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Após deixarem de participar de campeonato por falta de patrocínio, paratletas buscam apoio para competição a ser realizada em novembro

Atletas da Apedef se reúnem, no escritório específico, para questões de esporte, inaugurado no início do mês agostoAtletas da Apedef se reúnem, no escritório específico, para questões de esporte, inaugurado no início do mês agosto

 

Atletas da Associação Pontagrossense de Esportes para Deficientes (Apedef) precisam de maior patrocínio para participar de competições e investir em novos equipamentos. Com a promessa de patrocínio de um empresário, em julho deste ano, o grupo já havia se preparado para competição paranaense. Pouco antes da viagem, receberam um aviso de cancelamento e deixaram de participar por falta de recursos.

Em novembro, o grupo de atletas da Apedef deve participar dos Jogos Paradesportivos do Paraná (Parajaps), o maior evento de paradesporto do Paraná. Sem patrocínio, o grupo precisa correr atrás de pessoas dispostas a financiar qualquer competição. A maior parte dos custos, como alimentação e hospedagem, é paga pelos próprios atletas.

Casos como esse são enfrentados pelos 11 atletas da Associação que realizam treinamentos, semanalmente, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Ponta Grossa.

O fundador da Apedef, Luiz Carlos Hajo, deixou de praticar o atletismo para se tornar treinador. Atualmente, ele trabalha como auxiliar de treino ao lado de Gilberto Martins Freire, que atuou, em 1997, como técnico da seleção brasileira paralímpica. Segundo Hajo, o único recurso oferecido pela prefeitura é destinado ao transporte nas competições.

 
Prêmios conquistados pela Apedef guardados em novo escritório, no Edifício Princesa

 

O atletismo, de acordo com Luiz Carlos, é o carro chefe da entidade. Dentro da modalidade, há o arremesso de dardo, peso e disco. Além do atletismo, a Apedef também oferece treinos de corrida, tiro esportivo (com pistola e carabina) e tênis de mesa. A falta de equipamentos faz com que os treinos sejam individuais, atrasando o avanço da equipe, que demanda condições especiais.

Alguns equipamentos, como os pesos, são emprestados da UTFPR. Como Luiz Carlos explica, qualquer colaboração é válida para o fortalecimento do grupo. Sem patrocínio, os atletas precisam se dedicar ao treinos e também à arrecadação de dinheiro para custear os gastos com alimentação e hospedagem quando eles viajam.

O atleta e recordista paranaense, Rafael Schwad, defende o esforço dos integrantes para a realização dos treinamentos e das competições. “Quem olha, pensa que os atletas ganham tudo”, diz. Segundo ele, o esporte é motivador quando demonstrado para si e também à sociedade. Ele começou pelo incentivo dos amigos e acabou conhecendo outra realidade após a prática.

 

No vídeo abaixo, Rafael Schwad explica como incentivar à associação:

 

Casos de superação

Antônio de Oliveira, de 23 anos, conta como o atletismo mudou totalmente sua vida. Após sofrer um acidente, Oliveira precisou de tratamentos físicos. Ele foi convidado a praticar o esporte e revela que a autoestima e o jeito de caminhar melhoraram drasticamente. No início, o atleta somente praticava o atletismo sentado. Atualmente, já está integrado à categoria em pé.

Já Carlos José Camargo é atleta desde 2000. Para ele, a falta de incentivo continua sendo o maior problema na cidade. Após ter iniciado a prática do esporte, Camargo revela ter verificado melhorias em seu desempenho físico. “As limitações que eu tinha ficaram no passado”, diz.

Neste ano, a Apedef representou Ponta Grossa nas Paralimpíadas no país. O oftalmologista e atirador Carlos Garletti participou, pela terceira, vez do evento, tendo competido ainda nas edições de Pequim (2008) e de Londres (2012).

 

Outros caminhos

O musicoterapeura Tiago Pauluk trabalha no Departamento do Deficiente da Fundação Proamor. Através da música, ele tem como objetivo desenvolver habilidades e reabilitações neurológicas, físicas e sociais. Com a produção de canções e manipulação de instrumentos, Pauluk atende pessoas portadoras de qualquer deficiência.

