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Gersinho Gusmão, técnico do Operário Ferroviário (Foto: João Vitor Rezende)

Vários clubes marcaram a história esportiva de Ponta Grossa em vários esportes. Nas quadras e nos campos, América, Guarani, Verde estão entre os mais representativos. Sem contar o maior deles, que há mais de 100 anos é um patrimônio local.

 

Dos 193 anos recém-completados pela cidade princesina, o Operário Ferroviário Esporte Clube esteve em 104 anos deles. Dos que vão ao Germano Krüger, muitos queriam ter a oportunidade de pisar em seu gramado. E um destes ponta-grossenses vive esse sonho.

Com 17 anos, Thalles é uma das promessas do Fantasma de Vila Oficinas. E sua relação com o clube vai além das quatro linhas. “Desde pequeno meu pai me trazia nesse estádio e era uma alegria imensa ver esse time jogar, e fazer parte é uma alegria maior ainda. Chego todo dia com uma satisfação para treinar e representar bem a cidade”.

Passagens em várias equipes do Sul marcam o currículo de Gersinho Gusmão. Mas o treinador do Operário reconhece a importância da equipe para a região e cita até outro caso semelhante. “Eu como atleta joguei numa equipe parecida nesse sentido, que é o Brasil de Pelotas, que tem uma torcida que também é fanática, que é atuante. Mas acredito que Ponta Grossa é especial. Aqui é o torcedor é muito presente, incentiva e procura acompanhar a equipe em todos os jogos”.

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Na porta dos fundos
Os que não tiveram a habilidade e a sorte de Thales para jogar profissionalmente, se divertem no Germano. Não no campo da equipe principal, e sim nos campos ao fundo do estádio.

As tardes de sábado e as manhãs de domingo são os horários em que as pelejas acontecem, com mais de 30 equipes jogando em três categorias diferentes. Há mais de 30 anos o clube promove essas atividades, atualmente comandadas pelo diretor do futebol amador Celso Meira.

Meira relata que o clube contém cerca de 500 sócios. Estes associados estão em um sistema diferente dos membros do programa dos jogos, promovido pela parte profissional da equipe.

Os que fecham mensalidades para aporte do time principal, não tem direito ao uso dos espaços do clube. Este programa se reserva apenas para acompanhar os jogos do alvinegro. Já os sócios do clube, além de poderem usar as dependências da agremiação, como piscina, campos e churrasqueiras, pagam meia-entrada nos jogos do Operário.

Amor à(s) camisa(s)
Por Nelson Rodrigues, poucos o reconhecem. Mas se ouvir falar de Chicão, logo vai lembrar do Operário. Com 152 partidas em cinco anos pelo Fantasma, é o jogador que mais vestiu o manto alvinegro na história. Porém, é no América Ponta-grossense que o ex-jogador mantém sua proximidade com os gramados.

Jair Pereira acompanha alguns destes treinos buscando talentos, que segundo ele indica para o seu sobrinho, que tem contato com representantes de grandes times brasileiros. E Jair foi um dos que viu Chicão jogar. “Eu vi ele jogar quando eu morava em Apucarana. Ele ia lá jogar e sempre ganhava, era bom mesmo”.

Alguns de seus alunos sabem do passado do professor dentro das quatro linhas, pelas redes sociais. Segundo o treinador, os garotos veem as postagens do professor no Facebook, e o perguntam sobre os seus tempos de jogador.

Há 6 anos, Chicão toca o projeto que atualmente só tem treinos aos sábados. Nos primeiros cinco anos, o objetivo era a formação de atletas. Porém, pelo segundo ano seguido, a liga da cidade filiada à Federação não tem mais jogos nas categorias do sub-15 e do sub-17. Agora, os jovens treinam apenas para continuar jogando.

Chicão lamenta a falta de competições e realça a importância que estes campeonatos teriam para os seus alunos. “Infelizmente isso acontece. É uma faixa etária que precisava ter uma competição, mas não sei porque, a Liga não tem organizado”.

A Liga de Futebol de Ponta Grossa (LFPG), que organiza o Campeonato Amador dos Campos Gerais, é a responsável pelo torneio entre as categorias de base. O presidente da LFPG, Romildo Freitas, relata que por ter assumido o cargo neste ano teve que “começar do zero”. Para ocorrer, o torneio precisaria do apoio da Prefeitura para quitar as taxas de arbitragem.

Segundo Romildo, em 2015, inscrições para o torneio no sub-15 e no sub-17 foram abertas. Porém, apenas três times declararam interesse nas duas categorias. Entretanto, afirma que faz parte do planejamento de sua gestão, abrir inscrições para realizar o certame em 2017.

Nelson Rodrigues, ex-volante do Operário Ferroviário e professor no América Pontagrossense (Foto: João Vitor Rezende)

Sete a um em PG?
Logo após o maior desastre da história do futebol brasileiro, ocorrido na Copa do Mundo de 2014, muito se falou na formação de novos jogadores e o incentivo as categorias de base. Em Ponta Grossa, o cenário não é muito animador.

Chicão mora em Ponta Grossa há 30 anos. O ex-atleta conta que neste período, poucos atletas foram formados. “É uma vergonha a cidade de Ponta Grossa, com quase 350 mil habitantes, revelar tão poucos jogadores. Desde que eu cheguei na cidade em 1988, dá para contar nos dedos os jogadores que foram revelados”.

