altO trabalho nos postos de combustíveis é extremamente perigoso. Ao abastecer um carro, os frentistas precisam manipular substâncias líquidas e inflamáveis. A principal substância que compõe os combustíveis é o benzeno, altamente cancerígeno. Por isso, a lei determina que esses trabalhadores recebam um adicional de periculosidade, correspondente a 30% do salário base.    Frentistas-

O abastecimento de um veículo, tarefa aparentemente simples, é altamente perigoso para os trabalhadores que precisam manipular os combustíveis. Líquidos e inflamáveis, os combustíveis são compostos de substâncias que podem prejudicar os trabalhadores, seja pela inalação, pelo contato físico ou pelo risco de explosões.

A principal substância nos combustíveis é o benzeno. Essa substância, altamente cancerígena, pode causar desde uma leve tontura e dor de cabeça, até problemas mais graves como anemia aguda e a diminuição do sistema imunológico. O benzeno é incolor e possui um aroma doce e agradável. O contato com a pele pode causar queimaduras leves.

“É preciso conscientizar os trabalhadores quanto aos riscos dessa profissão. A tarefa do Sindicato é cobrar dos donos de postos que os trabalhadores recebam essa orientação através de palestras e cursos”, conta a auxiliar administrativa do Sindicato dos Trabalhadores de Postos de Combustível e Petróleo (Sinpospetro-PG), Kasue Takasugi.

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) garante as Normas Regulamentadoras, as NRs, que são responsáveis por regulamentar e orientar a respeito dos procedimentos obrigatórios ligados à medicina e segurança do trabalho. A NR-16 é a Norma Regulamentadora que fixa as condições mínimas exigíveis para garantir a segurança dos empregados em atividades e operações perigosas, nesse caso, a manipulação de líquidos inflamáveis.

Os riscos nos postos não estão relacionados somente aos frentistas, atingem também os lavadores de carro, os atendentes e os funcionários administrativos. Além disso, os moradores próximos também correm riscos no caso de uma explosão. “Uma faísca qualquer, ao entrar em contato com essas substâncias inflamáveis, pode causar uma grande explosão. Dependendo do reservatório do posto, a explosão pode atingir de um a três quarteirões”, afirma o técnico em segurança do trabalho, Jean Ricardo Alves.

Divaozir Camargo, frentista há três anos, conta que a tarefa desse trabalhador é ficar sempre atento aos clientes que entram no posto, reparando se não há nenhum perigo em potencial. “Tem sempre que ficar de olho se não tem alguém fumando perto das bombas ou atendendo o celular. Tenho que cuidar mais dos outros do que de mim mesmo”, diz.

O perigo existente nessa profissão garante ao trabalhador um adicional no pagamento de 30% do salário base. O frentista, que tem o salário base no valor de R$ 615,40, recebe mais R$ 184,62 de taxa de periculosidade.

Em 2010, a ação do Ministério do Trabalho e Emprego tem sido através de denúncias dos trabalhadores, já que essa fiscalização não está incluída na agenda regular. A multa para postos que não cumprem as regras, tanto no quesito orientação aos funcionários, quanto no pagamento do adicional de periculosidade, pode variar de R$400,00 a R$ 6.000,00.

“Esse adicional é garantido por lei ao trabalhador. O ideal seria que ele nem precisasse receber esse valor, ou seja, que ele não precisasse trabalhar em ações perigosas e de alto risco”, relata o auditor fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego, Maurício Pavesi.