Segundo Pauluk, a música tem, muitas vezes, um princípio melhor do que a fala de um psicólogo, pois é de fácil acesso às emoções. Ele conta o caso de um autista cujo pai é atleta. Após o aprimoramento pela música, o filho começou a desenvolver habilidades motoras e conseguiu participar de atividades esportivas.    

A artista plástica Alvare Lima também trabalha do Departamento do Deficiente. Ela explica que, nas aulas de pintura, a emoção e coordenação motora são aprimoradas além de haver o desenvolvimento da autoestima, da concentração e da observação. De acordo com a artista, cada dia é uma superação dentro da dificuldade de cada aluno.

Lima critica a falta de espaços para exposições, que poderiam acabar com a maior barreira imposta aos portadores de deficiência: o preconceito. Para a artista, o próprio corpo deles mostra as superações que precisam ser vistas por toda a comunidade.

O artista Roberti Salgueiro dá oficinas de circo dentro do Departamento. Com a técnica, ele consegue desenvolver atividades aéreas para o fortalecimento do corpo e da mente. Salgueiro revela que uma das grandes superações conquistadas dentro de seu grupo foi convencer os alunos a se apresentarem para o público.

Roberti conta que outra grande dificuldade é a sociabilidade, uma vez que havia casos de pessoas que nunca nem abraçavam outras. Ele ressalta que é preciso passar segurança dentro das possibilidades para que qualquer pessoa possa superar os próprios limites. No circo, o artista consegue trazer o esporte através do trapézio e ciclismo.

A educadora física Silmara Rodrigues explica a diferença entre os esportes de rendimento e competição. No primeiro caso, trata-se da prática física para qualidade de vida e melhoria nas condições neurológicas. Dentro do Departamento, ela dialoga com outros profissionais para que qualquer aluno consiga praticar o esporte dentro das próprias limitações.

Para Rodrigues, a interação social é uma das questões mais importantes a ser trabalhada através das danças, dos alongamentos e da prática de basquete, vôlei e futsal. A profissional explica que cada aluno tem sua especificidade e completa o outro durante os treinos. Após reconhecer que um aluno possui possibilidades e habilidades para competir, a educadora física conta que procura os grupos de esporte na cidade para realizar o encaminhamento.

 

Mobilizações

Em agosto passado, foi realizada a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência. Em Ponta Grossa, o dia do deficiente é relembrado todo dia 28. Durante a semana, o Departamento do Deficiente, junto à Prefeitura e à Secretaria Municipal de Serviço Social, realizou atividades no Ginásio do Deficiente. O tema central foi o da igualdade com a promoção da integração entre usuários, famílias e a comunidade em geral.

Segundo a diretora do Departamento do Deficiente Físico, Cássia Freire de Sá, os portadores de deficiência se sentem fora de uma rotina comum e, muitas vezes, estão carentes de atenção ou até mesmo de uma conversa. “Dá pra ser igual apesar da diferença”, ressalta.

As 14 entidades da cidade envolvidas no evento colaboraram com a programação destinada a crianças, adolescentes, adultos e idosos com deficiência, bem como aos familiares. Além das atividades culturais, houve espaço para exames de prevenção e aferimento da pressão arterial.

Segundo o levantamento do Departamento do Deficiente, há cerca de 3,3 mil portadores de deficiência em Ponta Grossa.

Em Ponta Grossa, o Departamento do Deficiente da Fundação Proamor oferece atendimento com sessões de fisioterapia (com média 260 atendimentos ao mês), musicoterapia (com uma turma de 35 alunos) e oficinas de artesanato, circo, dança e pintura (com média de 40 alunos). Há também o suporte de três profissionais na área do serviço social, que realizam uma média de 500 atendimento por mês.

Além disso, há terapias recreativas, aulas de reforço e prestação de serviço de transporte especial, com um frota de sete carros. Para participar, basta entrar em contato com o Departamento através dos telefones (42) 3222-3118 ou (42) 3222-3100 e realizar um cadastro. Para ter acesso às atividades, é preciso apresentar os documentos e um laudo médico, caso solicitado.

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