Citando o próprio exemplo, o professor fala da falta de incentivo na cidade para o trabalho de base, que necessita de estrutura e paciência, pois é um processo a longo prazo. “Pelo tamanho da cidade, pela estrutura, teria condições para revelar mais. Não se revela porque não é feito o trabalho. Eu faço esse trabalho há seis anos, mas é amador, com poucos recursos”, complementa.

Nelson relata que conhece casos de outras cidades menores com mais condições. Porém, esbarram na burocracia da filiação na Federação, que atualmente custa cerca de 150 mil reais. Sem a filiação, não é possível disputar campeonatos de base.

Para ele, a responsabilidade deve ser da iniciativa pública em conjunto com a iniciativa privada. “Ponta Grossa é uma cidade com muitas empresas, que poderiam patrocinar e incentivar mais. Falta um pouco da Prefeitura também, fazer um contato com essas empresas, para que se possa ter mais recursos para investir na base”, relata.

O jornalista esportivo Emmanuel Fornazari também é favorável a uma intervenção maior do governo municipal. Segundo o editor-chefe do portal Net Esporte Clube, as iniciativas nos bairros sustentam o esporte ponta-grossense. “O esporte de base de Ponta Grossa só sobrevive, no pouco de estrutura que existe, por conta do empenho de pessoas da comunidade que são apaixonadas pelo esporte. Além de tempo, precisam investir financeiramente. Esse cenário é péssimo para o esporte”.

Chicão comanda os treinos semanalmente no América Pontagrossense (Foto: João Vitor Rezende)

 

“Eu estou na história do clube, isso ninguém tira”
Em 2014 e 2015, América e Operário, dois clubes que fazem parte da vida de Chicão, fizeram uma parceria. Um trabalho de base na categoria sub-20, onde o Fantasma sedia a vaga e o clube da Nova Rússia ofertava os jogadores. Porém, sem muito apoio financeiro, a parceria deixou a desejar e não durou por muito tempo.

Chicão desabafa e relata que o trabalho era feito, muitas vezes, no improviso. “Em termos financeiros, deixaram muito a desejar. Na verdade, eu e meu amigo corríamos atrás dos recursos. Não é uma coisa barata de fazer e se não tiver apoio fica difícil”. Nelson já teve duas passagens fora de campo no clube em que fez história. Em 2004 e em 2007, fez parte da comissão técnica do Operário Ferroviário. Por não ser lembrado, Chicão revela uma pequena mágoa com o time ponta-grossense.

O ex-jogador lamenta por não poder fazer mais pelo Fantasma. “Eu estou na história do clube, isso ninguém tira. Fico chateado, podia estar ajudando mais, mas por falta de convite, não colaboro mais com o clube. Eu fico chateado, mas entendo que as pessoas que estão lá tem uma condição”.

O professor não descarta voltar ao clube em outra oportunidade no futuro. Porém, diz que não tem motivo e não busca pedir algum trabalho na equipe. “Tem que entender que a gente passa e o clube fica”.

Chicão lamenta a atual situação do esporte de base em Ponta Grossa (Foto: João Vitor Rezende)

 

Rubro-negro desde pequeno
Um dos principais atrativos do clube Guarani é a escolinha de futebol do Atlético Paranaense. O projeto que visa a formação social e esportiva, tem 90 alunos, em categorias que vão do sub-7 até o sub-15. Atualmente, os alunos disputam Liga Sul-Regional. O torneio acontece durante o ano todo, com oito equipes da região em três categorias. Ao fim do ano, disputam a Copa Furacão, o maior torneio entre escolinhas de futebol, somente entre núcleos do Atlético.

Erverson da Luz está há 10 anos como professor dos pequenos jogadores. Mesmo com tanto tempo no cargo, o treinador fala que ainda se surpreende. “Cada dia você aprende uma coisa diferente. Quanto mais você passa no futebol mais coisa nova você tem para aprender”.

O professor reforça o lado social do projeto, para além do rendimento esportivo de seus atletas. “É bom que vai revelando e depois eles aparecem. Você vê o pessoal formado, um ou outro virou jogador, isso que é o legal”.

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Outros clubes
O Clube Verde também é um dos que oferecem atividades esportivas em Ponta Grossa. Segundo o gerente geral Carlos Veiga, seis modalidades são ofertadas para os mais de 7000 sócios e dependentes da associação. Futebol, futebol de botão, tênis, bolão e sinuca tem campeonatos regulares disputados no local.

O judô é outro esporte a ser praticado no Verde, porém, apenas com aulas, sem o intuito de competições. Só no futebol, são quatro campeonatos simultâneos para diversas idades. “Tem gente que joga mais de um campeonato simultaneamente”, constata Veiga. Já no Tênis, há um ranqueamento entre os participantes que disputam campeonatos mensais.

A Associação Recreativa Homens do Trabalho (ARHT) oferece seis esportes aos seus sócios, além de academia. São eles: bocha, canastra, futsal, futebol society, futebol suíço e mini golf. Atualmente, o futebol tem quatro campeonatos em andamento. Nas categorias livre, até 35 anos, entre 40 e 45 anos e entre 45 e 50 anos, os sócios do clube disputam competições. Só na classe sem restrições de idade, 60 equipes participam do torneio que acontece regularmente na quadra da ARHT.

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