A importância de mobilizar-se em espaços públicos foi um dos temas principais do ato

A Frente Popular dos Movimentos Sociais de Ponta Grossa organizou um ato em solidariedade ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que teve dois militantes mortos no último dia sete. O crime ocorreu na região de Quedas do Iguaçu, no Centro-Oeste do Paraná.


A Polícia Militar do Paraná e seguranças da empresa Araupel invadiram o acampamento Dom Tomás Balduíno, que fica em Quedas do Iguaçu – PR. Além das duas mortes, o MST divulgou o número de seis feridos.

O ato também serviu para descomemorar os 20 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996. No massacre 19 militantes do MST foram assassinados no sul do Pará.

Lorene Camargo, integrante da Frente Popular, comenta que após o resultado da votação de domingo que deu prosseguimento ao processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT), a pauta do ato se ampliou. Ela destaca a importância da mobilização em defesa do MST e contra o golpe, além de buscar ocupar espaços públicos.

A descomemoração dos 20 anos do massacre de Eldorado dos Carajás foi outro objetivo da manifestação

Ivana Barbola, que participou do ato, salientou a solidariedade ao movimento e a luta pelo fim da violência no campo. Segundo ela, trata-se de um movimento legítimo pouco divulgado pela grande mídia.

A mobilização, que ocorreu por volta das 19h, no Ponto Azul, teve também espaço para a manifestação dos participantes. O estudante Matheus Dias defendeu o direito de luta dos militantes. “Estamos falando de pessoas que são mortas por lutar pelo direito a terra”.

Eugênio da Rosa se emocionou ao lembrar as mobilizações dos trabalhadores rurais em 1988 e destacou que a luta pela terra não é uma luta recente. “Desistir jamais. Porque é tudo o que eles querem. Que a gente não tenha garra, que não tenha sabedoria”.

O jornalista Luis Carlos Dzulinski ressaltou a batalha pela democratização da comunicação. “Se quisermos avançar nas lutas de classes, temos que democratizar a comunicação”.

Mesmo com hostilizações por parte de algumas pessoas que passavam pelas ruas próximas ao Ponto Azul, o ato permitiu mostrar solidariedade aos sem-terra. Ao mesmo tempo, os participantes debateram sobre o que chamaram de 'golpe camuflado de impeachment” e refletiram sobre a relevância de ocupar espaços públicos e lutar pela democracia.

 

A repressão e a hostilidade vividas pelas mobilizações populares também foram debatidas

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