, equipe ponta-grossense se destaca na final da série B do Jogos Abertos do Paraná

Apesar das dificuldades, equipes disputam a final da Copa Cidade de Ponta Grossa no próximo sábado, dia 10.

O futsal feminino amador conhecerá, no próximo sábado, dia 10, a equipe campeã da Copa Cidade de Ponta Grossa. Na última semana, algumas meninas que jogam nas equipes finalistas, Fênix e Napoli, garantiram o título no Jogos Aberto do Paraná pela seleção da cidade. Quem vê tantas glórias não imagina como é a rotina e o esforço para manter essas equipes.


Pouco apoio e dupla rotina de compromissos, mas todo esse esforço se justifica por uma paixão em comum: o futsal. Mulheres que, há anos, se dedicam ao esporte, mas que, até hoje, enfrentam preconceitos e dificuldades financeiras. Essa é a realidade do futsal feminino amador em Ponta Grossa.

Ao longo das Olimpíadas muito se discutiu sobre o futebol feminino e masculino. O foco foram suas particularidades e estrelas, mas principalmente a diferença de apoio e valores financeiros, bem como a torcida e os patrocinadores.

Gráficos comparativos entre o que ganhava Marta e Neymar, os camisas 10 das seleções feminina e masculina de futebol, viralizaram na internet. O debate trouxe à tona a discussão acerca das dificuldades enfrentadas pelas mulheres no esporte.

Não é preciso ir muito longe para perceber essa disparidade. Ponta Grossa é um reflexo dessa cultura desigual. Enquanto campeonatos masculinos são realizados regularmente, sendo inclusive pautados pela mídia local, os campeonatos femininos ficam reféns de iniciativas da prefeitura ou de associações de moradores.

O campeonato de maior duração que as futebolistas participam é a Copa Cidade de Ponta Grossa, que encerra a edição deste ano no próximo sábado, dia 10. A final será disputada, em segundo jogo, pelas equipes do Fênix e Napoli. Já a disputa pelo bronze fica entre Bossak e Ikaze.

Por conta da sazonalidade do calendário, as equipes se renovam toda temporada e, a cada mês, precisam buscar formas de garantir treinos e patrocinadores.

Dificuldade financeira X Amor pelo esporte   

Patrocínio é o que sustenta as equipes de futsal amador em Ponta Grossa. Seja para bancar uniformes, materiais esportivos, locais de treinamento, transporte ou taxas de arbitragens em campeonatos, as equipes são dependentes de aporte financeiro.

A necessidade de parceiros financeiros não é exclusividade do futsal feminino, mas também do masculino. Tanto que, basta passar os olhos pelos nomes das equipes que é possível perceber marcas de empresas da cidade.

A principal forma de garantir patrocínios e manter a equipe é a partir de bons resultados em campeonatos, segundo uma das jogadoras do Atlético Medelin, Andressa Ribeiro.

A atleta relata como funciona a lógica de patrocínios para as mulheres, a partir da vivência dela. Ouça no áudio a seguir.


   

Capitã do Ikaze, Kamila Miná relata que, no começo, a equipe recebia apenas R$ 50 por mês. A situação passou a melhorar conforme participavam de campeonatos. A equipe se destacou, desde o início, como uma das três melhores da cidade e, com isso, atraíram investidores.

Porém, esse apoio está cada vez mais atrelado à lógica de mercado. Com a crise, boa parte das empresas, que antes eram apoiadoras regulares, passaram a ajudar de forma sazonal ou diminuíram os valores dos patrocínios.

Algumas equipes perderam patrocinadores por conta do fim de projetos das empresas ou mudanças de grupo investidor. Foi o caso da equipe Fênix, treinada por Lígia Rodrigues.

Mesmo tendo já garantida a medalha no municipal, a equipe perdeu o principal apoiador no início do ano, logo quando iniciou o campeonato. Por conta do envolvimento da família da técnica com o time, o pai de Lígia se tornou o patrocinador principal do time.

