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 Enquanto apenas 2,4% das áreas de lazer encontram-se em ótimo estado de conservação, em muitos bairros há uma total carência

A Praça Bispo Antônio Mazzaroto é uma das mais estruturadas da cidade, a partir dos requisitos analisados pela mestranda Zingara.

A concentração de praças nas região central traz um questionamento acerca do planejamento e da qualidade de vida em Ponta Grossa. Pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Geografia da UEPG buscou mapear as diferenças na distribuição dessas áreas de lazer, indicando os efeitos disso na cidade.

Em 2010, a mestranda Zingara Rocio dos Santos Eurich começou a desenvolver uma dissertação no Programa de Pós-Graduação em Geografia da UEPG. O tema escolhido foi a conservação das praças em Ponta Grossa. A conclusão apontou que há uma desigualdade de distribuição dessas áreas de lazer, sendo que muitas delas se concentram região central e apresentam problemas estruturais.

O estudo teve continuidade na tese de doutorado, atualmente, desenvolvida pela geógrafa. A partir de alguns dados já obtidos, a equipe do Portal Comunitário foi conferir a situação de praças da cidade. Foram analisadas a arborização e a infraestrutura desses espaços públicos a partir das características da morfologia, da tipologia e da distribuição.

Zíngara se dedica, dessa forma, a estudar como se encontra a condição atual das praças. O mapeamento busca a preservação do meio ambiente e a conservação a partir de uma política de cuidado para manutenção de áreas verdes. A pesquisadora verificou, no entanto, que há um déficit de investimento no planejamento urbano.

Na Ronda, a Praça Hunda Roedel é a mais equipada, além dos equipamentos há uma pista para caminhada e andar de bicicleta.

Em contraponto, algumas praças na Ronda sequer apresentam banco para sentar. 

No mês de dezembro e janeiro, as crianças estão de férias e, com isso, esses espaços se tornam uma alternativa de entretenimento para as famílias. As praças se tornam opção para a prática de esportes não somente para crianças e adolescentes, mas também para a população adulta, que pode descansar aproveitando a sombra em um banco de praça ou debaixo de uma árvore.

Mas nem sempre há uma praça perto de casa ou, quando há, é provável que não esteja em um bom estado de conservação. “Quando considerei todas as praças do perímetro urbano, sem dividi-las por bairros, observei os seguintes valores: 49,5% das praças possuem uma infraestrutura considerada em bom estado, 37,3% em um estado regular, 10,8% em péssimo estado e apenas 2,4% encontram-se em ótimo estado de conservação”, exalta Zingara.

Na praça do Jardim Carvalho os brinquedos estão bem cuidados e há uma grade que isola a areia do contato com animais e fezes

 

Portal Comunitário nas praças

A partir de sua pesquisa, Zingara comentou bairro por bairro dos quais o Portal Comunitário faz a cobertura, para melhor ilustrar o panorama geral deles. Segundo a mestranda o mapeamento do estudo se baseia na listagem fornecida pela prefeitura. Entretanto, ela ressalta que na prática o número de praças enquanto espaço de lazer na prática é menor.

O bairro Colônia Dona Luiza conta com apenas três praças, conforme a listagem cedida pela prefeitura. Porém, apenas a Deputado Ary Kffuri, também chamada de Rocha Carvalhães, possui estrutura considerada em bom estado, contando com 14 árvores.

O bairro Boa Vista possui dez praças. De forma geral o cenário é heterogêneo e, na média, elas possuem infraestrutura regular, sendo que a maioria está sem manutenção.

O Cará-Cará apresenta quatro praças. O bairro, que está entre os que possuem maior extensão, tem uma distribuição alarmante, além de apresentar praças com pouca infraestrutura.

O Jardim Carvalho possui nove praças. Uma delas, a Bispo Antônio Mazzarotto, foi considerada uma das melhores da cidade a partir da metodologia adotada. As demais foram consideradas com estrutura boa ou regular.

