altPara o frentista Divanzir, o melhor jeito de evitar prejuízos à saúde dos trabalhadores em postos de combustíveis é a prevenção. Por meio de pequenos cuidados, como o de usar um pano na hora de abastecer os carros, o frentista evita a inalação da gasolina e dificulta que o composto caia na pele.

    O trabalho de Divanzir Camargo começa cedo, às sete horas da manhã. Com um breve intervalo para o almoço, ele permanece no posto de combustível até as três da tarde.

Nesse período, Divanzir abastece diversos veículos. “Acredito que é uma média de 95 carros por dia, só eu. Mas, juntando todos os frentistas, dá uns 400 carros só em um dos turnos, como o que eu trabalho”, diz.

Mesmo com a prática de mais de oito anos de serviço, o frentista explica que é preciso ter cuidado com os equipamentos na hora de abastecer. Isso porque além de inflamáveis, alguns combustíveis possuem substâncias tóxicas que, se inaladas ou em contato com a pele, podem trazer riscos à saúde.

“Geralmente a gente coloca um paninho na frente da bomba porque se vier direto no nariz pode dar falta de ar; ou se cair um pouco de gasolina na tua pele dá câncer, dá alergia”, afirma.

Segundo Divanzir, em casos de acidentes como esse, os frentistas são orientados a procurar um médico. “É perigoso, mais tarde pode dar um problema bem maior do que acontece na hora”, diz.

De acordo com informações fornecidas pelo Semetra, grupo que cuida da Segurança e Medicina do Trabalho, algumas substâncias contribuem para tornar os combustíveis os maiores fatores de risco para quem trabalha nos postos. Uma delas é o benzeno. Presente na gasolina na forma de vapor, a absorção do benzeno provoca efeitos tóxicos para o sistema nervoso central.

A contaminação com o produto pode acontecer através da inalação ou do contato com a pele, ocasião em que ele evapora facilmente. Se ela ocorre, os efeitos mais comuns são sonolência, tontura, dor de cabeça, náuseas e dificuldades respiratórias.

Segundo arquivos do Semetra, esse conjunto de sinais, sintomas e complicações decorrentes da exposição ao benzeno é chamado de “benzenismo”. O termo foi criado para facilitar a identificação do problema.

A absorção em quantidades extremas da substância ainda pode causar convulsões, perda da consciência e levar, inclusive, ao falecimento. Em relação ao câncer, não há como medir a influência da exposição à substância, uma vez que a doença pode ser gerada pela incidência de vários fatores.

Para o frentista Divanzir, a orientação para o uso dos combustíveis no trabalho é importante não só para os trabalhadores. A prevenção de acidentes pode evitar que esses riscos atinjam também os clientes dos postos de combustíveis. “Geralmente tem que tomar muito cuidado, porque se cair [combustível] no cliente ele pode se prejudicar. E pode mais tarde multar o posto”, afirma.

 

Texto anterior:
Frentistas enfrentam riscos à saúde no trabalho