Com a mudança do nome, houve a necessidade de confeccionar outros uniformes, já que as integrantes do time não poderiam mais usar o nome do patrocinador anterior. A ajuda veio do pai da treinadora.

“Meu pai abraçou o time de vez. Está sempre nos jogos e ajuda como pode. Ele que pagou nossas taxas de arbitragem no campeonato e também os uniformes”, conta.

Luciane Almeida, ala do Fênix e uma das veteranas do time, joga desde os 16 anos e, hoje, com 34, avalia que sempre houve dificuldades para manter a equipe.

“A gente formou a equipe e estamos sempre buscando parcerias. Nunca teve incentivo e isso que precisa mudar. Os patrocínios pagam, no máximo, nosso custo de jogar. A gente joga mesmo é por prazer”, destaca.

Outra maneira de garantir locais para treinos e pagamentos de taxas de participação em campeonatos é a partir de parcerias pontuais ou trocas por serviços prestados. Um exemplo disso é a equipe do Ikaze.

O técnico, Dheysson Présley, trabalha em uma loja de equipamentos esportivos. Os ginásios do Santa Mônica e Rio Verde são gestados por moradores, que compram equipamentos para aluguel ou para uso de moradores do bairro. Dheysson oferece descontos aos gestores que, por sua vez, garantem horários para a equipe treinar.

A principal preocupação e dificuldade das equipes, ao planejarem a participação em um campeonato, é quanto à taxa de arbitragem. Em todos os jogos, as equipes têm que pagar um valor fixo aos árbitros da partida. Por conta da escassez e não regularidade de patrocinadores, muitas equipes deixam de participar de campeonatos ou tentam dividir entre si os pagamentos.

Para o diretor de esportes da Fundação de Esportes de Ponta Grossa, Fabiano Gioppo, uma forma de garantir a participação das equipes é retirar essa taxa, passando a responsabilidade para a prefeitura. Segundo o diretor, essa dificuldade financeira não foi comunicada à Fundação e, por isso, teve continuidade a cobrança feita a cada equipe.

O diretor explica que o poder público se vê como mais um parceiro financeiro das equipes e não o principal ou único. Sendo assim, uma outra soluçãoproposta pelo diretor é o incentivo ao esporte desde as categorias de base para que o esporte continue sendo valorizado nas categorias adultas.

  Falta de apoio financeiro reflete na qualidade de treinamentos, pela escassez de equipamentos.

Quebra de barreiras
A dificuldade financeira e a falta de apoio não se limitam aos times amadores da cidade. A seleção feminina de Ponta Grossa também passa por essa realidade.

A goleira da seleção, Tatiane Leite, explica que houve um aumento da visibilidade da equipe, mas mesmo assim as integrantes do time ainda jogam apenas pelo amor ao esporte e não recebem por isso.

“Hoje nós vemos mais torcida nos jogos, temos local para treinos três vezes na semana e um preparador físico que faz um trabalho com a gente às quartas-feiras, mas ainda estamos longe de conseguir viver disso. Todo mundo aqui joga, mas trabalha em outra coisa”.

A goleira, assim como quase todo o time, possui um emprego fixo e concilia jogos e trabalho. Tatiane conta que, para participar de jogos em outras cidades, negocia as faltas para que sejam descontadas nas férias e, dessa forma, ela consegue manter o emprego como assistente social e o amor pelo futsal.

Mesmo com as limitações, a equipe foi campeã da última edição do Jogos Abertos do Paraná pela categoria B. O campeonato ocorreu no mês de agosto e o resultado garantiu vaga à equipe na categoria A, em 2017.

Pela primeira vez, Ponta Grossa disputou a Chave Ouro do Campeonato Paranaense e avançou até às quartas de final. O resultado surpreende por ser um time estreante no campeonato que é o mais disputado do Paraná.