O bairro Olarias conta com oito praças. Esses espaços não oferecem à população uma gama de atividades e o que elas apresentam está ligado mais ao lazer passivo ou contemplativo. Órfãs possui sete praças com pouca possibilidade de atividade de lazer.

Ronda apresenta cinco praças, porém apenas uma, a Hulda Roedel, conta com uma diversidade maior de equipamentos enquanto as demais não apresentam sequer um banco. Uvaranas é o bairro que consta com maior número de praças, 20 no total. Porém, três não foram localizadas.

Oficinas possui dez praças que, em sua maioria, são equipadas, oferecendo um maior número de possibilidades de atividades. A maior parte é arborizada.

A partir da pesquisa da mestranda, Zingara, a equipe do Portal Comunitário acompanhou a situação das duas melhores praças citada por ela, a Praça Bispo Antônio Mazzarotto, no Jardim Carvalho e a Hulda Roedel, na Ronda.

Com um olho em Julia, bebê de 1 ano no carrinho, e outro em Mariana, de 3 anos, a mãe Vanessa Zimermann de Oliveira Illa Font comenta a segurança e a limpeza praça Bispo Antônio Mazzarotto. “Eu frequento essa praça pelo fato de ela ser perto de casa e por eu achar mais segura para a s crianças. Como ela é toda cercada os cachorros não entram. É uma coisa que a gente tenta cuidar porque a criança tem muito contato com a areia. Então, eu prefiro trazer as minhas meninas aqui, pois sempre tem um rapaz da prefeitura que vem cuidar da praça”.

Mães e babás opitam pela praça devivo a segurança

 

“Eu morava em Florianópolis, mas eu não tinha criança lá. Então, eu não frequentava praças. Eu vim para cá em 2011 e o meu primeiro contato foi com essa praça”, finaliza Vanessa ao comentar sobre a praça Bispo Antônio Mazzarotto.

Hermione adora passear na praça e andar sem coleira, enquanto seu dono, Jullyan Ferreira, fica sentado ouvindo música. “Desde que eu tenho ela, há uns dois anos, eu frequento a praça. O parque é um lugar seguro e ela gosta de andar, o animal precisa passear um pouco. Eu gosto de passear com a minha cachorrinha sem guia e, na rua, é meio perigoso. Aqui é seguro”, relata Jullyan, ao explicar o porquê de levar sua cachorra à praça no Jardim Carvalho.

Hermione adora passear sem coleira pela praça, enquanto seu dono, Jullyan Ferreira escuta música

Edina Cristina Mazetto Rivieri é babá de um menino, que ela preferiu não revelar o nome. Desde que começou a cuidar do bebê, ela o leva à praça. “Há um ano e meio eu frequento aqui. Eu cuido dele e ele mora em apartamento. Então, não tem muita opção para brincar em casa. Eu trago para a praça porque é mais livre e tem bastante coisa. Quase todo dia estamos aqui. A Praça é muito boa e estruturada, bem cuidada”, finaliza Edina, ao comentar da praça Bispo.

Os equipamentos estão conservados e o ambiente é arborizado

Orlando Rodrigues é de Nova Jersey, nos Estados Unidos, e mora em Ponta Grossa, e diz que todos os dias vai à praça.

Na Ronda, a praça Hulda Roedel é a melhor opção de lazer para os moradores. Orlando Rodrigues é de Nova Jersey, nos Estados Unidos, e está morando em Ponta Grossa. Para ele, a estrutura da praça é boa. “Eu venho aqui todos os dias praticar exercício”, ressalta Orlando, que pretende morar por mais um ano ou dois na cidade. Ele ainda comenta que não irá parar de frequentar a localidade.

