Olhos desconfiados e apreensivos. “Será que mais gente vai chegar?”. A última proposta do sindicato patronal foi reajuste salarial de 8,5%. Mas os trabalhadores pedem aumento de 18%. A assembleia que definiu a greve dos frentistas aconteceu na quinta-feira, dia 27.

Editorial: Procura-se, há três meses, uma greve de frentistas
Discussões sobre aumento salarial ocorrem desde abril
Direito à greve é assegurado por lei

 

Apesar do espaço modesto e de tamanho reduzido, a sede do Sindicato dos Frentistas (Sinpospetro-PG) abrigou cerca de trinta trabalhadores de todo o estado para decidir o rumo das reivindicações salariais.

Estavam presentes também os presidentes dos sindicatos das diversas regiões do estado: José Barbosa Lopes (Londrina),  Antônio Vieira Martins (Cascavel), Jacir Fermiano dos Santos (Ponta Grossa), Lairson Sena (Curitiba) e Levino de Oliveira (Foz do Iguaçu).

A pauta da reunião era única: decidir, juntamente com os trabalhadores dos postos de combustíveis, a proposta de greve. Para explicar a situação aos frentistas presentes, Antonio Martins, presidente do sindicato de Cascavel, relatou que o reajuste oferecido pelo sindicato patronal coloca os salários abaixo do salário mínimo regional do Paraná, que é de R$ 882,59.

“Nós estamos vivendo um momento econômico favorável, devemos valorizar a categoria, além de que, negociando juntos, fortalecemos o movimento”, incentivou Antônio.

Durante a discussão, Lairson Sena, representante do sindicato de Curitiba, reforçou que a participação em Ponta Grossa deve ser de engajamento. “Tudo o que temos foi conquistado através da luta”, afirmou.

Entretanto, para alguns trabalhadores, apesar da motivação feita no encontro, a participação ainda é muito restrita. “Onde eu trabalho tem 12 frentistas, e só eu apoio a greve”, relata Ede Luis Mileski Marques, funcionário de posto de combustíveis. Para o frentista, a falta de participação ainda se deve ao medo de perder o emprego. 

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