Para o técnico do time ponta-grossense, Carlos Malaquias, o China, o principal motivo da dificuldade enfrentada pelas equipes femininas na cidade, seja no amador ou na seleção, é a falta de organização das jogadoras e dos técnicos.

“Nós precisamos nos organizar e montar uma associação para sermos independentes de iniciativas da prefeitura. Começar a mobilizar quem gosta de trabalhar com isso para trabalharmos juntos é o primeiro passo que precisa ser dado. Não é buscar apoio de forma isolada, com cada um pensando só no seu time. É pensar no futsal feminino como um todo”, argumenta.

Preconceito
Uma discussão ainda presente no futsal feminino é quanto ao preconceito sofrido pelas jogadoras e ao fato de o esporte ainda ser relacionado ao sexo masculino.

As jogadoras relatam uma crescente melhora, principalmente, com o apoio das famílias, que hoje são companheiras fiéis dos jogos. Os familiares chegam a se organizar por meio de páginas no Facebook.

Ex-jogadora e mãe de uma das jogadoras do Atlético Medelin, Cristiane Ferreira conta que acompanha a filha em todas as partidas. Anteriormente, Fabíola jogava apenas no bairro e agora faz parte do Medelin. Na partida de estreia, a mãe estava acompanhada do marido e do filho, que vibraram quando Fabíola entrou em quadra.

Cristiane relatou a importância das famílias na continuidade do desenvolvimento do esporte, sendo considerada por ela a principal aliada para as meninas.

“Eu tinha um time no Santa Paula, mas era só para brincar, nada sério. Eu sempre joguei e vivi o preconceito. Hoje é bem mais tranquilo, as famílias apoiam. Então, tem mais meninas jogando. Isso ajuda muito, faz com que tenha mais times e mais gente interessada”, conta Cristiane.

A treinadora do Fênix, Lígia Rodrigues, avalia que, aos poucos, o preconceito vem sendo superado. Segundo ela, mais pessoas estão acompanhando a equipe e isso é sinal de que a ideia de que “mulher não sabe jogar bola” está acabando.

“Nós jogamos em outras cidades, até maiores ou de mais tradição no futsal, e tinham menos pessoas assistindo que aqui. Então, quanto a isso, estamos caminhando muito bem”, ressalta.
    
Serviço:
A final e a disputa pelo terceiro lugar da Copa Cidade serão no sábado, dia 10, no Ginásio Zukão. A entrada é franca.

O encontro entre a experiência e técnica é um dos principais embates permitidos pelo esporte.
O encontro entre a experiência e técnica é um dos principais embates permitidos pelo esporte.
O futsal amador é um espaço onde jogadoras de idades diferentes tem a oportunidade de jogar e aprender juntas.
O futsal amador é um espaço onde jogadoras de idades diferentes tem a oportunidade de jogar e aprender juntas.
: Mesmo em amistosos, o clima de competição é intenso. Ninguém quer sair derrotado.
: Mesmo em amistosos, o clima de competição é intenso. Ninguém quer sair derrotado.
O treinamento da seleção municipal é feito de duas a três vezes na semana no Ginásio Zukão.
O treinamento da seleção municipal é feito de duas a três vezes na semana no Ginásio Zukão.
A equipe de Ponta Grossa, mesmo com limitações financeiras, fez ótima campanha no Campeonato Paranaense, chegando às quartas de final e foram campeãs dos Jogos Abertos do Paraná.
A equipe de Ponta Grossa, mesmo com limitações financeiras, fez ótima campanha no Campeonato Paranaense, chegando às quartas de final e foram campeãs dos Jogos Abertos do Paraná.
Ikaze e Atlético Medelin disputaram amistosos no último mês, no Ginásio do Santa Mônica.
Ikaze e Atlético Medelin disputaram amistosos no último mês, no Ginásio do Santa Mônica.
IMG_4146
IMG_4146
Previous Next Play Pause
1 2 3 4 5 6 7