Em contraponto a essas praças que apresentam boas condições, é possível destacar a situação do bairro de Olarias que não apresenta espaço com estrutura adequada para a prática de esportes e para outros tipos de lazer. Todas as oito praças que a região possui apresentam apenas um espaço arborizado, sem equipamentos. Com isso, alguns moradores precisam se deslocar para outros bairros a fim de buscar lazer e áreas para a prática de esportes.

A idosa Nely Lacerda reclama da falta de estrutura, em Olarias. “Aqui não tem nenhuma praça para poder caminhar, praticar esportes ou para que eu possa levar minha neta para brincar. Caso eu queira ir até uma praça, a mais próxima é o Parque Ambiental, que fica a umas 11 quadras da minha casa. Eu com 74 anos não aguento ir a pé e o trânsito é conturbado, o que não ajuda no deslocamento”, relata.

Praça enquanto área de lazer

Brendo Francis Carvalho estudante de Geografia acompanhou uma parte dos estudos da mestranda Zingara e comenta a importância das praças enquanto espaço urbano. “As praças são muito importantes para as cidades. Não apenas do ponto de vista da infraestrutura urbana como também do ponto de vista social.

As praças têm funções ambientais, como ajudar a controlar o clima urbano, sombreamento, refúgio da fauna urbana (como pássaros, por exemplo), além de serem espaços de encontro, sociabilidade, lazer e recreação. Quanto mais bem equipadas são as praças, com bancos, banheiros, bebedouros, parquinhos, árvores (e estas com poda adequada), iluminação, etc., mais serviços esses espaços podem oferecer.

Embora nossa equipe tenha acompanhado algumas praças, a situação das mesmas, em sua maioria, é precária. “Boa parte das praças da nossa cidade são trevos, canteiros e rotatórias, são perigosas e não oferecem nenhum motivo para permanência dos cidadãos. É um desperdício do potencial destas áreas e, consequentemente, do dinheiro público, que não é administrado corretamente”, descreve.

“É importante dar a infraestrutura adequada às praças dos bairros e não só às do Centro, para que se tornem não apenas local de passagem, mas, sim, de permanência. Isso só será possível se houver investimento e manutenção desses espaços, dotando-os dos elementos já citados (bancos, iluminação, podando as árvores de forma a não mutilá-las, parques, pistas de skate, etc).”, completa.

Posicionamento da Prefeitura

Para melhor entender como é feita a escolha de quais praças serão reformadas e em que bairros, a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Planejamento informou que leva em consideração a reivindicação da população, a existência de terreno apropriado para instalação e público a ser beneficiado. Além de que a execução de uma nova praça tem custo de R$ 200 mil, aproximadamente.

Ainda segundo a Assessoria, a diferença na quantidade de praças no Centro e nos bairros pode acontecer porque a prioridade são os locais que atendem a um público maior. A Assessoria ainda afirma que a região do Centro contempla moradores de diversos bairros.

Segundo informações repassadas pela prefeitura, durante os últimos três anos e meio, o poder público recuperou e equipou 30 praças, consertando brinquedos, padronizando corte de grama, plantando árvores e instalando bancos em praças como a Marechal Floriano Peixoto (Catedral Sant’Ana), no Centro; Simon Bolívar, em Oficinas e Getúlio Vargas, na Nova Rússia. Estes espaços contam com manutenção periódica. Também foram instaladas 30 academias ao ar livre.

2017

Para 2017, a Prefeitura pretende manter o cronograma de manutenção destes espaços, dando prioridade para os mais emergentes (como brinquedo danificado ou estrutura que coloque a população em risco). Também há previsão de investimento com a construção de novas praças, levando em conta os critérios listados acima, mas ainda sem a definição de locais beneficiados.

E em relação ao Parque Ambiental, que acaba sendo um refúgio da população de outros bairros que não apresentam praças, as obras não tem data para começar, muito menos acabar. “A obra terá continuidade no próximo ano, mas o prazo de entrega vai depender do prazo de licitação de cada uma das etapas.”, informou.

 

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