altCrise financeira, carga tributária e diminuição do lucro dos postos foram algumas das  dificuldades na negociação de aumento salarial. O diretor do sindicato patronal (Sindicombustiveis) defende a negociação direta com os empregados, sem a presença do sindicato dos trabalhadores. Porém o presidente do Sinpospetro afirma que, sem o sindicato dos trabalhadores, os empregadores não pagariam nem o piso para os frentistas.

Os novos salários já serão pagos no vencimento desse mês. Além disso, o pagamento do reajuste será retroativo a 1ª de maio.


O salário dos trabalhadores em postos de combustíveis teve um reajuste de 8,207%. Os frentistas passam a ganhar R$ 730,00, mais um vale alimentação no valor de R$ 195,00. O Portal Comunitário já havia adiantado essa informação antes mesmo da confirmação oficial do acordo sobre o valor do reajuste (clique aqui para ler a notícia).

Agora, completando as informações e opiniões fornecidas pelo sindicato dos trabalhadores (Sinpospetro-PG), o Portal entrevista trabalhadores da base e o diretor geral do sindicato patronal (Sindicombustíveis).

Para Samuel de Souza, frentista há 22 anos, o aumento proporcionado ajudará a pagar suas faltas no trabalho. Porém, o trabalhador ressalta que o aumento não foi nenhum espetáculo. “Se aumentasse mais uns 100 reais, seria o ideal”.

Já Divonzil Camargo (foto), há dois anos no ramo, considera o reajuste satisfatório. “Agora, com o aumento, vou poder cobrir algumas contas atrasadas”, relata o frentista.

 Divonzil não sabia que o novo salário será retroativo aos três últimos meses. Isso acontece, pois a data base para o salário reajustado ter entrado em vigor era 1º de maio. Ou seja, além do reajuste, o próximo pagamento terá um adicional referente a essa diferença.

Segundo o diretor geral do Sindicombustiveis, Djanizi Fontini, a negociação foi difícil, já que cada um defende o seu lado. Porém, o diretor considera que houve um “acordo razoável”, atendendo os interesses das duas partes.

Para o diretor e também proprietário de um posto de combustíveis, o melhor seria uma negociação patrão-funcionário.  Isso, pelo fato de já existir uma relação, uma intimidade maior entre os dois lados. Assim, atender os interesses de ambos ficaria mais fácil.

Porém o presidente do Sinpospetro, Jacir dos Santos, discorda dessa situação. Segundo ele, se fosse assim, os donos de postos já teriam aumentado o salário junto com a data-base, o que não aconteceu.

Jacir afirma que se não existisse o sindicato, não ia ter ninguém para ajudar  os frentistas. “Se não tiver negociação eles não pagam nem o piso”, evidencia.

O diretor do sindicato patronal relata que a carga tributária é um dos grandes empecilhos na questão salarial dos frentistas. Segundo ele, essa taxa impede que os donos de postos possam pagar um salário maior aos empregados.

Djanizi Fontini argumenta ainda que a crise financeira tem atrapalhado as vendas. De acordo com o diretor, a queda do Imposto para Produtos Industrializados (IPI) e consequente aumento na venda de veículos não é sinônimo de maior comércio de combustíveis.

O dono de posto conta que o consumo caiu drasticamente ano passado e que ainda não voltou ao normal. Além disso, a crescente venda de álcool provoca um lucro menor, já que a gasolina é um produto mais rentável.

Em contrapartida, o presidente do Sinpospetro traz números que mostram que o lucro dos postos de combustíveis ainda é alto. Segundo Jacir, um posto tira R$ 0,30 em média de lucro por litro, tanto com álcool gasolina ou diesel.

Como a estimativa de venda por mês gira em torno de 100.000 mil litros, o lucro somente com combustíveis alcança os R$ 30.000,00. Além disso, o presidente conta que, no caso de filtros e óleo para motor, o lucro é de 100%.

De acordo com o presidente, cada frentista custa, em média, para o empregador R$ 1300,00, incluindo a carga tributária. Ou seja, num posto com 10 funcionários, o gasto gira em torno dos R$ 13.000,00, restando R$ 17.000,00 de lucro final.

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